spacer

 

ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 02 de março de 2009 19:05:38                                               

 
  Principal
 Cultura
 Crônicas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
 
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 Institucional
 
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 
   Blogs
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Econotas
 Humor
 Memória Sindical
 Mirim
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Esportes
 Agenda
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRôNICAS

A difícil arte de envelhecer

 

Margarete Hülsendeger

publicado em 02/03/2009

Imaginem a cena. É noite, no quarto um casal dorme. De repente, a mulher desperta e joga todas as cobertas para o chão. O homem acorda, coloca as cobertas de volta na cama e tenta retomar o sono. Pouco tempo depois a mesma mulher puxa todas as cobertas para si resmungando que está sentindo frio. O homem suspira e resignado procura se cobrir da melhor maneira possível. Ele sabe que não adianta reclamar; afinal, a situação já vem repetindo-se há alguns meses.

A cena descrita procura ilustrar apenas um dos vários sintomas de uma velha conhecida das mulheres: a menopausa. Todos os profissionais da saúde são unânimes em afirmar que a menopausa não é uma doença, mas um estágio natural da vida pelo qual todas as mulheres passam quando envelhecem. No entanto, para quem a está vivendo, ou já a viveu, com certeza esse não foi um período nada normal. Ao contrário.

Assim como na TPM, durante a menopausa as mulheres passam a ser controladas por seus hormônios, só que desta vez no sentido inverso. Agora, os problemas não estão mais relacionados à flutuação mensal de hormônios na corrente sanguínea, mas à queda das suas taxas. Enquanto na TPM a mulher sofre porque menstrua, na menopausa o sofrimento se deve à iminente interrupção desse mesmo ciclo.

Não há preparação para essa nova etapa. Simplesmente, um dia acorda-se e descobre-se que o tempo passou. As reações a essa constatação variam de mulher para mulher. Algumas encaram essa fase de maneira tranqüila, vendo nela apenas um novo estágio em suas vidas. Outras, no entanto, sofrem. Sofrem muito. Sofrem com os sintomas e com a possibilidade, agora concreta, do envelhecimento. Não é por nada que a depressão passa a ser um dos sintomas mais freqüentes durante esse período.

Atualmente, existe toda uma série de tratamentos com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da mulher em menopausa: desde a reposição hormonal até o emprego de fitoterápicos. No entanto, sabe-se que para muitas delas a questão está além dos tratamentos. Tudo se resume à dificuldade de encarar o envelhecimento como algo natural.

Ninguém quer envelhecer. Assim como ninguém quer morrer. Contudo, envelhecer e morrer faz parte do ciclo natural da vida. Exercitar a sua aceitação desde cedo é o caminho mais seguro para se manter o corpo e a mente saudáveis. Entretanto, nem todos estão preparados para assumir essa verdade. Ela é um exercício diário que, no caso das mulheres, deveria começar quando ela percebe o quanto o funcionamento do seu corpo é repleto de sutilezas. Sutilezas que os homens, na maioria das vezes, não conseguem compreender.

A confusão masculina é compreensível, afinal eles não passam mensalmente pela TPM e, apesar de vivenciarem algo semelhante à menopausa, conhecida como andropausa, seus sintomas não chegam nem perto dos observados durante aquele período. Portanto, para eles o universo feminino é, em muitos momentos, uma incógnita.

No entanto, assim como na TPM, o apoio masculino é de fundamental importância. Poderia dizer, sem medo de errar, que na menopausa ele é vital. A mulher nesse período precisa se sentir amada e protegida. A insegurança sobre o seu corpo se eleva à enésima potência. Seu desejo sexual fica enormemente reduzido, aumentando ainda mais a falta de confiança em si mesma. Ter ao seu lado um companheiro apoiando-a pode ser a diferença entre uma mulher saudável e outra doente.

É claro que sempre é possível recorrer aos antidepressivos, mas nem mesmo eles irão ajudar se a mulher estiver sentindo-se sozinha. Nesses momentos, ela precisa reconhecer no seu parceiro alguém que esteja disposto a ajudá-la incondicionalmente, sem alarde e, principalmente, sem perder a paciência. A isso se chama amor. E é nele que a mulher, com seus ciclos, suas oscilações hormonais e suas crises, se alimenta e fortalece. E será por meio dele que ela conseguirá ultrapassar mais essa etapa de sua vida. Afinal, como escreve Lya Luft, uma mulher, não importando a idade ou período de vida no qual se encontre, não deve desejar ser uma mulher-maravilha, mas, “apenas uma pessoa vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa... uma mulher”.

 

 

Pesquisa personalizada
 
  

spacer
::sobre o autor::

 Margarete Hülsendeger é professora de Física em escolas particulares de Porto Alegre/RS e Mestre em Educação em Ciências e Matemática/PUCRS.

::contato com o autor::

Fale com o autor clicando aqui.

 
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 
 

::outras crônicas:

Será frescura?
Margarete Husendeger
publicado em 06/01/2009

Expectativas
Margarete Husendeger
publicado em 01/12/2008

Notícias que correm pelo mundo
Margarete Hülsendeger
publicado em 01/11/2008

Uma questão chamada escolha
Margarete Hülsendeger
publicado em 01/10/2008

A imagem no espelho
Margarete Hülsendeger

publicado em 02/06/2008

A imagem no espelho
Margarete Hülsendeger

publicado em 02/06/2008

Pensar, viver e morrer: o que mais se pode fazer?
Margarete Hülsendeger
publicado em 03/08/2008

Rampas e tigres de dentes de sabre
Margarete Hülsendeger
publicado em 08/07/2008

Um novo começo
Margarete Hülsendeger

publicado em 05/01/2008 

Sem arrependimentos
Margarete Hülsendeger
publicado em 04/12/2007

Orgulho ou soberba: existe alguma diferença?
Margarete Hülsendeger
publicado em 15/11/2007

Inveja
Por Margarete Hülsendeger
publicado em 11/09/2007
 

Alguém
Margarete Hülsendeger
publicado em 07/10/2007

Raiva
Por
Margarete Hülsendeger
publicado em 28/08/2007

Ansiedade
Por
Margarete Hülsendeger
publicado em 08/07/2007

 

Normas para publicar artigosRevista Virtual Partes

::apoiadores::






© copyright Revista P@rtes 2000-2009
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil
spacer