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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 01 de março de 2010 21:53:54                                               

 
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CRôNICAS

Sexo, amor e internet

 

Margarete Hülsendeger

publicado em 01/03/2010

 

A internet é tão grande, tão poderosa e tão sem sentido que, para algumas pessoas, ela é uma substituta completa para a vida.

Andrew Brown, escritor e jornalista inglês

Apesar dos costumes terem se alterado e estarmos vivendo em pleno século XXI, essa palavrinha – “sexo” – quando aparece sempre provoca muito alvoroço. E quando juntamos a essa palavra um sentimento poderoso como o amor e uma tecnologia amplamente disseminada, como a internet, estamos diante de um verdadeiro caldeirão de ideias e emoções.

Recentemente, li em um jornal uma matéria sobre como a internet tem se tornado um refúgio para homens e mulheres que estão em busca de uma companhia. Segundo o texto, o seu anonimato ajuda a simular um relacionamento que, muitas vezes, essas pessoas não conseguem desenvolver na vida real. É claro que dentro desse contexto vamos encontrar de tudo um pouco. Poderemos nos deparar com o internauta que procura apenas o sexo pelo sexo, mesmo que seja virtual, até aquele que deseja conhecer novas pessoas, mas é muito acanhado para fazê-lo pessoalmente.

Em relação ao primeiro tipo, o médico entrevistado pelo jornal, o sexólogo e ginecologista Ricardo Cavalcanti, explica que um dos riscos é essa pratica se tornar um vício. Segundo ele, só no Brasil existem em tratamento 20 grupos de pacientes compulsivos por sexo na internet. Compulsão que em muitos casos pode levar à violência, pois se tratam de indivíduos que desejam colocar em prática tudo o que fantasiaram. Eles veem na internet apenas uma nova versão dos antigos bordéis. E aqui o anonimato torna tudo pior, pois estimula práticas criminosas, como a pedofilia e a pornografia infantil.

Já o segundo grupo, os tímidos e solitários, busca na rede apenas uma forma de estabelecer contatos com pessoas que, como eles, padecem do mesmo problema: a extrema timidez. A internet, então, aparece como uma ferramenta facilitadora, uma forma de vencer os seus piores medos. Nesse caso, a possibilidade do virtual se tornar real é maior e o flerte on line pode até se transformar em um primeiro encontro de verdade.

Antigamente usava-se o papel, na forma de cartas, para se estabelecer contatos com pessoas desconhecidas ou distantes; hoje são os e-mails, o MSN, o orkut e os diversos sites de relacionamento espalhados pela internet. A principal diferença, entre esses meios de comunicação talvez seja que, nesses últimos as respostas chegam bem mais rápido. É possível perceber, então, que tudo se resume a uma busca, algumas vezes insana, por uma maneira de minimizar um quadro de solidão e isolamento social.

Portanto, é preciso compreender de uma vez por todas que o universo virtual nada mais é do que um reflexo do mundo real que ajudamos a construir todos os dias. Nele encontraremos anjos e demônios, tristezas e alegrias, satisfação e insatisfação, assim como verdades e mentiras. Cabe a nós procurar o caminho mais saudável e construtivo nesse emaranhado de bits que constituem a rede internacional de computadores, aceitando que essa é uma ferramenta que chegou para ficar. Se isso vai, no futuro, envolver algum tipo de decepção, é um risco que todos de uma maneira ou outra estamos constantemente enfrentando.

 

 

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 Margarete Hülsendeger é professora de Física em escolas particulares de Porto Alegre/RS e Mestre em Educação em Ciências e Matemática/PUCRS.

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