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Um
novo
ano
está começando e
com
ele
todas aquelas
propostas –
muitas
mirabolantes –
de mudança.
A frase
mais
comum
nessa época
é: “tudo
agora
vai ser
diferente”.
Que
melhor
hora
para
tratarmos daquele
que
é, a meu
ver,
um
dos sentimentos
mais
tristes
e desoladores
para
uma pessoa
experimentar?
Refiro-me à
mágoa.
Essa é uma daquelas
emoções
que
tem o dom
de nos
fazer
sentir
menores
e piores
do que
realmente
somos. No decorrer
de uma única
vida,
são
tantas que
acabam se empilhando umas
sobre
as outras, até
que
nada
mais
reste a não
ser
uma tristeza
imensa
e, muitas vezes,
infundada,
de termos
fracassado de alguma
maneira.
Paradoxalmente,
no entanto,
as mágoas
não
podem ser
expostas. Ao
contrário.
Elas
devem ficar
escondidas,
disfarçadas. Que
horror
seria se os
outros
soubessem que
nos
magoaram. Impomo-nos a
obrigação
de parecermos
sempre
perfeitos.
E quando,
obviamente, não
conseguimos alcançar
esse
ideal,
o resultado
se torna
previsível: abre-se
em
nosso
espírito
uma brecha
para
que
novas
mágoas
nos
atinjam de forma,
muitas vezes,
irreparável.
Entretanto,
para
a questão
da mágoa,
assim
como
para
outros
problemas
da vida,
não
encontraremos
receitas
ou
soluções
prontas. Afinal,
é difícil
prever
como
os nossos
sentimentos
serão
atingidos quando
virarmos a
próxima
esquina.
Não
se deixar
levar
pelas mágoas
acumuladas
é, sem
dúvida
nenhuma, uma
tarefa
árdua.
Ela
nos
exige um
exercício
constante
e ininterrupto
de elevação
da consciência
e, consequentemente, da
nossa
autoestima.
É
possível,
contudo,
observá-las, mas
de longe,
bem
de longe.
A distância
torna
tudo
pequeno,
sem
importância,
e coloca os
fatos da
vida
dentro
de uma
perspectiva
mais
realista. Nada
como
o distanciamento
para
conseguirmos ver
o mundo
de uma maneira
mais
clara
e – por
que
não?
– menos
sentimental.
Segundo
o poeta
inglês
John Keats (1795-1821) o
prazer
costuma nos
visitar
muitas vezes,
mas
a mágoa
agarra-se a nós
com
crueldade.
A verdade
é que
só
seremos magoados se dermos às
mágoas
uma força
que
elas
não
têm. Portanto,
se insistirmos
em torná-las
parte
da nossa
existência,
acabaremos envenenando-nos e,
quando
nos
dermos conta,
elas
nos
terão dominado. O
conhecimento
de nossas próprias
fragilidades
e imperfeições
é, quem
sabe, um
primeiro
passo
para
impedirmos que
as mágoas
sigam a sua
marcha,
acumulando-se em
nosso
espírito.
Porém,
como
já
afirmei
anteriormente,
essa não
é uma tarefa
fácil,
mas
acredito que
o esforço
valha a pena.
Pense, então,
sobre
isso.
E quando
uma nova
mágoa
quiser se instalar
na sua
mente
e no seu
coração,
se pergunte: é
isso o
que
eu
desejo
para
a minha
vida? |