Os tempos, porém, eram
difíceis!Tempos de revolução!
Meu avô, a duras penas,
ganhava o pão para uma família de oito filhos.
E, assim, o sonho de se
ver formada não aconteceu!
Um belo dia, leu um
anúncio no jornal: “Precisa-se de uma ajudante de costureira.”
Nunca tinha pego numa
agulha; mesmo assim, escondida de meu austero avô, que jamais permitiria
que uma de suas filhas trabalhasse fora, habilitou-se.
Foi assim que aprendeu a
costurar.
Foi assim que obteve
independência financeira...
Nunca ficou rica, isso é
verdade, mas sempre teve seu próprio dinheiro.
Quando eu era criança,
fazia todos os meus vestidos... lindos vestidos, enfeitados com rendas e
babados. Trançava meus cabelos...Comprava-me bonecas e bombons.
Bons tempos!
Naquele dia, mamãe me
carregou com ela até a casa de uma cliente a fim de lhe cobrar o feitio
de um vestido. Sem graça e sem dinheiro, a cliente lhe propôs:
-- A senhora aceita esta
cadeira como pagamento?
Minha mãe trocou um rápido
olhar comigo, enquanto refletia: “Ou era a cadeira, ou nada!”
Mamãe levou a cadeira para
casa.
Era uma cadeira antiga, de
braços... madeira maciça, pesada...
Herdei a cadeira antiga de
minha mãe. Por algum motivo, que eu não saberia explicar por quê, levo
essa cadeira comigo sempre que me mudo de casa...
Está aqui, agora, tão
antiga, quanto descorada...
E, nesse instante, olhando
para essa cadeira, eu penso em mamãe...
Lembro-me dela com
ternura, oro por ela...
Rezo a Deus para que me dê
a mesma força, a mesma coragem e determinação que a minha saudosa mãe
possuía...
Nair Lúcia de Britto