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O nosso olhar pequeno diante da vida nos faz por vezes buscar uma
explicação para tudo que acontece. Acho que na verdade não é bem uma
explicação, é encontrar alguém para colocar a culpa.
É muito mais
fácil justificar os tombos nas circunstâncias, nas atitudes dos outros,
na TPM, no acúmulo de estresse com tantos sapos engolidos.
O contrário
resultaria muito triste, sofrer os baques que a vida impõe e ainda ter
que admitir que grande parte deles foram esculpidos pelas nossas
próprias mãos, é terrível.
Talvez um
espírito mais elevado, para quem nisso crê, consiga lidar com mais
facilidade e menos traumas com essa questão, porque o restante dos
pobres mortais, como eu, sucumbe à deliciosa tentação de culpar os
outros.
Embora agir
assim alivie de imediato, lá no fundo a gente sabe da verdade nua, crua
e perversa. E essa sensação talvez só perca para a terrível de não ter a
quem culpar.
Dia desses
escutei alguém falar que aceitar as coisas que simplesmente não podemos
mudar é a melhor maneira de não sofrer, que existem sim, coisas que não
dependem de nós. E melhor, chamam isso de serenidade.
Era o que eu
queria! Agarrei essa idéia, amarrei em meus braços e relaxei. Agora sou
serena... palavra muito mais bonita do que covarde, porque agora, não
importe quem eu culpe ou deixe de culpar, simplesmente, há coisas que
não dependem de mim. Que bom!!
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