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ISSN 1678-8419         última atualização em: terça-feira, 30 de setembro de 2008 22:13:32                                               

 
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CRôNICAS

Uma questão chamada escolha

 

Margarete Hülsendeger

publicado em 01/10/2008

Todos os dias são dias de decisão. Todos os dias são dias nos quais teremos de escolher. Decidir e escolher, verbos regulares nas suas conjugações, mas totalmente irregulares quando transpostos para a realidade de nossas vidas.

Outro dia, estava pensando nas escolhas que somos obrigados a fazer. A lista é longa se nela incluirmos todas aquelas pequenas decisões que nos são impostas em um dia de vida: o que vestir, o que comer, que contas pagar, que livro ler ou que filme assistir. Enfim, coisas aparentemente insignificantes, mas que consomem muito do nosso tempo e energia.

E as grandes e importantes decisões? Estas, sem dúvida nenhuma, são as que provocam mais angústia. São elas as responsáveis por muitas das nossas noites mal-dormidas, nas quais permanecemos insones tentando escolher qual o melhor caminho a seguir. Sentimos, nesses momentos, uma espécie de urgência e, ao sermos dominados por ela, criamos fantasias que, quando desmascaradas, deixam apenas o gosto amargo da frustração.

Quando um jovem, por exemplo, vai escolher sua profissão, muitas vezes não lhe é dado o tempo necessário para analisar todas as possibilidades. Como resultado, a cada ano mais jovens escolhem de forma errada. E a conseqüência é que, a médio e longo prazo, sonhos terão de ser abandonados e a busca por uma nova alternativa acabará se impondo, podendo gerar sofrimento e infelicidade.

A escolha da pessoa com a qual compartilharemos a nossa vida também está entre as grandes decisões. Para alguns, pode até parecer exagerada essa afirmativa; afinal, em tempos de divórcio, os relacionamentos se sucedem sem culpa ou remorso. Pode ser, mas sou daquelas que acredita que um relacionamento se constrói de forma madura, o que para mim significa algo com um valor maior do que a compra de um carro ou de uma roupa nova. E se essa relação pressupõe a existência de uma família, me parece que tudo se torna mais complicado e, portanto, mais sério. Com isso não quero dizer que não se possa reconhecer que a decisão tomada foi equivocada e se deseje começar tudo de novo com outra pessoa. Acredito, entretanto, na necessidade de uma maior reflexão para que os nossos erros de julgamento prejudiquem o menor número possível de pessoas.

Tudo isso demonstra que escolher e decidir não são tarefas fáceis de realizar. Escolher qual roupa usar pode parecer uma decisão de menor importância, superficial até. Mas e se essa decisão implicar estar-se com uma boa aparência para uma entrevista de emprego? Talvez a escolha da melhor roupa seja crucial. Isso prova que nem tudo é tão simples a ponto de ser ignorado ou menosprezado, ainda mais quando pensamos no quanto nossas vidas são recheadas de surpresas e imprevistos. Fazer uma boa escolha, decidir da maneira mais correta possível, pode-se tornar, para qualquer um de nós, um caso de vida ou de morte. Portanto, não tenha pressa. Pense bem. Reflita. Imagine, por exemplo, que o par de sapatos que você vai usar hoje pode determinar como será a sua vida amanhã.

 

 

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 Margarete Hülsendeger é professora de Física em escolas particulares de Porto Alegre/RS e Mestre em Educação em Ciências e Matemática/PUCRS.

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