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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 11 de abril de 2008 22:57:32                                               

 
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CRôNICAS

Assim caminha a humanidade

   

Márcia Britto

publicado em 21/09/2007

Dizer que o Brasil é o país da impunidade, onde tudo acaba em pizza é comum e verdadeiro, não refletindo apenas uma realidade de tempos atuais, mas também de tempos remotos. Em 1970 Paulo Maluf deu um fusca de presente para cada integrante da seleção. Pagou com dinheiro da prefeitura. Nos dias de hoje não dá para esquecer a enrolada história envolvendo o presidente do senado, Renan Calheiros, envolvido com tantas irregularidades que fica até difícil enumerar as mais importantes, mas, para citar uma, pesa sobre ele a acusação de pagar despesas pessoais com dinheiro de lobistas.

Por acaso, ambas as situações envolvem políticos, mas os escândalos não são privilégios da categoria, basta verificar o que está acontecendo no Corinthians, um dos mais tradicionais times do futebol brasileiro, com a segunda maior torcida do país. A equipe, que está muito mal no brasileirão, aparece mais nas colunas policiais do que nas esportivas. Passando do esporte para a música, há poucos anos, o cantor Belo também foi habitué da editoria policial. A fama, o sucesso e o dinheiro não foram bastante para tirá-lo do envolvimento com o tráfico de drogas.

Há ainda as histórias de pessoas que só ficam famosas após se envolverem em algum tipo de escândalo: lembram da jovem que matou a colega de trabalho para ficar com a promoção? Melhor esquecer. E do empregado que seqüestrou e matou o filho do patrão? Também é melhor deslembrar.

Mas o que quero chamar a atenção é que a situação nacional não difere do cenário mundial. Vocês viram o caso da McLaren na Formula 1? A equipe perdeu todos os pontos que conquistou este ano após ter sido acusada de espionagem na Ferrari, equipe adversária, e ainda levou uma multa de U$ 100 milhões. Pior, a FIA – Federação Internacional de Automobilismo manteve os pontos dos pilotos. Estranho não é? Afinal se os pontos foram tirados da equipe porque foram mantidos com os pilotos? É, é estranho. Outro escândalo famoso foi o que envolveu o astro de futebol americano, O. J. Simpson, acusado de matar a facadas a ex-mulher, Nicole Brown. A polícia o perseguiu pelas ruas, ele ficou preso por mais de 350 dias, todas as provas o incriminavam e, por fim, foi inocentado. E da cantora mexicana, Glória Trevi, acusada de abuso sexual e de corrupção de menores? Bom, após ter sido presa e de engravidar na cadeia, ela está livre e continua cantando.

Entre os anônimos internacionais que se tornaram famosos após algum escândalo, não há como deixar de lado o caso Madeleine McCann, a menina britânica de apenas quatro anos, morta em condições ainda não esclarecidas, em Portugal, onde a família passava férias. O mais estranho é que uma das principais suspeitas da polícia é a mãe da criança, Kate McCann. A polícia encontrou sangue da menina no carro que a família havia alugado e um jornal publicou trechos de um diário de Kate onde ela revela o quão é difícil cuidar dos filhos.

Bom, se for para ficar falando em escândalo não pararia mais, porém não é para isso que quero chamar a atenção. Assusta-me a violência. A barbaridade de uma guerra mundial é tão dura quanto a de um avião ser dirigido propositalmente contra um prédio aterrorizando o mundo. O mais grave é que temos certeza de que todas as situações descritas acima podem se repetir, várias vezes e em vários lugares. Cabe-nos refletir e agir em conformidade com o que queremos.

  

 

 

 

 

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