|
Conta-se que, numa cidadezinha do interior, uma pobre mãe viúva
encontrou sobre a mesa um bilhete do seu filho que dizia: "Mãe, não
agüento mais viver com você, vou tentar a minha vida em Londres".
Moravam num barraco perto da estação de trem e o jovem fugiu. Sendo
filho único, o choque causado pela decepção e a certeza de uma grande
solidão e saudade destruíram aquela família.
Os anos passaram e para tristeza de todos que conheciam o rapaz, as
manchetes de jornais que chegavam da capital, traziam notícias de
assaltos e até crimes de morte que ele cometera. Aquela mãe não sabia de
nada, porque seus amigos escondiam as notícias. Um dia, chegou uma carta
do filho com o seguinte conteúdo: "Mamãe, cansei de tanto sofrer pela
saudade e pelos erros que fui acumulando. Estou arrependido. Se a
senhora me perdoar, coloque uma bandeira branca na sua janela. Passarei
de trem por aí, na madrugada. Se a bandeira estiver lá, descerei".
Aquela mãe saiu batendo, de porta em porta, nas casas vizinhas e
pediu às pessoas para colocarem uma bandeira branca, nas suas janelas.
Quando o rapaz passou por lá e viu tantas bandeiras, desceu chorando.
Muitas vezes, os erros são cometidos por falta de
orientação e por inexperiência. A compreensão e o apoio nas fraquezas
podem levar o indivíduo à recuperação.
Um dia, os discípulos de Jesus perguntaram-lhe, quantas vezes uma
pessoa deve perdoar a outra, quando falhasse. E a resposta sugeriu uma
aula sobre o perdão:
- Deveis perdoar uns aos outros não sete vezes, mas setenta vezes
sete.
Talvez, porque muitos educadores retiraram as lições do perdão da
cartilha da convivência, a humanidade se embrutece nas relações.
|