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Fernanda Leite
Bião
Hidemberg Alves da
Frota
A compreensão
da linguagem de um olhar assemelha-se à capacidade de
decifrar uma obra artística construída em meio ao sagrado da
presença divina e ao profano de uma vida na terra.
O olhar de Jesus
tinha a capacidade de mobilizar vidas, serenar almas e despertar
consciências. Transmitia a confiança no potencial humano de cada
ser que dele se aproximava.
Por meio das
nossas vivências e da permissão que damos a nós mesmos para a
elaboração de novas atitudes, concebemos lentes novas para ver
situações e experiências pessoais e interpessoais até então
inexistentes ou despercebidas. Tudo depende dos olhos que veem!
Ao aprendermos
a olhar os nossos semelhantes para além das
representações sociais e das imagens que nossos cérebros podem
decodificar, vamos encontrar em nossos pares, não o reflexo de
estereótipos sociais nem apenas os desenhos de seus corpos, mas
almas em constante transcendência, em um incessante
movimento entre o status em que se encontram e o
vir-a-ser, à medida que insculpem na história de suas vidas
a narrativa de uma caminhada até então desconhecida e, ao
trilhar esse percurso de renovação, aos poucos trazem a lume uma
nova realidade e a possibilidade de recriar sua existência.
Tomemos como
exemplo o jovem que, aprovado no vestibular, ingressa em curso
de nível superior e, passo a passo, sobe os degraus da sua vida
acadêmica de graduando, até que, ao fim da sua graduação,
transcende a condição de aluno, ao colar grau, tornar-se um
profissional e adentrar o mercado de trabalho. Ao longo dessa
trajetória, remodela a própria identidade como pessoa,
influenciado pelos valores e ideais da profissão
que abraça, dos saberes que assimila e da vivência
do seu cotidiano profissional.
O contexto
evolutivo da humanidade, como da natureza em geral, não é
estanque nem estático.
É preciso a
abertura consciencial para divisar as mudanças
saudáveis que o outro floresce na própria existência e
que, ao fazê-lo, em um efeito multiplicador, deflagra nas almas
daqueles com quem coexiste. Assim como nós, o outro tem o
direito de aprender, vivendo, e, baseado em suas vivências,
melhorar a si mesmo e servir de exemplo ao desenvolvimento dos
demais.
É preciso
permitir a si mesmo atualizar a própria perspectiva sobre o
outro e suas circunstâncias, transmutando o
próprio olhar diante dos ventos da transformação.
Então, olhe!
Aproprie-se das imagens, decodifique-as sem a pressa de julgar.
Aprecie os horizontes divisados. Permita a outro crescer e
cresça com ele. Embora nossas vivências sejam bússolas
personalizadas que direcionam a nossa caminhada e o que tem em
nós seja fruto daquilo que vivenciamos não podemos nos prender à
experiência pretérita como expressão da verdade absoluta,
congelada no tempo.
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