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Ao
contrário do que possa se imaginar, “fomo” não é a conjugação incorreta
do verbo ir. Na verdade, trata-se de uma sigla – fear of missing out
– que em português significa medo de estar perdendo algo. A pergunta
óbvia é: perdendo o quê? Segundo os americanos, responsáveis por mais
esse verbete, o seu significado está associado ao medo de não estar
presente em algum evento dito e compartilhado como "o mais legal" ou "o
mais importante".
Para psicólogos e especialistas
esse é mais um sintoma de uma sociedade refém de mudanças aceleradas –
tanto em valores como em comportamentos – que tornam as pessoas
dependentes de atividades sociais de todos os tipos e durante todo o
tempo. A interferência de diferentes meios de comunicação – facebook,
MSN, Orkut – nas escolhas diárias de milhões de homens e mulheres tem
sido apontada como causa do surgimento de angústias e ansiedades, pois
todos querem estar em vários lugares ao mesmo tempo. São festas,
baladas, shows que não podem ser perdidos sob risco da pessoa se sentir
excluída ou desprestigiada.
Enfim, é mais uma síndrome
afetando pessoas de todas as idades e, portanto, mais uma fonte de
estresse para aqueles que não conseguem se conter quando o assunto são
as redes sociais. O interessante é que essa “doença” não afeta apenas os
adolescentes – os maiores usuários dessas novas tecnologias. Segundo
dados levantados pela empresa de publicidade e marketing JWT, divulgados
em maio passado, existe um número crescente de adultos sofrendo de
“fomo”. Esses adultos, geralmente, têm um perfil altamente competitivo e
ambicioso e costumam ocupar cargos de grande visibilidade nas empresas
em que trabalham. No afã de se mostrarem competentes e produtivos
insistem em participar de todas as atividades que, segundo eles, são
necessárias para manter os seus empregos.
Ao ler sobre o “fomo” me sinto
obrigada a concordar com as palavras de nossos avôs quando,
nostalgicamente, afirmavam que no seu tempo tudo era mais simples, menos
problemático e, consequentemente, menos estressante. Parece que quanto
mais facilidades nos são oferecidas maiores se tornam as nossas
preocupações e angústias. Quando as comunicações eram feitas por meio de
cartas as pessoas se sujeitavam não só a perder um tempo em escrevê-las,
mas também a aguardar pelas respostas que poderiam demorar meses para
serem recebidas.
Agora tudo deve ser resolvido de
forma praticamente instantânea. Ninguém quer esperar, ninguém quer ficar
para trás. Tudo, de uma hora para outra, assumiu uma dimensão que vai
além do sensato ou do racional. Estamos constantemente recebendo
convites para os mais variados eventos, a maioria deles sem a menor
importância ou significado. No entanto, o não ir ou o ser obrigado a
escolher, torna algo que poderia ser extremamente prazeroso em um
sofrimento sem sentido. O medo de “perder algo” tem virado, segundo os
especialistas, uma verdadeira compulsão, como se ao escolher entre a
festa A e B estivéssemos decidindo o nosso destino.
De qualquer maneira, o que está
acontecendo em nossa sociedade, já ocorreu em outros tempos e de outras
maneiras. A troca do cavalo pelo automóvel e mais tarde o surgimento do
avião também exigiu que as pessoas se adaptassem a esses novos ritmos e
velocidades. O advento da internet e de seus diferentes recursos
nada mais é que uma nova transformação pela qual a humanidade está sendo
obrigada a passar. E tudo o que é novo, em geral, resulta em algum tipo
de estresse e ansiedade.
A questão, portanto, é
tentarmos, na medida do possível, administrar essas novas demandas, não
permitindo que elas nos controlem e ditem em demasia o nosso
comportamento. É preciso saber encontrar caminhos que não nos tornem
reféns de mecanismos que estão aí para facilitar as nossas vidas. É
preciso impedir que eles nos escravizem. A escolha de uma festa deve ser
pautada sempre pelo nível de prazer e relaxamento que ela poderá nos
proporcionar. Ir apenas para nos mostrarmos presentes ou porque temos
medo de perder “algo legal” é o caminho mais curto para a frustração e o
arrependimento.
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