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As palavras têm a leveza do vento e a
força da tempestade.
Victor Hugo
Sempre ouvi dizer que as palavras tinham
força. No entanto, durante muito tempo, sempre associei essa ideia a
situações positivas. Foi o poder das palavras que levou o homem a
questionar sistemas econômicos e políticos que defendiam a exploração do
mais fraco pelo mais forte. Foi o poder das palavras que deu a Gandhi o
Prêmio Nobel da Paz, pois falando para todos – independentemente de
credo ou raça – ele defendeu a ideia de que, sim, a paz entre os povos
era possível. A palavra escrita e falada sempre foi a força que
impulsionou a maioria das mudanças significativas da humanidade.
Entretanto, você já percebeu como, nos
dias de hoje, anda difícil a comunicação entre as pessoas? Qualquer
palavra, por menos importante que seja, rapidinho passa a ser de domínio
público. Não existe mais privacidade. Não é dado mais tempo para que as
pessoas se expliquem e procurem um acordo. Todos se acham no direito de
julgar e condenar sem nem ao menos conhecer os dois lados de uma
questão. Sim, porque, não há dúvidas, todo o problema tem dois lados: o
seu e o do outro.
Por essa razão, as mesmas palavras que
podem trazer a paz, também podem provocar conflitos de toda a ordem.
Enfrentamentos que vão desde uma opinião mal interpretada até, quem
sabe, um ataque nuclear. Parece exagero, mas pense bem: quantas guerras
foram declaradas só porque a diplomacia – arte de negociar pela palavra
– falhou? Em quantas confusões você já se meteu porque suas palavras
foram mal interpretadas? Ou ainda, em quantas confusões você colocou os
outros só porque ao ouvir também não soube interpretar o que foi dito
corretamente?
A palavra (escrita ou falada), depois que
é solta no mundo, não nos pertence mais. Ela, a partir desse momento,
fará parte do universo, engrossando todos os erros e acertos que andam
se acumulando por aí. E como é difícil saber controlar o que se diz e o
que se escreve. Tudo é interpretado ao pé da letra sem levar em
consideração o contexto no qual as palavras foram ditas ou escritas. Sei
que uma das funções da justiça é a de mediar esses mal entendidos;
contudo, enquanto os juízes decidem o certo ou o errado, o justo ou o
injusto, o que foi dito fica pairando no ar, ameaçando a integridade
moral e emocional das pessoas. Vidas foram destruídas por causa dessa
inabilidade humana de não saber esperar por uma explicação mais
completa.
Há uma frase atribuída a Oscar Wilde que
vale a pena compartilhar: “Se soubéssemos quantas e quantas vezes as
nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste
mundo”. Não há como discutir com essa ideia. E aqui não se trata de
defender o silêncio passivo, mas, sim, o silêncio reflexivo. Quando ele
é bem empregado, temos tempo para pesar os prós e contras antes de
sairmos emitindo opiniões (ou sentenças acusatórias) que só farão a bola
de neve do desentendimento crescer ainda mais. Devemos fazer do nosso
silêncio um exercício de autocontrole, com o objetivo de nos poupar
aborrecimentos num futuro que, infelizmente, na maioria das vezes, não
está tão distante assim. |