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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 13 de julho de 2009 21:56:51                                               

 
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CRÔNICAS

Uma cadeira antiga...

Nair Lúcia de Britto

publicado em 01/05/2009

Mamãe costumava me contar sobre seu sonho de moça...

Moça bonita, inteligente, dinâmica, ela queria muito estudar... Não se preocupava apenas em se casar e ser feliz; como a maioria das jovens do seu tempo.

Alguma coisa, dentro dela, a impelia para uma vida independente, para uma realização profissional...

Os tempos, porém, eram difíceis!Tempos de revolução!

Meu avô, a duras penas, ganhava o pão para uma família de oito filhos.

E, assim, o sonho de se ver formada não aconteceu!

Um belo dia, leu um anúncio no jornal: “Precisa-se de uma ajudante de costureira.”

Nunca tinha pego numa agulha; mesmo assim, escondida de meu austero avô, que jamais permitiria que uma de suas filhas trabalhasse fora, habilitou-se.

Foi assim que aprendeu a costurar.

Foi assim que obteve independência financeira...

Nunca ficou rica, isso é verdade, mas sempre teve seu próprio dinheiro.

Quando eu era criança, fazia todos os meus vestidos... lindos vestidos, enfeitados com rendas e babados. Trançava meus cabelos...Comprava-me bonecas e bombons.

Bons tempos!

Naquele dia, mamãe me carregou com ela até a casa de uma cliente a fim de lhe cobrar o feitio de um vestido. Sem graça e sem dinheiro, a cliente lhe propôs:

-- A senhora aceita esta cadeira como pagamento?

Minha mãe trocou um rápido olhar comigo, enquanto refletia: “Ou era a cadeira, ou nada!”

Mamãe levou a cadeira para casa.

Era uma cadeira antiga, de braços... madeira maciça, pesada...

Herdei a cadeira antiga de minha mãe. Por algum motivo, que eu não saberia explicar por quê, levo essa cadeira comigo sempre que me mudo de casa...

Está aqui, agora, tão antiga, quanto descorada...

E, nesse instante, olhando para essa cadeira, eu penso em mamãe...

Lembro-me dela com ternura, oro por ela...

Rezo a Deus para que me dê a mesma força, a mesma coragem e determinação que a minha saudosa mãe possuía...

Nair Lúcia de Britto

 

 
 
  

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