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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 13 de julho de 2009 21:56:06                                               

 
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CRÔNICAS

Criança

Nair Lúcia de Britto

publicado em 20/04/2008

 

“CRIANÇA FELIZ, FELIZ A CANTAR; ALEGRE A EMBALAR O SEU SONHO INFANTIL! OH MEU BOM JESUS, QUE A TODOS CONDUZ, OLHAI AS CRIANÇAS DO NOSSO BRASIL!”

Esses versos foram cantados inúmeras vezes, por volta de 1950, por um dos cantores e compositores mais queridos da música popular brasileira: Francisco Alves. Ele começou sua carreira cantando em circos, quando ainda ganhava a vida trabalhando como motorista de táxi. Gravou seu primeiro disco, convidado por João Gonzaga, filho de Chiquinha Gonzaga. Foi o primeiro de uma série de quase 500 discos, gravados em 78 rpm.
 

O que Francisco Alves cantaria nos dias de hoje, com tantas crianças sofrendo abandono, abusos, maltratos, torturas e tudo mais que a imprensa denuncia?

Certamente ele, pessoa amorosa, sensível e generosa cantaria alguns versos num apelo a favor das crianças. Mas como ele não está mais aqui, que outras pessoas clamem por ele, em defesa das crianças, criaturas especiais para Deus.

A quem compete romper com esse quadro tão drástico, envolvendo as crianças? Ao Governo? À Religião? Sim, a eles competem agir veementemente, mas a maior responsabilidade cabe à própria população.

A solução, sem nenhuma sombra de dúvida, está na reorganização social; no planejamento familiar e na reestruturação da família.

Legalmente, não há nenhum impedimento para que um casal, unido momentânea e irresponsavelmente pelo desejo sexual, façam um filho; sem qualquer condições para criá-lo dentro das exigências mais elementares das quais uma criança precisa: educação, alimentação adequada, saúde, proteção da família e o que mais a criança precisa: o amor do pai e da mãe.

Dessa forma, as crianças são jogadas na vida e aos mais infelizes destinos.

A Lei é lenta, é retrograda e, como é muito difícil de ser mudada, vão persistindo ao longo do tempo, sem romper com os exageros da burocracia e sem correções mais apropriadas para as novas gerações que, inevitavelmente, vão surgindo.

A nova geração que tem a felicidade de ter o amparo da família é mais bonita, mais inteligente mas, uma boa parte, está socialmente despreparada. Quanto à nova geração, criada ao léu, só aqueles com muita força de vontade conseguem sobreviver dignamente para conquistar seu lugar ao sol...

Quantos, porém, não se perdem pelo caminho!

Cabe à juventude saber controlar e educar o o instinto sexual, uma vez que o ser humano é dotado de inteligência e consciência. É preciso compreender que o sexo é um instinto como outro qualquer. Ou seja, comer é preciso, mas comer o alimento errado ou comer demais pode matar a pessoa de indigestão.

É preciso refletir que o sexo não é apenas uma satisfação dos sentidos e, sim, uma conseqüência de um dos sentimentos mais nobres: o amor. E que os frutos dessa união devem ser cuidados com o mesmo amor com o qual foram gerados.

Casamento não é festa, não é um lindo vestido, não é papel assinado, não é nenhuma parafernália. Casamento é um ato de amor, que pode ou não ser festejado. É uma instituição séria que só deve ser realizada diante de um verdadeiro amor. Muitas paixões acontecem pelo caminho de um jovem, inexperiente, antes que ele reconheça o verdadeiro amor.

É preciso ter paciência e esperar ter maturidade para casar. E, depois, também ter paciência de esperar para saber se o casamento vai dar certo, para depois formar sua prole dentro das condições financeiras de cada casal. Porque não há nada que faça uma criança mais feliz do que ter seu pai e sua mãe a seu lado, além do carinho de seus avós.

É urgente e imprescindível criar uma lei que saia do papel, para proteger a criança de maneira eficaz, antes mesmo que essa criança se torne um embrião. Porque não cabe à criança saber se já está pronta para ser concebida e nascer. Isso é uma responsabilidade dos pais e uma responsabilidade social.
 

Paralelamente, deve ser criada outra lei que fortifique a estrutura familiar porque sem família ninguém é ninguém! É como um cidadão sem Pátria.
 

NAIR LÚCIA DE BRITTO é poeta e Jornalista

 
  

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::sobre o autor::

Nair Lúcia de Britto é jornalista e poeta.
Eu, Nair Lúcia de Britto, nasci em Joanópolis (SP). Meu primeiro contato com as letras foi através do meu pai, que também era poeta, Arthur José dos Reis Britto.

Passei toda minha infância em Santos(SP), o que talvez explique minha paixão pelo mar... Em vez de me contar histórias, meu pai declamava versos dos poetas clássicos, e eu adorava...

Quando cursei o Clássico, eu me sobressaía em Literatura e aprendi muito com a minha professora: Sara Capellari.

Formei-me em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em 1977, em São Paulo (SP.) E meu primeiro emprego foi na revisão da Folha de São Paulo. Posteriormente trabalhei na Editora Nova Cultural, preparando textos de livros e revistas.

Escrevi vários textos infantis, publicados na Folhinha de S. Paulo; comentários de livros e filmes para a revista “Contigo”; e crônicas, publicadas na Folha da Tarde (SP) na coluna do jornalista Mário de Morais.

Ao escrever meu primeiro conto “A Virgem Marina”, fui muito incentivada pelo jornalista e escritor Wladir Duppont, que na década de 80 era o editor da revista “Nova”. Escrevi então outros contos de amor, publicados em várias revistas da Editora Abril.

Em São Vicente(SP) fui repórter e cronista do jornal “Primeira Cidade”, onde recebi o estímulo do ex-prefeito da cidade, Antonio Fernando dos Reis, dono do jornal. A partir daí eu fui em frente... Além de prosas, passei a escrever também comentários de filmes de arte; publicados, atualmente, na revista virtual Partes.

Quanto às poesias... eu as escrevo desde a adolescência, mas somente agora comecei a divulgá-las em sites de literatura.

Não tenho nenhum livro publicado... mas ainda chego lá!

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