spacer

 

ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 01 de novembro de 2008 00:04:58                                               

 
  Principal
 Cultura
 Crônicas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
 
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 Institucional
 
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 
   Blogs
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Econotas
 Humor
 Memória Sindical
 Mirim
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Esportes
 Agenda
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRôNICAS

Notícias que correm pelo mundo

 

Margarete Hülsendeger

publicado em 01/11/2008

A rapidez com a qual uma informação é capaz de se alastrar pelo mundo continua a me surpreender. Em tempos de internet, devia estar acostumada; afinal, o conhecimento está de tal forma disseminado que qualquer um, em quaisquer circunstâncias, é capaz de acessá-lo com a maior facilidade. Por que, então, continuo me espantando? Talvez, o que realmente me surpreenda seja a forma como as pessoas veiculam e interpretam essas informações.

Recentemente, uma notícia divulgada em todas as mídias do planeta causou não só espanto, mas também muito medo. Os meios de comunicação passaram a divulgar informes sobre um experimento que estaria prestes a se realizar com o objetivo de reproduzir as condições da criação do Universo e, assim, revelar a composição da matéria e da energia. A experiência seria realizada nos arredores de Genebra, na Suíça, com o mais novo e maior acelerador de partículas do mundo, o Grande Colisor de Hádrons (LHC). Até aí tudo bem, o experimento realmente era muitíssimo importante para ciência e precisava se tornar público. Algum problema? Infelizmente, sim.

Para grande parte da população mundial passou-se a idéia de que haveria a possibilidade  remotíssima!  de se criar um minúsculo buraco negro que engoliria a Terra inteira. Foi o que bastou para que as pessoas ficassem simplesmente obcecadas com a idéia de que “cientistas malucos” estariam, de forma irresponsável, realizando experimentos que poderiam determinar o final do nosso mundo. O fato de esse equipamento já estar funcionando há muito tempo, sem causar dado algum ao planeta, foi solenemente ignorado. E o resultado foi que, de uma hora para outra, pessoas que nunca haviam se preocupado com assuntos científicos passaram a se interessar muitos de forma totalmente equivocada por algo que os cientistas já pesquisavam há vários anos. E o real objetivo do experimento? Bem... esse foi relegado a um segundo plano.

Entretanto, enquanto a expectativa existiu muito se debateu sobre a validade de pesquisas desse nível. Todos tinham uma opinião sobre o assunto. Diversas matérias surgiram nos jornais, na TV, no rádio e nas revistas. Desde charges bem humoradas, até artigos com pretensão a científicos (contendo, inclusive, erros bastante grosseiros). Foi, para muitos, um período de questionamentos. “O que estaria nos aguardando ao final de todo esse rebuliço?”, era a pergunta que todos se faziam.

Infelizmente  ou será felizmente?  as coisas não ocorreram como o previsto, aliás, como é natural no trabalho científico. A experiência simplesmente não funcionou. Motivo? No dia 19 de setembro, o acelerador, acomodado num túnel em forma de anel com 27 quilômetros de extensão e a cem metros de profundidade, precisou ser desligado, pois sofreu um superaquecimento. Houve um grande vazamento de hélio líquido, usado justamente para resfriar a imensa máquina a temperaturas próximas do 1,9 Kelvin, ou -271°C. A realização dos consertos necessários acabou por transferir o evento para abril de 2009.

Para o grande público foi como se uma sentença de morte houvesse sido revogada. A humanidade, com um suspiro de alivio, acreditou que o fim do mundo havia sido adiado. No entanto, me atrevo a perguntar: será? Afinal, não podemos esquecer que ainda existem outros arautos do apocalipse circulando por aí, entre eles, o aquecimento global e a escassez de alimentos, só para ficarmos nos mais conhecidos. Logo, é muito provável que, se o planeta vier a ser destruído, não o será por um hipotético buraco negro, mas pela falta de bom senso – quem sabe, loucura – da qual padece a humanidade há muito tempo.

Percebe-se, então, que a notícia raramente é veiculada com algum juízo de valor. Cabe, portanto, àquele que lê interpretá-la e analisá-la de forma a extrair dela o que realmente é verdadeiro. No entanto, para que isso possa ocorrer, além de informação, deve-se buscar também o conhecimento. Lembre-se: notícia sem a devida interpretação e o necessário discernimento pode se converter em uma faca de dois gumes. Se de um lado você tem a possibilidade de se tornar participe direto do que acontece a sua volta; do outro corre o risco de se transformar em uma simples marionete daqueles que desejam manipulá-lo. Por isso, quando ouvir falar novamente em final de mundo, pense, reflita e procure não só se informar, mas também conhecer.

 

 

Pesquisa personalizada
 
  

spacer
::sobre o autor::

 Margarete Hülsendeger é professora de Física em escolas particulares de Porto Alegre/RS e Mestre em Educação em Ciências e Matemática/PUCRS.

::contato com o autor::

Fale com o autor clicando aqui.

 
::uma foto::


 
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 
 

::outras crônicas:

A imagem no espelho
Margarete Hülsendeger

publicado em 02/06/2008

A imagem no espelho
Margarete Hülsendeger

publicado em 02/06/2008

Um novo começo
Margarete Hülsendeger

publicado em 05/01/2008 

Sem arrependimentos
Margarete Hülsendeger
publicado em 04/12/2007

Orgulho ou soberba: existe alguma diferença?
Margarete Hülsendeger
publicado em 15/11/2007

Inveja
Por Margarete Hülsendeger
publicado em 11/09/2007
 

Alguém
Margarete Hülsendeger
publicado em 07/10/2007

Raiva
Por
Margarete Hülsendeger
publicado em 28/08/2007

Ansiedade
Por
Margarete Hülsendeger
publicado em 08/07/2007

 

Normas para publicar artigosRevista Virtual Partes

::apoiadores::






© copyright Revista P@rtes 2000-2008
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil
spacer