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Seja qual for o
relacionamento que você atraiu para dentro de sua vida, numa determinada
época, ele foi aquilo de que você precisava naquele momento.
Deepak Chopra
Escrever sobre o tema “relacionamentos”
não é nada original. As livrarias estão abarrotadas de livros tratando
desse assunto. Neles encontraremos receitas de todos os tipos e para
todos os gostos, que vão desde como realizar novas conquistas até como
abolir quaisquer dificuldades que possam aparecer no caminho.
O estranho é que, apesar de toda essa
ajuda – ou seria melhor dizer assessoria? –, as pessoas continuam tendo
problemas para estabelecer relações gratificantes e qualificadas. Por
que será?
Como dizia Mário Quintana: “A arte de
viver é simplesmente a arte de conviver... simplesmente, disse eu? Mas
como é difícil”. Portanto, não é de se estranhar que o assunto
relacionamento continue sendo motivo de preocupação para tanta gente.
Afinal, trata-se de um tema delicado, e como disse Mário Quintana, de
difícil solução.
Vamos a alguns exemplos.
Um relacionamento considerado pela maioria
das pessoas como fundamental é aquele que se estabelece entre pais e
filhos. Enquanto as crianças são pequenas e aceitam com passividade as
orientações de seus pais, a relação costuma ser harmoniosa e
praticamente isenta de qualquer conflito mais sério. Contudo, basta os
filhos crescerem para que toda essa harmonia desapareça e as disputas
por espaços nunca antes questionados acabem se tornando inevitáveis.
Do mesmo modo, outro relacionamento tido
como igualmente essencial é aquele que se forma entre um homem e uma
mulher. Como no exemplo anterior, no início a harmonia é quase absoluta.
Nem ele e nem ela conseguem perceber defeitos no outro. O amor os torna
cegos. No entanto, conforme a intimidade cresce, a dinâmica dessa
relação também se modifica. Defeitos nunca antes percebidos afloram de
forma avassaladora. Concessões, que antes eram feitas com um sorriso nos
lábios, passam a ser um sacrifício difícil de aceitar. Tudo parece
assumir tons de cinza quando antes o mundo era visto através de uma
lente cor de rosa.
E assim poderia continuar listando
exemplos de relações onde a harmonia e o amor foram gradativamente sendo
substituídos pela discórdia e, não raro, pelo ódio irracional.
Estudiosos do comportamento humano poderiam, inclusive, listar
diferentes razões para essas rupturas: medo, insegurança, egoísmo,
traumas diversos. Contudo, particularmente, tenho minha própria teoria.
Para mim existe um sentimento que permeia
todo e qualquer tipo de relação. Ele está tão presente em nossas vidas
que, muitas vezes, nem percebemos o quanto ele nos controla. Estou me
referindo a um dos maiores inimigos do ser humano: o desejo de poder.
Desejo, muitas vezes incontrolável, de
dominar o outro. De querer impor suas próprias regras e leis em
detrimento do que o outro pense ou deseje. Poder para transformar os que
se encontram a sua volta à sua imagem e semelhança.
É o que ocorre quando um pai (ou mãe)
nega-se a ouvir o que o filho tem a dizer, usando como desculpa a sua
pouca idade. Ou quando um filho agride, por atos ou palavras, seus pais
por acreditar que a experiência de vida nada significa. Ou ainda, quando
entre um casal instala-se o silêncio da mágoa porque nenhum dos dois
quer abrir mão de suas ideias e preconceitos.
De qualquer maneira, não há como evitar,
as pessoas continuarão a ler e escrever sobre o assunto relacionamento
tendo sempre em vista o mesmo objetivo: encontrar a receita para uma
relação ideal. Entretanto, como todos nós sabemos, essa é uma busca
ilusória. Não existe a relação ideal. Em todos os relacionamentos
encontraremos dificuldades a serem superadas. Todavia, se conseguirmos
vencer aquele que, para mim, é o inimigo número um dos relacionamentos –
esse desejo, muitas vezes insano, de poder –, talvez pudéssemos romper
com esse ciclo vicioso de amor e ódio que permeia a maioria das
relações. Portanto, se são garantias que você está querendo, o melhor é
procurar outro tipo de leitura, pois quando o tema é relacionamento
torna-se impossível garantir um sucesso absoluto. Você, com certeza,
terá de se arriscar.
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