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Quem não precisou de um ombro amigo pelo
menos uma vez na vida que atire a primeira pedra. Com certeza, esse não
é o meu caso. Ao contrário. Reconheço que só consegui superar muitos
momentos complicados porque contei com o apoio e o carinho de pessoas
amigas. Sem elas ainda estaria perdida em verdadeiros “buracos negros”
criados, na maioria das vezes, por mim mesma.
Portanto, quem diz que se vira bem sozinho
ou que não precisa de ninguém está mentindo. Pior. Está se enganando.
Como dizia o poeta inglês John Donne, “Ninguém é uma ilha em si mesmo.
Cada um é uma porção do continente, uma parte do oceano”. Contudo, é
importante não confundir precisar com depender, pois nesse caso também
estaremos mentindo e nos enganando.
Existem pessoas que há muito tempo
esqueceram a sensação de caminhar com as próprias pernas. Elas não
conseguem tomar decisões, dependem dos outros para praticamente tudo e,
se formos analisá-los, descobriremos que são indivíduos com uma
autoestima baixa e, portanto, emocionalmente fragilizados. Ter algo ou
alguém – drogas, álcool e até um marido – que lhes tire o poder de
decisão representa um alívio e um conforto.
O dependente emocional sempre se vê como
uma pessoa incapaz e indigna de confiança. Sente-se permanentemente
constrangido, pronto a abrir mão de quaisquer sonhos ou aspirações
próprias. Além disso, é fácil de manipular, pois pauta a sua vida apenas
em função do que os outros pensam e querem.
Assim, precisar e depender são dois verbos
diferentes não só na conjugação, mas, principalmente, no seu
significado. Você pode precisar da pessoa amada, porém, isso não
significa que deva depender dela. O amor não deve ser compreendido como
uma forma de sujeição. Quem ama, respeita a individualidade e estimula a
independência da pessoa amada. Do mesmo modo os amigos. Eles são uma
parte importante na vida de qualquer pessoa normal e devemos nos
esforçar em conservá-los. No entanto, se eles estão longe ou ocupados
demais para nos dar atenção, isso não deve ser motivo para sustos ou
angustias infundadas.
Contudo, desvencilhar-se das chamadas
“muletas psicológicas” não é tarefa fácil e muito menos rápida. É
necessário vencer o medo, recuperar a autoestima e saber-se capaz de
superar obstáculos aparentemente intransponíveis. Essas são atitudes que
levam tempo para serem cultivadas, principalmente se a pessoa
acostumou-se a transferir para os outros as decisões que caberiam a ela
tomar. No entanto, querendo ou não, a busca pela autonomia e a
autodeterminação são fundamentais para quem deseja sentir-se bem e dono
do seu próprio destino. É como diz Hermann Hesse, em seu livro Demian,
“Sempre é bom termos consciência que dentro de nós há alguém que sabe
tudo.” E é esse alguém que devemos estar sempre prontos a ouvir e
seguir.
De minha parte, posso dizer que amo meus
amigos e familiares, mas não dependo deles para seguir em frente com a
minha vida. Ouço seus conselhos, respeito suas opiniões, mas no final, é
sempre minha a última palavra. Afinal, como iremos aprender se não nos
arriscarmos? O risco faz parte da vida; no entanto, só o
experimentaremos se acreditarmos que somos capazes de acertar mesmo
quando insistimos em fazer as escolhas erradas. |