spacer

 

ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 01 de abril de 2011 20:12:37                                               
Ambientais Agenda Colunistas Reportagens Terceiro Setor blog Normas Crônicas Poesias e Contos Turismo Terceira Idade Educação
 
  Principal
 Cultura
 Crônicas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
 
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 Institucional
 
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 
   Blogs
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Econotas
 Humor
 Memória Sindical
 Mirim
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Esportes
 Agenda
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRôNICAS

Muletas psicológicas

 

Margarete Hülsendeger

publicado em 01/04/2011

Quem não precisou de um ombro amigo pelo menos uma vez na vida que atire a primeira pedra. Com certeza, esse não é o meu caso. Ao contrário. Reconheço que só consegui superar muitos momentos complicados porque contei com o apoio e o carinho de pessoas amigas. Sem elas ainda estaria perdida em verdadeiros “buracos negros” criados, na maioria das vezes, por mim mesma.

Portanto, quem diz que se vira bem sozinho ou que não precisa de ninguém está mentindo. Pior. Está se enganando. Como dizia o poeta inglês John Donne, “Ninguém é uma ilha em si mesmo. Cada um é uma porção do continente, uma parte do oceano”. Contudo, é importante não confundir precisar com depender, pois nesse caso também estaremos mentindo e nos enganando.

Existem pessoas que há muito tempo esqueceram a sensação de caminhar com as próprias pernas. Elas não conseguem tomar decisões, dependem dos outros para praticamente tudo e, se formos analisá-los, descobriremos que são indivíduos com uma autoestima baixa e, portanto, emocionalmente fragilizados. Ter algo ou alguém – drogas, álcool e até um marido – que lhes tire o poder de decisão representa um alívio e um conforto.

O dependente emocional sempre se vê como uma pessoa incapaz e indigna de confiança. Sente-se permanentemente constrangido, pronto a abrir mão de quaisquer sonhos ou aspirações próprias. Além disso, é fácil de manipular, pois pauta a sua vida apenas em função do que os outros pensam e querem.

Assim, precisar e depender são dois verbos diferentes não só na conjugação, mas, principalmente, no seu significado. Você pode precisar da pessoa amada, porém, isso não significa que deva depender dela. O amor não deve ser compreendido como uma forma de sujeição. Quem ama, respeita a individualidade e estimula a independência da pessoa amada. Do mesmo modo os amigos. Eles são uma parte importante na vida de qualquer pessoa normal e devemos nos esforçar em conservá-los. No entanto, se eles estão longe ou ocupados demais para nos dar atenção, isso não deve ser motivo para sustos ou angustias infundadas.

Contudo, desvencilhar-se das chamadas “muletas psicológicas” não é tarefa fácil e muito menos rápida. É necessário vencer o medo, recuperar a autoestima e saber-se capaz de superar obstáculos aparentemente intransponíveis. Essas são atitudes que levam tempo para serem cultivadas, principalmente se a pessoa acostumou-se a transferir para os outros as decisões que caberiam a ela tomar. No entanto, querendo ou não, a busca pela autonomia e a autodeterminação são fundamentais para quem deseja sentir-se bem e dono do seu próprio destino. É como diz Hermann Hesse, em seu livro Demian, “Sempre é bom termos consciência que dentro de nós há alguém que sabe tudo.” E é esse alguém que devemos estar sempre prontos a ouvir e seguir.

De minha parte, posso dizer que amo meus amigos e familiares, mas não dependo deles para seguir em frente com a minha vida. Ouço seus conselhos, respeito suas opiniões, mas no final, é sempre minha a última palavra. Afinal, como iremos aprender se não nos arriscarmos? O risco faz parte da vida; no entanto, só o experimentaremos se acreditarmos que somos capazes de acertar mesmo quando insistimos em fazer as escolhas erradas.

 

 

Pesquisa personalizada
 
  

spacer
::sobre o autor::

 Margarete Hülsendeger é professora de Física em escolas particulares de Porto Alegre/RS e Mestre em Educação em Ciências e Matemática/PUCRS.

::contato com o autor::

Fale com o autor clicando aqui.

 
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 

::outras crônicas:

O exercício da tolerância
Margarete Hülsendeger
publicado em 01/08/2010

Palavras ao vento
Margarete Hülsendeger
publicado em 02/07/2010

Inteligência e Mau Humor
Margarete Hülsendeger
publicado em 02/06/2010

Livre Arbítrio
Margarete Hülsendeger
publicado em 03/05/2010

Relacionamentos
Margarete Hülsendeger
publicado em 31/03/2010

Sexo, amor e internet
Margarete Hülsendeger
publicado em 01/03/2010

Quando é difícil de entender
Margarete Hülsendeger
publicado em 04/02/2010

Mentir faz mal à saúde
Margarete Hülsendeger
publicado em 03/01/2010

Maldade na Internet
Margarete Hülsendeger
publicado em 02/12/2009

"Escrever é uma chatice"
Margarete Hülsendeger
publicado em 04/11/2009

Experimentando Saramago
Margarete Husendeger
publicado em 02/09/2009

Mudanças
Margarete Husendeger
publicado em 01/08/2009

Pais em férias
Margarete Husendeger
publicado em 03/07/2009

Anjos e demônios
Margarete Husendeger
publicado em 01/06/2009

O importante é ler!
Margarete Husendeger
publicado em 01/05/2009

Abrazos gratis
Margarete Husendeger
publicado em 02/04/2009

A difícil arte de envelhecer
Margarete Husendeger

publicado em 02/03/2009

Um veneno amargo
Margarete Husendeger
publicado em 02/02/2009

Notícias que correm pelo mundo
Margarete Hülsendeger
publicado em 01/11/2008

Uma questão chamada escolha
Margarete Hülsendeger
publicado em 01/10/2008

Normas para publicar artigosRevista Virtual Partes

::apoiadores::






© copyright Revista P@rtes 2000-2011
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil
spacer