|
O cérebro é como um músculo. Quando
pensamos bem nos sentimos bem.
Carl Sagan
O cérebro é um dos órgãos do corpo humano
sobre o qual ainda pouco se sabe. É claro que a maioria de seus
diferentes componentes e subdivisões já foram mapeados e nomeados: no
entanto, ainda existem muitas dúvidas sobre suas funções e capacidades.
Por esse motivo são sempre festejadas as pesquisas que têm como meta
desvendar os mistérios desse órgão, que é considerado por muitos a sede
da inteligência humana.
Recentemente, foi divulgado na revista
Nature um estudo que identificou as regiões do cérebro relacionadas
com a alfabetização e, consequentemente, com a leitura. A pesquisa
analisou apenas adultos, pois na infância o aprendizado da leitura
concorre com a aquisição de outras habilidades, como, por exemplo, jogar
futebol.
Os resultados deixaram claro que os
alfabetizados tinham um aumento da densidade da substância cinzenta em
várias áreas do lado esquerdo do cérebro, local responsável pelo
reconhecimento das letras e sua tradução em sons significativos. Segundo
os pesquisadores, esse estudo questiona a crença que as deficiências de
aprendizagem – dislexia, por exemplo – seriam causadas pela atrofia de
alguma região do cérebro. Na verdade, a pesquisa indica que a atrofia
seria causada pela falta de instrução.
Quando soube dessa pesquisa fiquei
particularmente satisfeita, pois há muito tempo sou uma defensora feroz
da leitura como uma forma de libertação e crescimento pessoal. Agora, ao
descobrir que ela também ajuda a melhorar as condições de vida de
pessoas com dificuldades de aprendizagem, tive minhas convicções
reforçadas.
Ler amplia horizontes, possibilitando à
mente viajar por lugares e tempos desconhecidos. Ler permite que sejamos
mais críticos e, portanto, menos suscetíveis a influências perniciosas.
Ler nada mais é que a academia que o nosso cérebro necessita para se
tornar mais ágil e dinâmico.
E já que estou usando a analogia com uma
academia de ginástica, lembre-se que nesses locais existem aparelhos
para todos os gostos e necessidades. Vamos encontrar desde aquele que,
aparentemente, pouco nos exige até o que nos extrai a última gota de
suor. Contudo, todos têm um objetivo. Todos são importantes, pois de
alguma maneira irão contribuir para moldar o nosso corpo, dando-nos
força, flexibilidade e destreza.
Do mesmo modo a leitura em relação ao
cérebro. Aqui também vamos encontrar textos para todos os gostos e
necessidades. Iremos nos deparar com obras que, aparentemente, pouco nos
exigem; enquanto outras, com certeza, vão precisar de horas de estudo e
grande capacidade de concentração. No entanto, como no caso dos
aparelhos de ginástica, toda e qualquer leitura é importante. Cada
livro, revista ou jornal irá, de alguma maneira, nos ensinar algo,
permitindo-nos compreender melhor o mundo a nossa volta. Até mesmo para
aqueles que têm extrema dificuldade na leitura e interpretação é
imprescindível que se crie o hábito de ler, pois, como foi comprovado,
esse exercício, ao aumentar a densidade da substância cinzenta, poderá
reverter o processo de atrofia mesmo em cérebros adultos.
Portanto, se antes não tinha preconceitos,
agora com esse estudo – desenvolvido por pesquisadores espanhóis,
colombianos e ingleses – só tive, como já mencionei, minha ideia
reforçada de que o importante – o essencial – é ler. Pense sobre isso e
leve, sem tardar, seu cérebro à “academia” mais próxima. Como dizia o
poeta e ensaísta inglês Joseph Addison (1672-1719): “A leitura é para o
intelecto o que o exercício é para o corpo”. |