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Quanto maior o homem,
tanto maior também o seu potencial de maldade.
Textos Judaicos
Outro dia li no jornal uma matéria sobre o
que anda acontecendo na internet. Preciso confessar: fiquei pasma.
Segundo o texto, existem pessoas que se dedicam a disseminar, sem
qualquer controle ou punição, por sites e blogs, a maldade
explicita.
Sei que a essa hora você deve estar
pensando: “Meu Deus! Por onde essa mulher tem andado? Afinal, desde que
a internet é a internet esse tipo de coisa sempre aconteceu”. Na
verdade, o que me chamou a atenção foi o fato de esse fenômeno agora ter
um nome e estar sendo objeto de estudo de alguns pesquisadores.
Portanto, se você, assim como eu, ainda não sabia, a maldade na internet
tornou-se tema de pesquisa nas universidades.
Chamam-se trolls pessoas que
resolvem extravasar, nos fóruns e listas de discussões espalhados pela
internet, seus piores e mais negros demônios interiores. E não estou
falando daquela catarse construtiva feita, por exemplo, em conjunto num
site de relacionamento, no qual um grupo de pessoas expõe seus
problemas, buscando, nessas conversas virtuais, apoio e, até mesmo,
soluções para as suas dificuldades. Estou falando dos que usam o
anonimato da internet para ofender e agredir por pura diversão.
Os poucos estudos que existem sobre o
assunto indicam que os trolls são formados, na sua grande
maioria, por jovens, ou melhor, adolescentes. Muitos deles entram nos
sites apenas para provocar discussões sem sentido demonstrando total
desconhecimento dos temas que ali são tratados. Entram, como eles mesmos
dizem, “para detonar”.
Se as pesquisas realmente confirmarem que
a maioria dos trolls são jovens, sobre os quais nenhum tipo de
controle é exercido, num futuro muito próximo teremos um grave problema
em nossas mãos. Vamos ser obrigados a lidar com uma sociedade
constituída de adultos que cresceram acreditando que o mundo virtual não
é real e, portanto, fazendo dele seu circo dos horrores particular.
De qualquer maneira, é importante entender
que qualquer pessoa pode se tornar um troll. Qualquer um,
incluindo você ou eu. Basta para isso que nos deixemos levar por
preconceitos que, em condições normais, procuraríamos esconder dos
outros e até de nós mesmos. E é justamente nesse aspecto que precisamos
ter mais cuidado. Como a internet dá uma falsa ilusão de anonimato,
muitas pessoas acreditam que podem dar vazão a todo tipo de crueldade
verbal, usando até de imoralidade (palavrões e xingamentos), para
atingir os seus objetivos.
Infelizmente, os estudiosos desse fenômeno
não veem uma solução efetiva para o problema. Na verdade, a única
solução possível, no momento, seria uma espécie de censura branca. Em
outras palavras, moderar intervenções e comentários dos leitores ou, até
mesmo, excluí-las. O objetivo seria dar tempo para que o internauta com
tendências a troll possa amadurecer, rejeitando esse tipo de
comportamento destrutivo.
Portanto, quando no início do texto me
mostrei surpresa com mais esse comportamento bizarro do ser humano,
tinha os meus motivos. Saber que tantos jovens compactuam com esse tipo
de atitude, valendo-se desse pseudo anonimato da internet, chocou-me
profundamente. Fico pensando em quais modelos eles têm se pautado para
agir dessa maneira. O que os faz entrar em um blog, onde uma discussão
séria está sendo feita, para simplesmente expor sua ignorância a partir
de comentários vazios e agressivos? O que eles esperam ganhar com isso?
Trata-se apenas da maldade pela maldade?
Enfim, perguntas não faltam. O fato é que
os pesquisadores da chamada Cibercultura têm muito trabalho pela frente
se querem encontrar uma forma de combater esse tipo de internauta. É
como diz uma das pesquisadoras entrevistadas pelo jornal, a psicóloga
Cleci Maraschin da UFRGS, “Quem é agressivo e não experimenta essa
agressividade lá fora pode fazê-lo no mundo virtual. Quem não vivencia
certas emoções no mundo real se sente incentivado a vivenciá-las de
outro jeito”. Fica, então, uma pergunta final: será que estamos
testemunhando o surgimento de um novo tipo de psicopatia? Sinceramente,
espero que não.
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