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Ficção
é uma coisa
extraordinária.
Uma boa
narrativa tem a
capacidade
de nos
levar
a universos
nunca
antes
explorados. Uma
história
bem
contada mantém o
leitor
preso
até
a última
página,
numa expectativa
que
beira
quase
ao fanatismo.
Essa, no entanto,
não
é uma tarefa
fácil
de se atingir,
muitos
escritores
já
a tentaram e fracassaram.
Contudo,
quando
isso
finalmente
ocorre, podem ter
certeza,
estaremos diante
de um
best-seller.
É o que
tem conquistado
com
seu
trabalho
um
dos escritores
mais
lidos e comentados do
momento:
Dan Brown.
Seus
livros
exploram o
imaginário
popular,
trazendo à luz
temas
que,
em
condições
normais,
não
seriam debatidos. Foi
assim
com
o famoso
e polêmico “O
Código da
Vinci”. De forma
ousada,
ele
colocou em
debate
o dogma
mais
protegido
e resguardado da
Igreja
Católica:
a face
humana
de Jesus Cristo.
Pior,
trouxe para
baixo
dos holofotes
uma figura
que,
no Novo
Testamento,
sempre
foi considerada uma
personagem
menor:
a pseudoprostituta Maria Madalena.
Com
todos
esses
ingredientes,
não
preciso
lembrar
a polêmica
provocada; gerando,
inclusive, uma
série
de protestos
da ala
mais
conservadora da
Igreja.
O
filme,
no entanto,
foi uma grande
decepção
(aliás,
como
a maioria
dos filmes
baseados
em
livros).
Tom
Hanks, encarnando o
personagem
principal
Robert Langdon,
não convenceu,
mostrou-se
apagado e
eu
diria até
um
pouco
esquisito.
Nada
a ver
com
o homem
descrito no
livro. O
filme
foi insosso;
o livro,
eletrizante.
Agora
temos um
novo
livro
de Dan Brown em
exibição
nos
cinemas:
“Anjos
e Demônios”.
E, outra
vez,
temos presente
o debate
sobre
temas
não
só
complexos,
mas
também
um
tanto
quanto
herméticos
para
o leitor
comum.
Para
os que
não
conhecem a obra
de Dan Brown explico: “Anjos
e Demônios”
não
é uma
continuação do
Código
da Vinci. Ao
contrário.
Este
último,
na linha
do tempo
construída pelo
autor,
é que
se tornou uma
continuação do
primeiro
No entanto,
independente
da ordem
cronológica das duas
obras,
ambos
os livros
têm um
ponto
em
comum
(incluindo, é
claro, o
personagem
principal
Robert Langdon): trazem à
baila
dogmas
e segredos
da Igreja
Católica.
Desta vez,
não
é o Santo
Graal, mas
uma sociedade
ultra-secreta,
chamada
Iluminnati,
que
deseja
derrubar
a qualquer
custo
essa instituição
milenar.
A
fórmula
é a mesma:
assuntos
polêmicos e
muita,
muita,
ação.
Contudo,
o que
tornou, para
mim,
a leitura
mais
interessante foi o
fato
de a Física
estar
incluída entre
os personagens
principais.
Isso
já
se percebe no
início da
trama
quando,
ao invés
de um
diretor
de museu,
um
físico
de um
dos maiores
centros
de pesquisas
do mundo
– o CERN – é encontrado assassinado.
Um
início
dramático
para
uma história
que
mistura
segredos
religiosos
com
ciência
de ponta.
Durante
a leitura,
as pessoas
que
nunca
ouviram falar
sobre
Física
de Partículas
tomam
conhecimento de
um
centro
de pesquisas
onde
partículas
(prótons,
nêutrons
e elétrons)
constituintes
do átomo
são
aceleradas a
altas
velocidades
em
aparelhos
de grandes
dimensões
(alguns
do tamanho
de uma pequena
cidade,
como
é o caso
do aparelho
do CERN), chamados
aceleradores
de partículas.
O leitor
tem, então,
a oportunidade
de conhecer
– mesmo
que
superficialmente
– não
só
alguns
elementos
dessa pesquisa
(o conceito
de anti-matéria,
por
exemplo),
como
também
o trabalho
realizado pelos
cientistas
que
ali
atuam; algo
que,
em
condições
normais
poucos
ficariam sabendo.
Ponto
para
Dan Brown.
No
entanto
– sempre
há um!
–, como
a ficção
não
tem compromisso
com
a verdade
cientifica, em
alguns
momentos
o autor
se perde, provocando
um
pouco
de confusão
e até
alguns
equívocos.
Para
os ortodoxos,
isso
é intolerável.
Eu,
entretanto,
sou mais
condescendente. Acredito
que
o importante
é despertar
o interesse
para
esses
temas,
depois
cabe a cada
um
buscar
as informações
pertinentes
esclarecendo,
assim,
aqueles
pontos
que
ficaram em
aberto
ou
mal
explicados.
“E
aqueles
que
não
têm interesse
em
ir
adiante?
Eles
vão
ficar
com
as informações
erradas?”,
alguém poderá
perguntar.
Do meu
ponto
de vista,
esses,
em
uma semana
– quem
sabe menos
–, terão
simplesmente
esquecido o que
leram e o livro
irá, com
certeza,
acumular
pó
em
alguma prateleira.
Contudo,
para
aqueles
poucos
nos
quais
a leitura
realmente
despertou
curiosidade,
haverá a chance
de verem o seu
conhecimento
avançar,
lendo livros
mais
especializados
ou consultando
a internet
sobre
tudo
aquilo
que
lhes
chamou a atenção.
Ponto
para
Dan Brown.
De
minha
parte,
para
concluir,
não
quero entrar
no mérito
se a obra
de Dan Brown é
baixa
ou
alta
literatura.
Ou,
se por
ser
um
escritor
de best sellers
isso
o diminui frente
a outros
autores
mais
importantes.
Eu,
como
leitora, gostei
imensamente de
lê-lo, é uma
leitura
atrativa
e emocionante,
obriga-nos ir
até
a última
página,
mesmo
que
para
isso
tenhamos de sacrificar
algumas horas
de sono.
Como
professora de
Física,
me
parece que
o autor
cumpriu um
papel.
Misturando
ficção
com
realidade,
apresentou ao
público o
universo
fascinante,
mas
totalmente
desconhecido,
do trabalho
cientifico. Pode ser
que
suas
informações
não
sejam as mais
exatas ou
corretas, mas,
graças
à leitura
do livro
(desencadeada
pela
sua
exibição
nos
cinemas),
muitos
alunos
têm-me procurado para
saber
mais
sobre
o CERN, a Física
de Partículas
e sobre
o trabalho
científico
em
geral.
O que
mais,
como
leitora e professora,
eu
poderia
querer?
Portanto,
concluo dizendo: ponto
para
Dan Brown.
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