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Quantas vezes a gente, em
busca da ventura,
procede tal e qual o
avozinho infeliz:
em vão, por toda parte, os
óculos procura
tendo-os na ponta do
nariz!
Mário Quintana
Muito já se falou e escreveu sobre ela. E
a conclusão é sempre a mesma: nunca se é, mas, na verdade, se está. A
felicidade é, portanto, aquele estado emocional de momento e de
conquista, muitas vezes difícil. No entanto, independentemente do que se
pense sobre ela, é inegável o fato de que todos a buscamos. Encontrá-la
– ou, seria melhor dizer, conquistá-la – é o maior objetivo do ser
humano.
A questão é se ao encontrá-la saberíamos
reconhecê-la. Você sabe quando está feliz?
Faço essa pergunta por que a insatisfação
e a impaciência vêm se tornando cada vez maiores, cada vez mais
sufocantes, transformando a infelicidade, e não a felicidade, na nossa
companheira mais constante. Estamos sempre procurando meios de sermos
felizes, esquecendo, no entanto, os modos de conquistar esse sentimento
tão sonhado.
Segundo o dicionário, o substantivo
felicidade significa: “Qualidade ou estado de feliz”. Já o adjetivo
feliz pode ter cinco significados diferentes: “1. Que goza de
satisfação, sorte, ventura; afortunado. 2. Intimamente contente, alegre.
3. Que teve ou tem bom resultado; bem-sucedido. 4. Favorecido pela
sorte, afortunado. 5. Que proporciona, traz ou transmite felicidade”.
Após ler todos essas definições,
compreendi que o simples e frio conceito acadêmico também não é capaz de
explicar completamente um sentimento que por sua própria natureza é
carregado de subjetividade. Como a felicidade não é uma propriedade do
indivíduo, inexiste uma maneira objetiva de entender o seu significado.
Suspeito que Einstein ao enunciar a sua célebre frase “Tudo é relativo”,
tenha, quem sabe, pensado justamente nas diferentes gradações que esse
sentimento pode assumir.
Os livros de autoajuda, por exemplo, se
tornaram verdadeiros campeões de vendas porque, entre outros objetivos,
se propõem a ajudar as pessoas a descobrir a felicidade. As receitas
dadas por eles são as mais variadas, basta ter paciência para ler.
Entretanto, nenhum livro, por melhor que seja, é capaz de realizar
milagres. É preciso, antes de tudo, uma tomada interna de consciência
sobre o que queremos fazer com as nossas vidas: se vamos ser um veículo
de felicidade ou de infelicidade, de satisfação ou de insatisfação.
Freud dizia que a felicidade era um
problema individual, onde nenhum conselho seria válido, devendo cada um
procurar por si a receita de ser feliz. Assim, a questão não é se somos
ou se estamos felizes, mas se conseguimos compreender o que é e como se
conquista essa felicidade. Uma pessoa feliz é facilmente reconhecível,
assim como uma infeliz. Todos nós já sentimos a diferença e todos nós
sabemos do lado de quem é mais prazeroso estar. A felicidade, assim como
o amor, é um sentimento contagiante. Uma pessoa feliz ou apaixonada
modifica o seu entorno, influenciando a todos aqueles que entram em
contato com ela.
Portanto, como sabiamente nos lembrou
Freud, não podemos querer atribuir aos outros a responsabilidade pela da
nossa felicidade ou infelicidade; essa, felizmente, é uma tarefa que nos
cabe. E se esse é um estado emocional de momento, porque não torná-lo
mais frequente em nossas vidas? Quanto mais momentos de felicidade
conseguirmos conquistar, mais satisfeitos e menos ansiosos iremos nos
sentir. E isso, com certeza, é algo pelo qual vale a pena lutar.
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