Parece brincadeira, mas não
é. Ela tem nome e já chegou ao Brasil. Estou falando da Pheromone
Bracelet Erotic Stimulant Attractant, uma pulseira feita de
silicone com “feromônios 100% infundidos”. Segundo os fabricantes, o
seu uso ativaria uma
reação das glândulas que produzem o suor, o que permitiria a
liberação do feromônio, substância química responsável pelo
"atrativo sexual natural".
A ideia do produto é que o
seu uso estimularia o desejo sexual entre os seres humanos. Em
outras palavras, a falta de “tesão”, um problema sério entre muitos
casais, estaria resolvido. Bastaria colocar a pulseira no pulso da
amada e/ou do amado para que a vontade de fazer sexo acontecesse
espontânea e rapidamente. Maravilha! Como é que ninguém tinha
pensado nisso antes, é o que eu me pergunto.
E a ciência, o que diz a
respeito disso? Até o momento – para infelicidade dos fabricantes –
não há nenhuma comprovação científica da eficácia desse tipo
de produto. Então, como ficamos? Valerá a pena investir em
semelhante artefato ou, quem sabe, devêssemos continuar investindo
nas velhas técnicas de sedução?
Para aqueles que buscam
soluções rápidas e milagrosas a pulseira é, com certeza, o caminho.
No entanto, para os que, como eu, creem que as relações humanas são
construídas com tempo e com muito investimento pessoal, essa
pulseira é uma tremenda enganação.
Felizmente – ou
infelizmente, dependendo do ponto de vista –, eu ainda sou daquelas
que acredita que o desejo sexual tem a ver com uma química que não
se obtém usando pulseiras, anéis, colares ou sei lá mais o quê que
possam querer inventar. É uma questão que tem mais a ver com um
jeito diferente de olhar, de tocar, de falar; em resumo, de sentir o
outro de uma maneira especial e única. Muitas vezes, essa química
ocorre naturalmente, quase sem esforço, sobretudo quando se está no
início de um relacionamento, momento no qual a “tesão” é uma
constante. A dificuldade, no entanto, está em manter essas “reações
químicas” ativas quando a relação se prolonga por meses ou anos.
Apaixonar-se até que é uma
tarefa fácil, mas manter-se e manter o outro apaixonado, essa sim é
uma missão difícil. Para que ela tenha a mínima chance de êxito é
preciso que os dois tenham a disposição necessária para construir um
relacionamento no qual a rotina não tome conte dele e,
consequentemente, dite as regras do jogo. Qualquer relação que
queira durar deve ter em vista não só o sexo, mas também o respeito
pela individualidade e o desejo de fazer o outro feliz.
O problema é que,
atualmente, as pessoas parecem não querer desperdiçar muita energia
na manutenção de um relacionamento. Tudo se resume no aqui e agora,
e quanto mais rápido uma situação evoluir, melhor. Daí a opção por
métodos alternativos e fora do comum. As pessoas têm pressa e é essa
pressa o fator determinante das suas ações e dos seus desejos.
De qualquer maneira, talvez
o objetivo de quem venha a comprar essa pulseira não seja o amor ou
um relacionamento duradouro. Particularmente, eu não vejo problema
algum nessa opção de vida, cada um sabe do que precisa para
encontrar a felicidade. No entanto, é importante entender que nem
mesmo em uma relação fortuita teremos sucesso sem um mínimo de
investimento. Uma pulseira pode até dar o impulso inicial, mas
depois cada um terá que seguir em frente utilizando seus próprios
recursos. Aí só mesmo a criatividade para manter o “fogo da paixão”
acesso.
De minha parte, só posso
reiterar minha total descrença nesse tipo de produto. Além disso,
preciso me confessar uma romântica. Acredito que o amor sempre dá os
meios para seduzir a pessoa amada. Acredito que o sexo é apenas uma
consequência natural de estarmos ligados a alguém. Enfim, prefiro
pensar em termos de “fazer amor”, pois como disse Mario Quintana,
quando estamos fazendo amor, estamos dando corda ao relógio do
mundo.