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A internet é tão grande, tão poderosa e
tão sem sentido que, para algumas pessoas, ela é uma substituta completa
para a vida.
Andrew Brown, escritor e jornalista inglês
Apesar dos costumes terem se alterado e
estarmos vivendo em pleno século XXI, essa palavrinha – “sexo” – quando
aparece sempre provoca muito alvoroço. E quando juntamos a essa palavra
um sentimento poderoso como o amor e uma tecnologia amplamente
disseminada, como a internet, estamos diante de um verdadeiro
caldeirão de ideias e emoções.
Recentemente, li em um jornal uma matéria
sobre como a internet tem se tornado um refúgio para homens e
mulheres que estão em busca de uma companhia. Segundo o texto, o seu
anonimato ajuda a simular um relacionamento que, muitas vezes, essas
pessoas não conseguem desenvolver na vida real. É claro que dentro desse
contexto vamos encontrar de tudo um pouco. Poderemos nos deparar com o
internauta que procura apenas o sexo pelo sexo, mesmo que seja virtual,
até aquele que deseja conhecer novas pessoas, mas é muito acanhado para
fazê-lo pessoalmente.
Em relação ao primeiro tipo, o médico
entrevistado pelo jornal, o sexólogo e ginecologista Ricardo Cavalcanti,
explica que um dos riscos é essa pratica se tornar um vício. Segundo
ele, só no Brasil existem em tratamento 20 grupos de pacientes
compulsivos por sexo na internet. Compulsão que em muitos casos
pode levar à violência, pois se tratam de indivíduos que desejam colocar
em prática tudo o que fantasiaram. Eles veem na internet apenas
uma nova versão dos antigos bordéis. E aqui o anonimato torna tudo pior,
pois estimula práticas criminosas, como a pedofilia e a pornografia
infantil.
Já o segundo grupo, os tímidos e
solitários, busca na rede apenas uma forma de estabelecer contatos com
pessoas que, como eles, padecem do mesmo problema: a extrema timidez. A
internet, então, aparece como uma ferramenta facilitadora, uma
forma de vencer os seus piores medos. Nesse caso, a possibilidade do
virtual se tornar real é maior e o flerte on line pode até se
transformar em um primeiro encontro de verdade.
Antigamente usava-se o papel, na forma de
cartas, para se estabelecer contatos com pessoas desconhecidas ou
distantes; hoje são os e-mails, o MSN, o orkut e os
diversos sites de relacionamento espalhados pela internet. A
principal diferença, entre esses meios de comunicação talvez seja que,
nesses últimos as respostas chegam bem mais rápido. É possível perceber,
então, que tudo se resume a uma busca, algumas vezes insana, por uma
maneira de minimizar um quadro de solidão e isolamento social.
Portanto, é preciso compreender de uma vez
por todas que o universo virtual nada mais é do que um reflexo do mundo
real que ajudamos a construir todos os dias. Nele encontraremos anjos e
demônios, tristezas e alegrias, satisfação e insatisfação, assim como
verdades e mentiras. Cabe a nós procurar o caminho mais saudável e
construtivo nesse emaranhado de bits que constituem a rede
internacional de computadores, aceitando que essa é uma ferramenta que
chegou para ficar. Se isso vai, no futuro, envolver algum tipo de
decepção, é um risco que todos de uma maneira ou outra estamos
constantemente enfrentando. |