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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 13 de julho de 2009 21:56:43                                               

 
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CRÔNICAS

A borboleta azul...

Nair Lúcia de Britto

publicado em 26/05/2008

 

O rapaz entrou no ônibus e veio sentar-se num banco à minha frente. Além de jovem era bonito. Sem querer, reparei que ele usava calça “jeans”, uma camiseta da "Hering" e calçava tênis da “All Star”.

Não tinha nenhuma tatuagem e também não usava “pirsen”.

Com o ônibus em movimento, assim como outros passageiros, ele se dispôs a apreciar o mar mais azul ainda, naquele belo dia de sol...

Até aí, tudo normal!

Subitamente ele retirou o celular da mochila e ligou para alguém. Naturalmente,

uma garota... Logo percebi quando, também sem querer, ouvi a conversa; mais ou menos assim:

-- Alô! Sou eu, tudo bem?

Claro que ela respondeu que sim, então ele prosseguiu:

-- Eu te liguei porque eu quero de contar uma coisa que me aconteceu hoje de manhã.

Ela deve ter respondido e, depois, ficado escutando; esperando para saber qual era a novidade.

-- Hoje, de manhã, cedo, eu fui surfar. Tinha muita onda... e o tempo estava ótimo! Depois, eu me sentei numa das pedras que havia na entrada do mar. Foi nessa hora que eu vi uma borboleta linda... linda... Era toda azul, com um desenho lindo nas pontas das asas. “Tadinha”! Ela estava se debatendo toda, porque estava presa entre as pedras e não conseguia voar. Logo o maré iria subir e afogar a pobrezinha... Já pensou?! Então, eu a despreendi com muito cuidado para não machucá-la. Ela não voou logo, porque estava muito cansada e toda molhada. Então, eu fiquei ali tomando conta dela, para que não lhe acontecesse mais nada de mal, até ela recuperar suas forças. Assim que ela se recuperou, ela saiu voando... Eu fiquei olhando a borboleta azul surfando no ar e, no seu vôo, se confundindo com o azul do mar! Feliz da vida por sentir-se novamente em liberdade. Foi lindo! Eu me senti tão feliz com a minha boa ação de hoje, por isso eu quis te ligar... Precisava dividir minha alegria com você....

Em seguida, ele fez silêncio para ouvir os comentários dela...

Não sei o que ela disse, mas ouvi o riso de felicidade, dele!

Depois, ele falou pra ela:

-- Eu também te amo! A gente se vê hoje à noite, tá?!

Em seguida, ele guardou o celular, enquanto eu enxugava meus olhos marejados de lágrimas!!!!!!!!

 

 
 
  

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::sobre o autor::

Nair Lúcia de Britto é jornalista e poeta.
Eu, Nair Lúcia de Britto, nasci em Joanópolis (SP). Meu primeiro contato com as letras foi através do meu pai, que também era poeta, Arthur José dos Reis Britto.

Passei toda minha infância em Santos(SP), o que talvez explique minha paixão pelo mar... Em vez de me contar histórias, meu pai declamava versos dos poetas clássicos, e eu adorava...

Quando cursei o Clássico, eu me sobressaía em Literatura e aprendi muito com a minha professora: Sara Capellari.

Formei-me em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em 1977, em São Paulo (SP.) E meu primeiro emprego foi na revisão da Folha de São Paulo. Posteriormente trabalhei na Editora Nova Cultural, preparando textos de livros e revistas.

Escrevi vários textos infantis, publicados na Folhinha de S. Paulo; comentários de livros e filmes para a revista “Contigo”; e crônicas, publicadas na Folha da Tarde (SP) na coluna do jornalista Mário de Morais.

Ao escrever meu primeiro conto “A Virgem Marina”, fui muito incentivada pelo jornalista e escritor Wladir Duppont, que na década de 80 era o editor da revista “Nova”. Escrevi então outros contos de amor, publicados em várias revistas da Editora Abril.

Em São Vicente(SP) fui repórter e cronista do jornal “Primeira Cidade”, onde recebi o estímulo do ex-prefeito da cidade, Antonio Fernando dos Reis, dono do jornal. A partir daí eu fui em frente... Além de prosas, passei a escrever também comentários de filmes de arte; publicados, atualmente, na revista virtual Partes.

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