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Meia verdade é sempre uma
mentira inteira
Provérbio Chinês
Está comprovado, mentir pode provocar
sérios danos à saúde. Algo para o qual nossos pais já nos alertavam
quando éramos crianças, tornou-se matéria de estudo cientifico. O
mentiroso compulsivo pode provocar sua própria doença.
Porque, então, insistimos em continuar
mentindo? Porque falar a verdade, muitas vezes, nos custa tanto?
A explicação da ciência é a seguinte: as
mentiras estão associadas à vergonha de admitir fraquezas ou a uma busca
por atenção. Em outras palavras, o mentiroso prefere criar histórias
sobre si mesmo a ter de encarar a dura realidade de suas limitações.
Assim, prefere dizer que festas são chatas a correr o risco de ser
excluído. Ou, ainda, inventa que está doente para impedir que outros
possam aproveitar esse momento de descontração.
Doentio? Sim. Atualmente o mentiroso
compulsivo está sendo considerado um doente mental, passível de
tratamento. Inclusive, segundo a psicanalista Nina Furtado, mentiras,
mesmo inofensivas, podem ter efeitos colaterais graves em um
consultório, pois induzem erros de diagnóstico.
No entanto, será que existe alguém que
nunca tenha mentido alguma vez em sua vida? Duvido. Segundo essa mesma
psicanalista, uma pessoa, em média, pode mentir até 200 vezes por dia.
Não é incrível?! Faça, só como exercício, uma lista das mentiras que
você já aplicou em um único dia da sua vida. Será que elas se
aproximarão desse número?
De qualquer maneira, se a mentira faz
parte de nossas vidas desde sempre, o importante é tentarmos entender em
que medida estamos fazendo uso dela. Uma coisa é mentir porque se está
com vergonha, outra bem diferente é mentir por compulsão. A primeira
pode ser superada encarando-se de frente aquilo que nos envergonha; a
segunda é um caso médico que exige tratamento.
Do mesmo modo, é preciso diferenciar
aquele que tem mania de mentir porque quer se autoafirmar e daquele que
mente para proteger alguém. Esse segundo tipo de mentira, minha avó
costumava chamar de “mentira piedosa”. Segundo ela, o objetivo não era
fazer o mal, mas evitá-lo. No entanto, aqui também é preciso ter muito
cuidado, pois a linha que divide os dois tipos – a mentira boa da ruim –
é muito tênue.
Como explicar, por exemplo, para uma
criança essas diferenças sem que ela se sinta confusa ou enganada?
Lembro, quando era pequena, dos adultos
ficando furiosos quando flagravam qualquer criança em uma mentira. As
atitudes iam desde a simples ameaça até ao castigo físico. Contudo,
recordo também da mágoa quando descobria que aquilo que em mim era
castigado, num adulto era escondido. Como ensinar que mentir é feio,
passível de punição, quando a criança observa esse tipo de atitude nos
adultos que ela deve respeitar?
Lidar com essa linha fina entre o que é
bom e ruim é uma das tarefas mais difíceis no processo de educar. Ela
será a diferença entre formar um adulto que irá mentir pelo prazer de
mentir e aquele que só fará uso desse recurso em situações realmente
necessárias.
Portanto, se você fez o exercício sugerido
de listar quantas mentiras você contou hoje e já chegou a marca das 200,
acredito que seria bom parar para refletir. Pergunte-se: “porque estou
mentindo? Minto para mim mesmo, por que tenho medo de reconhecer minhas
próprias limitações? Minto para obter algum tipo de vantagem? Minto para
me autoafirmar, acreditando que assim os outros vão me ver de forma
diferente? Ou, minto para proteger alguém?” Se você conseguir responder
a essas perguntas com absoluta honestidade – sem mentir – com certeza
estará dando um passo importante em sua vida. Estará descobrindo em qual
categoria de mentiroso você se insere. A partir daí, você decide se quer
ou não continuar mentindo. Afinal, como disse no inicio desse texto,
está comprovado: mentir faz mal a saúde.
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