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Notícias que correm pelo mundo |
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Margarete Hülsendeger |
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publicado em
01/11/2008 |
A
rapidez
com
a
qual
uma
informação
é
capaz
de se
alastrar
pelo
mundo
continua a
me
surpreender.
Em
tempos
de
internet,
já
devia
estar
acostumada;
afinal,
o
conhecimento
está de
tal
forma
disseminado
que
qualquer
um,
em
quaisquer
circunstâncias,
é
capaz
de acessá-lo
com
a
maior
facilidade.
Por
que,
então,
continuo
me
espantando?
Talvez,
o
que
realmente
me
surpreenda seja a
forma
como
as
pessoas
veiculam e interpretam essas
informações.
Recentemente, uma notícia divulgada em todas as mídias do
planeta causou não só espanto, mas também muito medo. Os meios de
comunicação passaram a divulgar informes sobre um experimento que
estaria prestes a se realizar com o objetivo de reproduzir as condições
da criação do Universo e, assim, revelar a composição da matéria e da
energia. A experiência seria realizada nos arredores de Genebra, na
Suíça, com o mais novo e maior acelerador de partículas do mundo, o
Grande Colisor de Hádrons (LHC). Até aí tudo bem, o experimento
realmente era muitíssimo importante para ciência e precisava se tornar
público. Algum problema? Infelizmente, sim.
Para grande parte da população mundial passou-se a idéia
de que haveria a possibilidade
remotíssima!
de se criar um minúsculo buraco negro que engoliria a Terra inteira.
Foi o que bastou para que as pessoas ficassem simplesmente obcecadas com
a idéia de que “cientistas malucos” estariam, de forma irresponsável,
realizando experimentos que poderiam determinar o final do nosso mundo.
O fato de esse equipamento já estar funcionando há muito tempo, sem
causar dado algum ao planeta, foi solenemente ignorado. E o resultado
foi que, de uma hora para outra, pessoas que nunca haviam se preocupado
com assuntos científicos passaram a se interessar
–
muitos de forma totalmente equivocada
–
por algo que os cientistas já pesquisavam há vários anos.
E o real objetivo do experimento? Bem... esse foi relegado a um segundo
plano.
Entretanto, enquanto a expectativa existiu muito se
debateu sobre a validade de pesquisas desse nível. Todos tinham uma
opinião sobre o assunto. Diversas matérias surgiram nos jornais, na TV,
no rádio e nas revistas. Desde charges bem humoradas, até artigos com
pretensão a científicos (contendo, inclusive, erros bastante
grosseiros). Foi, para muitos, um período de questionamentos. “O que
estaria nos aguardando ao final de todo esse rebuliço?”, era a pergunta
que todos se faziam.
Infelizmente ou será felizmente? as coisas não
ocorreram como o previsto, aliás, como é natural no trabalho científico.
A experiência simplesmente não funcionou. Motivo? No dia 19 de setembro,
o acelerador, acomodado num túnel em forma de anel com 27 quilômetros de
extensão e a cem metros de profundidade, precisou ser desligado, pois
sofreu um superaquecimento. Houve um grande vazamento de hélio líquido,
usado justamente para resfriar a imensa máquina a temperaturas próximas
do 1,9 Kelvin, ou -271°C. A realização dos consertos necessários acabou
por transferir o evento para abril de 2009.
Para o grande público foi como se uma sentença de morte
houvesse sido revogada. A humanidade, com um suspiro de alivio,
acreditou que o fim do mundo havia sido adiado. No entanto, me atrevo a
perguntar: será? Afinal, não podemos esquecer que ainda existem outros
arautos do apocalipse circulando por aí, entre eles, o aquecimento
global e a escassez de alimentos, só para ficarmos nos mais conhecidos.
Logo, é muito provável que, se o planeta vier a ser destruído, não o
será por um hipotético buraco negro, mas pela falta de bom senso – quem
sabe, loucura – da qual padece a humanidade há muito tempo.
Percebe-se, então, que a notícia raramente é veiculada
com algum juízo de valor. Cabe, portanto, àquele que lê interpretá-la e
analisá-la de forma a extrair dela o que realmente é verdadeiro. No
entanto, para que isso possa ocorrer, além de informação, deve-se buscar
também o conhecimento. Lembre-se: notícia sem a devida interpretação e o
necessário discernimento pode se converter em uma faca de dois gumes. Se
de um lado você tem a possibilidade de se tornar participe direto do que
acontece a sua volta; do outro corre o risco de se transformar em uma
simples marionete daqueles que desejam manipulá-lo. Por isso, quando
ouvir falar novamente em final de mundo, pense, reflita e procure não só
se informar, mas também conhecer.
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