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Imaginem a cena. É
noite, no quarto um casal dorme. De repente, a mulher desperta e joga
todas as cobertas para o chão. O homem acorda, coloca as cobertas de
volta na cama e tenta retomar o sono. Pouco tempo depois a mesma mulher
puxa todas as cobertas para si resmungando que está sentindo frio. O
homem suspira e resignado procura se cobrir da melhor maneira possível.
Ele sabe que não adianta reclamar; afinal, a situação já vem
repetindo-se há alguns meses.
A cena descrita
procura ilustrar apenas um dos vários sintomas de uma velha conhecida
das mulheres: a menopausa. Todos os profissionais da saúde são unânimes
em afirmar que a menopausa não é uma doença, mas um estágio natural da
vida pelo qual todas as mulheres passam quando envelhecem. No entanto,
para quem a está vivendo, ou já a viveu, com certeza esse não foi um
período nada normal. Ao contrário.
Assim como na TPM,
durante a menopausa as mulheres passam a ser controladas por seus
hormônios, só que desta vez no sentido inverso. Agora, os problemas não
estão mais relacionados à flutuação mensal de hormônios na corrente
sanguínea, mas à queda das suas taxas. Enquanto na TPM a mulher sofre
porque menstrua, na menopausa o sofrimento se deve à iminente
interrupção desse mesmo ciclo.
Não há preparação para
essa nova etapa. Simplesmente, um dia acorda-se e descobre-se que o
tempo passou. As reações a essa constatação variam de mulher para
mulher. Algumas encaram essa fase de maneira tranqüila, vendo nela
apenas um novo estágio em suas vidas. Outras, no entanto, sofrem. Sofrem
muito. Sofrem com os sintomas e com a possibilidade, agora concreta, do
envelhecimento. Não é por nada que a depressão passa a ser um dos
sintomas mais freqüentes durante esse período.
Atualmente, existe
toda uma série de tratamentos com o objetivo de melhorar a qualidade de
vida da mulher em menopausa: desde a reposição hormonal até o emprego de
fitoterápicos. No entanto, sabe-se que para muitas delas a questão está
além dos tratamentos. Tudo se resume à dificuldade de encarar o
envelhecimento como algo natural.
Ninguém quer
envelhecer. Assim como ninguém quer morrer. Contudo, envelhecer e morrer
faz parte do ciclo natural da vida. Exercitar a sua aceitação desde cedo
é o caminho mais seguro para se manter o corpo e a mente saudáveis.
Entretanto, nem todos estão preparados para assumir essa verdade. Ela é
um exercício diário que, no caso das mulheres, deveria começar quando
ela percebe o quanto o funcionamento do seu corpo é repleto de
sutilezas. Sutilezas que os homens, na maioria das vezes, não conseguem
compreender.
A confusão masculina é
compreensível, afinal eles não passam mensalmente pela TPM e, apesar de
vivenciarem algo semelhante à menopausa, conhecida como andropausa, seus
sintomas não chegam nem perto dos observados durante aquele período.
Portanto, para eles o universo feminino é, em muitos momentos, uma
incógnita.
No entanto, assim como
na TPM, o apoio masculino é de fundamental importância. Poderia dizer,
sem medo de errar, que na menopausa ele é vital. A mulher nesse período
precisa se sentir amada e protegida. A insegurança sobre o seu corpo se
eleva à enésima potência. Seu desejo sexual fica enormemente reduzido,
aumentando ainda mais a falta de confiança em si mesma. Ter ao seu lado
um companheiro apoiando-a pode ser a diferença entre uma mulher saudável
e outra doente.
É claro que sempre é
possível recorrer aos antidepressivos, mas nem mesmo eles irão ajudar se
a mulher estiver sentindo-se sozinha. Nesses momentos, ela precisa
reconhecer no seu parceiro alguém que esteja disposto a ajudá-la
incondicionalmente, sem alarde e, principalmente, sem perder a
paciência. A isso se chama amor. E é nele que a mulher, com seus ciclos,
suas oscilações hormonais e suas crises, se alimenta e fortalece. E será
por meio dele que ela conseguirá ultrapassar mais essa etapa de sua
vida. Afinal, como escreve Lya Luft, uma
mulher, não importando a idade ou período de vida no qual se encontre,
não deve desejar ser uma mulher-maravilha, mas, “apenas uma pessoa
vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa... uma
mulher”. |