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O
título nos faz pensar em filmes de ficção científica
ou até mesmo de terror, bem ao gosto de Hollywood. No entanto, lamento
informar, “Renascidas”,
em inglês reborn, nada mais são do que bonecas feitas de vinil,
com cabelo, rosto e tom de pele tão realistas que podem ser facilmente
confundidas com bebês de verdade. E ao contrário do que possamos
imaginar, esses “brinquedos” não estão sendo vendidos a meninas, mas a
mulheres adultas e, portanto, bem crescidinhas.
As mulheres jovens alegam que
estão comprando essas bonecas para satisfazer suas “necessidades
maternais”, enquanto, as
mais velhas as
utilizam para vencer a chamada
“síndrome do ninho vazio”. O
Dr. Keith Ablow, psiquiatra e
consultor do canal de TV norte-americano
Fox News,
ao ser
questionado
sobre esse
novo
“modismo”,
mostrou-se
apreensivo,
pois, para ele,
representa mais um
sintoma de como a
nossa espécie está perdendo o controle sobre a realidade.
De minha parte, confesso: quando
li a noticia custei a acreditar. “Necessidades maternais”?!
“Síndrome do ninho vazio”?!
Essas são justificativas tão absurdas, tão inverossímeis que fiquei me
perguntando se a matéria do jornal não seria alguma espécie de
brincadeira ou uma piada
de mau gosto. Depois, quando
percebi que o assunto era sério,
concluí que talvez esse
fosse um tema que merecesse
uma discussão.
Sentir-se solitário não é um
estado que agrade a muitas pessoas. Ao contrário. A solidão é repudiada
pela maioria e não se poupam esforços para evitá-la. No entanto, uma
mulher que procura numa boneca, por mais realista que ela seja, uma
forma de suprir as suas “necessidades maternais” ultrapassou, do meu
ponto de vista, todos os limites razoáveis da fantasia. Minha
intolerância se baseia no fato de que existem milhares de crianças
espalhadas pelo mundo necessitando de um lar e, consequentemente, de uma
mãe. Assim, o que não faltam são bebês reais, e desconhecer essa
verdade significa estar passando um atestado de alienação difícil de
admitir em pessoas minimamente inteligentes e bem informadas.
Igual raciocínio se aplica ao
caso das mulheres mais velhas que, ao verem seus filhos saindo de casa,
procuram formas de compensar a sua ausência. O mesmo psiquiatra, Dr.
Keith Ablow, explica que ao substituir os filhos por uma boneca – há um
caso de uma mulher que adquiriu duas bonecas, as quais deu os
nomes dos filhos – apenas se estará adiando o enfrentamento dessa nova
condição de vida, o que só torna o desconforto, a angústia e a dor da
separação ainda maiores. Mas e se a necessidade de uma criança se tornar
intolerável? Bem, nesse caso, ainda defendo que um bebê de
verdade é a melhor solução para o problema.
Por que, então, essas mulheres
não investem em uma criança de carne e osso?
Talvez porque cuidar de uma
criança real signifique um trabalho que essas mulheres não estão
dispostas a assumir. Seus bebês de mentira não sujam fraldas, não choram
à noite, não ficam doentes, estão sempre à disposição para serem
acarinhados e logo esquecidos. Assim, fica difícil de acreditar em
“necessidades maternais”. Se elas realmente existissem a escolha mais
racional e, portanto, menos fantasiosa, seria a gravidez ou a adoção.

Enfim, quem chegou até o final
deste texto já deve ter percebido qual é a minha posição sobre esse
assunto. Não considero, assim como o Dr. Ablow, esse comportamento uma
nova moda ou uma brincadeira inocente de pessoas adultas. Para mim,
lamento dizer, trata-se de uma doença mental séria. Investir US$ 12 mil
em uma boneca que se parece com uma criança é uma loucura que eu não
consigo entender e que apenas um psiquiatra será capaz de tratar.
Uma mulher que deseja
realmente ser mãe não vai abrir mão dessa experiência única chamada
maternidade. Ao contrário. Ela irá querer vivenciá-la na sua plenitude,
mesmo que para isso tenha de dormir pouco e não possa por dias, semanas
ou meses passear no shopping. Além disso, uma mentira é sempre
uma mentira e se não tomamos cuidado, ela pode se tornar uma bola de
neve. E quando, finalmente, nos dermos conta será muito difícil
distinguir a realidade da ilusão, por mais elaborada que ela possa
parecer. |