|
Somos o que fazemos,
mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos.
Eduardo Galeano
Mudar é difícil. Aceitar a necessidade da
mudança é ainda mais complicado. É sempre menos perturbador permanecer
na mesma rotina de todos os dias, sabendo exatamente como agir ou quais
decisões tomar. A vida torna-se um lugar seguro, onde tudo pode ser
previsto sem sustos ou sobressaltos.
A vida, no entanto, não está preocupada
com os nossos sonhos de segurança. Ela, na verdade, é uma senhora com
vontade própria que toma as suas decisões sem perguntar se estamos
felizes com elas. Por essa razão, muitas vezes temos dificuldades em
compreender e até mesmo admitir a necessidade de certas transformações.
Quem sabe seja por isso que nos agarramos com unhas e dentes a rotina.
Ela nos dá a ilusão de termos tudo sob o nosso controle.
Todavia, eu sei, e você também sabe, que
muito pouca coisa está realmente sob o nosso controle. Família, amigos,
amores, trabalho, enfim tudo constitui uma grande e complexa teia na
qual a mudança está inevitavelmente inserida.
Mudar de família não é possível, alguns
dirão. É verdade, parentes não se escolhem. Trocar de emprego em dias de
crise econômica – principalmente se isso significa largar um trabalho
bem remunerado – é inadmissível. Afinal, como ouvi uma vez, “quem não
tem dinheiro não se pode dar ao luxo de enlouquecer”.
Entretanto, existem pessoas que conseguem
não só mudar de emprego, mas também romper com uma rotina familiar
desgastante, simplesmente porque param de se importar com o que os
outros pensam ou falam. Suas decisões deixam de ser orientadas no
sentido de satisfazer o outro e passam a ser definidas a partir do que é
melhor para elas. Parece egoísmo, eu sei, mas se pensarmos no quanto a
infelicidade e a tristeza podem nos deprimir, deixaremos a culpa de lado
e trataremos de encontrar caminhos que nos tragam mais satisfação.
Mudar é sinônimo de movimento. E sendo
movimento, na maioria das vezes, não ocorre instantaneamente. É um
processo que nos obriga a olhar com mais calma e atenção para o que está
além de nós.
Mudar desacomoda, desestabiliza. E essa
nem sempre é uma sensação agradável. Pelo contrário. Ela pode ser até
muito sofrida. Daí a rotina, os modelos que nos autoimpomos, as
cordas com as quais nos amarramos, tudo com um único fim: evitar as
mudanças realmente perigosas. Entretanto, como já mencionei, é da vida
mudar e não há meios de se opor a que isso aconteça.
O primeiro passo para não se ter medo das
mudanças quem sabe seja esquecer que a vida é feita de absolutos. São
eles os responsáveis por nos impedir de olhar com esperança e otimismo
as transformações que ocorrem à nossa volta. Para evitar a dor provocada
pelo medo, é preciso perceber as possibilidades no lugar das certezas.
Convicções firmes demais são ilusões de verdades criadas com o único fim
de sentirmos uma pseudossegurança.
Portanto, talvez tenhamos de nos
questionar sobre o que queremos da vida. Desejamos continuar como
simples espectadores ou preferimos assumir o papel do personagem
principal? Pense sobre isso e não tenha medo de encarar as mudanças de
frente, elas existem justamente para nos fazer seguir adiante sem
arrependimentos ou culpas. Afinal, como diz um antigo provérbio chinês:
“Se você não pode mudar a direção, terminará exatamente onde partiu”. |