Dizer que o Brasil é o
país da impunidade, onde tudo acaba em pizza é comum e verdadeiro, não
refletindo apenas uma realidade de tempos atuais, mas também de tempos
remotos. Em 1970 Paulo Maluf deu um fusca de presente para cada
integrante da seleção. Pagou com dinheiro da prefeitura. Nos dias de
hoje não dá para esquecer a enrolada história envolvendo o presidente do
senado, Renan Calheiros, envolvido com tantas irregularidades que fica
até difícil enumerar as mais importantes, mas, para citar uma, pesa
sobre ele a acusação de pagar despesas pessoais com dinheiro de
lobistas.
Por acaso, ambas as
situações envolvem políticos, mas os escândalos não são privilégios da
categoria, basta verificar o que está acontecendo no Corinthians, um dos
mais tradicionais times do futebol brasileiro, com a segunda maior
torcida do país. A equipe, que está muito mal no brasileirão, aparece
mais nas colunas policiais do que nas esportivas. Passando do esporte
para a música, há poucos anos, o cantor Belo também foi habitué
da editoria policial. A fama, o sucesso e o dinheiro não foram bastante
para tirá-lo do envolvimento com o tráfico de drogas.
Há ainda as histórias de
pessoas que só ficam famosas após se envolverem em algum tipo de
escândalo: lembram da jovem que matou a colega de trabalho para ficar
com a promoção? Melhor esquecer. E do empregado que seqüestrou e matou o
filho do patrão? Também é melhor deslembrar.
Mas o que quero chamar a
atenção é que a situação nacional não difere do cenário mundial. Vocês
viram o caso da McLaren na Formula 1? A equipe perdeu todos os pontos
que conquistou este ano após ter sido acusada de espionagem na Ferrari,
equipe adversária, e ainda levou uma multa de U$ 100 milhões. Pior, a
FIA – Federação Internacional de Automobilismo manteve os pontos dos
pilotos. Estranho não é? Afinal se os pontos foram tirados da equipe
porque foram mantidos com os pilotos? É, é estranho. Outro escândalo
famoso foi o que envolveu o astro de futebol americano, O. J. Simpson,
acusado de matar a facadas a ex-mulher, Nicole Brown. A polícia o
perseguiu pelas ruas, ele ficou preso por mais de 350 dias, todas as
provas o incriminavam e, por fim, foi inocentado. E da cantora mexicana,
Glória Trevi, acusada de abuso sexual e de corrupção de menores? Bom,
após ter sido presa e de engravidar na cadeia, ela está livre e continua
cantando.
Entre os anônimos
internacionais que se tornaram famosos após algum escândalo, não há como
deixar de lado o caso Madeleine
McCann, a menina britânica de apenas quatro anos, morta em condições
ainda não esclarecidas, em Portugal, onde a família passava férias. O
mais estranho é que uma das principais suspeitas da polícia é a mãe da
criança, Kate McCann. A polícia encontrou sangue da menina no carro que
a família havia alugado e um jornal publicou trechos de um diário de
Kate onde ela revela o quão é difícil cuidar dos filhos.
Bom, se for
para ficar falando em escândalo não pararia mais, porém não é para isso
que quero chamar a atenção. Assusta-me a violência. A barbaridade de uma
guerra mundial é tão dura quanto a de um avião ser dirigido
propositalmente contra um prédio aterrorizando o mundo. O mais grave é
que temos certeza de que todas as situações descritas acima podem se
repetir, várias vezes e em vários lugares. Cabe-nos refletir e agir em
conformidade com o que queremos.