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Quando questionada, em entrevista
para um jornal, sobre se o filme O Segredo teria uma influência
positiva sobre as pessoas, uma psiquiatra respondeu dizendo que esse
tipo de filme (e também o livro) era, sim, uma influência bastante
saudável, porque orientava a pensar positivamente, aumentava o
entusiasmo e a motivação para vencer as dificuldades. No entanto, ao
final da entrevista, ela não pôde deixar de alertar para os riscos da
fanatização. Segundo a psiquiatra, é muito perigoso fugir do
cientificamente comprovado, principalmente quando o assunto é a nossa
saúde.
Em relação aos livros de auto-ajuda –
e agora aos filmes – com certeza as opiniões se dividem. Sempre haverá
aqueles que acreditarão na eficácia desse tipo de leitura, vendo nela um
caminho alternativo para se conquistar o equilíbrio e a harmonia
interior, enquanto outros a considerarão apenas uma forma muito esperta
de ganhar dinheiro em cima do sofrimento alheio. De minha parte,
acredito que os dois grupos estão certos de alguma maneira.
Eu mesma já li vários livros de
auto-ajuda e não tenho vergonha de admitir que encontrei em muitos deles
a orientação que precisava para superar alguns momentos difíceis da
minha vida. Posso, inclusive, dizer que houve uma ocasião que, se não
fosse por um certo livro de auto-ajuda*,
teria com certeza adoecido.
Quando estamos cercados de problemas
nos tornamos, na maioria das vezes, surdos aos conselhos de pessoas que
nos são próximas. No entanto, ao nos depararmos com as palavras escritas
por alguém que não nos conhece e que muitas vezes vive uma vida
diferente da nossa, reconhecemos nelas as verdades de que tanto
necessitamos. Assim, as mensagens de esperança de muitos desses livros
tornam-se aquela luz que precisamos para conseguir enxergar com maior
clareza o que se passa à nossa volta.
Contudo, a desconfiança em relação a
esse tipo de leitura também procede. Nesse campo também há, como em
todas as áreas da vida, pessoas que se comprazem em obter ganhos em cima
da dor do outro. Da mesma forma, vamos encontrar charlatães que dizem o
óbvio e usam e abusam de clichês para enganar os inocentes. Assim como
ouvimos todos os dias palavras vazias e sem imaginação, também nesses e
em tantos outros livros (não necessariamente de auto-ajuda) iremos nos
deparar com conteúdos que pouco nos acrescentam ou motivam. Não pretendo
citar nomes, mas posso dizer que ao longo de minhas leituras me deparei
com livros dessa espécie inúmeras vezes.
É possível, então, perceber o quanto
o tema auto-ajuda é polêmico. Há os que amam e há, com certeza, os que
odeiam. Contudo, é possível escolher um caminho intermediário. Nele
teremos de avaliar, analisar e criticar, selecionando aquilo que,
realmente, vale a pena ler (sendo livros) e ver (se forem filmes).
A força do pensamento positivo
é reconhecida pela ciência; no entanto, abandonar métodos que essa mesma
ciência comprovou e aprovou porque alguém lhe disse para fazê-lo é algo
que deve ser avaliado com muita calma e prudência. A decisão final
sempre é nossa e ela deve ser embasada em argumentos sólidos que não nos
deixem à mercê de pessoas que pouco ou nada sabem de nós ou dos nossos
problemas. Portanto, ratifico o conselho da psiquiatra quando recomenda
cautela. É preciso evitar a todo custo a adesão cega a ideias que não
foram devidamente testadas. Leia, assista filmes, permita-se ser
motivado por eles, mas não abra mão do seu espírito crítico e apenas
escolha aquilo que for comprovadamente melhor para você.
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