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Dedico esta crônica
principalmente àqueles pais que perderam seus filhos tão jovens, tão belos,
tão cheios de vida... às vezes, de forma dramática e inesperada; deixando
seus olhos cheios de lágrimas e seus corações despedaçados.
A revista SELEÇÕES, do
mês de maio de 2009, publicou um artigo muito importante sobre mensagens
psicografadas, as quais têm proporcionado um grande alento para muitas
pessoas, especialmente mães e pais.
Um dos exemplos citados por
essa revista foi o de Maria do Rosário Sosa, que perdeu seu filho, Jeison,
de apenas 15 anos de idade, quando o rapaz surfava na praia de Capão da
Canoa, em Porto Alegre, em 1993. Os pais ficaram tão desgostosos que se
mudaram da cidade gaúcha para a capital de São Paulo.
O pai, Jakson, foi aconselhado
por familiares, que se condoíam de tanto sofrimento, a procurar um Centro
Espírita. Qual não foi sua surpresa quando uma das voluntárias avisou-lhe
que um dos médiuns da casa espírita havia recebido a mensagem de um rapaz,
cuja história se encaixava com a do filho desse casal. Dizia a mensagem:
“Eu sou um surfista que partiu
nos mares do Rio Grande do Sul.” E mencionava vários detalhes que não
deixavam dúvidas. Sem conhecer nada da doutrina espírita, Jakson entrou em
estado de choque. Algum tempo depois, passou a frequentar o Centro Espírita,
levando consigo a esposa; e onde passou a receber outras cartas que já
perfazem, hoje, mais de cem.
“A prancha na qual parti,
Retorno no mesmo embalo
Trazendo comigo os beijos...
Que lhe dou num estalo”
(dizia outra mensagem)
A mãe do rapaz confessou que
seu filho, em vida, gostava de poesia e costumava sempre lhe dizer:
“Mãe, um beijo estalado para
você!”
Na cidade de Santos (SP), um
médium, Professor Marcos Antonio dos Santos, entrevistado pelo professor
Jadir Albino, no programa “Fonteiras da Ciência”, da TV Santa Cecília,
contou que uma das cartas psicografadas que recebeu no Centro, onde é
voluntário, era de um rapaz para a mãe dele, e dizia:
“Mãe, eu ainda tenho aquele
mesmo perfume...” O médium disse não ter entendido o conteúdo da mensagem,
até que a mãe dele explicou que ela guardava a jaqueta do rapaz e, de vez em
quando, a cheirava para sentir o perfume que ele usava.
Voltando ao artigo divulgado
pela Seleções, a revista faz um alerta, através da
parapsicóloga forense americana Sally Headding, que tem um programa
“Investigadores psíquicos”, do canal a cabo Discovery Channel, sobre o
cuidado que se deve ter ao procurar o recurso da psicografia para ter
notícias de entes queridos de que se tem saudades. Pois, como em todas as
áreas, não faltam charlatães que abusam da boa fé e da fragilidade de
algumas pessoas, em benefício próprio.
O Evangelho, segundo Allan
Kardec é bem claro quando explica:
“DAI DE GRAÇA, O QUE DE GRAÇA
LHES FOI DADO!”
Ou seja, todo trabalho
mediúnico não pode ser cobrado. Diz ainda o Evangelho:
“A mediunidade não implica,
necessariamente, em intercâmbio habitual com os espíritos superiores; é
simplesmente uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos flexível
aos espíritos em geral. O bom médium não é, pois, aquele que se comunica
facilmente; mas aquele que é simpático aos bons Espíritos e não é assistido
senão por eles. É nesse sentido que as qualidades morais têm tanto poder
sobre a mediunidade.”
Quer dizer, quanto maior for o
grau moral do médium, mais elevados serão os espíritos que virão auxiliá-lo
numa determinada tarefa. É por isso que, constantemente, o médium precisa
policiar a si mesmo no que diz respeito a própria conduta, a fim de evitar o
risco das más influências.
Perder um ente querido é uma
tristeza inexplicável. A psicografia tem o divino poder de amenizar essa
dor. As respectivas particularidades de quem transmite a mensagem, através
do médium, deixa, aos familiares que a recebem, a certeza maravilhosa de
que, onde quer que estejamos, a vida continua...
NAIR LÚCIA DE BRITTO |