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Esses versos foram cantados inúmeras vezes, por volta de 1950, por um dos
cantores e compositores mais queridos da música popular brasileira: Francisco
Alves. Ele começou sua carreira cantando em circos, quando ainda ganhava a vida
trabalhando como motorista de táxi. Gravou seu primeiro disco, convidado por
João Gonzaga, filho de Chiquinha Gonzaga. Foi o primeiro de uma série de quase
500 discos, gravados em 78 rpm.
O
que Francisco Alves cantaria nos dias de hoje, com tantas crianças sofrendo
abandono, abusos, maltratos, torturas e tudo mais que a imprensa denuncia?
Certamente ele, pessoa amorosa, sensível e generosa cantaria alguns versos num
apelo a favor das crianças. Mas como ele não está mais aqui, que outras pessoas
clamem por ele, em defesa das crianças, criaturas especiais para Deus.
A
quem compete romper com esse quadro tão drástico, envolvendo as crianças? Ao
Governo? À Religião? Sim, a eles competem agir veementemente, mas a maior
responsabilidade cabe à própria população.
A
solução, sem nenhuma sombra de dúvida, está na reorganização social; no
planejamento familiar e na reestruturação da família.
Legalmente, não há nenhum impedimento para que um casal, unido momentânea e
irresponsavelmente pelo desejo sexual, façam um filho; sem qualquer condições
para criá-lo dentro das exigências mais elementares das quais uma criança
precisa: educação, alimentação adequada, saúde, proteção da família e o que mais
a criança precisa: o amor do pai e da mãe.
Dessa forma, as crianças são jogadas na vida e aos mais infelizes destinos.
A
Lei é lenta, é retrograda e, como é muito difícil de ser mudada, vão persistindo
ao longo do tempo, sem romper com os exageros da burocracia e sem correções mais
apropriadas para as novas gerações que, inevitavelmente, vão surgindo.
A
nova geração que tem a felicidade de ter o amparo da família é mais bonita, mais
inteligente mas, uma boa parte, está socialmente despreparada. Quanto à nova
geração, criada ao léu, só aqueles com muita força de vontade conseguem
sobreviver dignamente para conquistar seu lugar ao sol...
Quantos, porém, não se perdem pelo caminho!
Cabe
à juventude saber controlar e educar o o instinto sexual, uma vez que o ser
humano é dotado de inteligência e consciência. É preciso compreender que o sexo
é um instinto como outro qualquer. Ou seja, comer é preciso, mas comer o
alimento errado ou comer demais pode matar a pessoa de indigestão.
É
preciso refletir que o sexo não é apenas uma satisfação dos sentidos e, sim, uma
conseqüência de um dos sentimentos mais nobres: o amor. E que os frutos dessa
união devem ser cuidados com o mesmo amor com o qual foram gerados.
Casamento não é festa, não é um lindo vestido, não é papel assinado, não é
nenhuma parafernália. Casamento é um ato de amor, que pode ou não ser festejado.
É uma instituição séria que só deve ser realizada diante de um verdadeiro amor.
Muitas paixões acontecem pelo caminho de um jovem, inexperiente, antes que ele
reconheça o verdadeiro amor.
É
preciso ter paciência e esperar ter maturidade para casar. E, depois, também ter
paciência de esperar para saber se o casamento vai dar certo, para depois formar
sua prole dentro das condições financeiras de cada casal. Porque não há nada que
faça uma criança mais feliz do que ter seu pai e sua mãe a seu lado, além do
carinho de seus avós.
É
urgente e imprescindível criar uma lei que saia do papel, para proteger a
criança de maneira eficaz, antes mesmo que essa criança se torne um embrião.
Porque não cabe à criança saber se já está pronta para ser concebida e nascer.
Isso é uma responsabilidade dos pais e uma responsabilidade social.
Paralelamente, deve ser criada outra lei que fortifique a estrutura familiar
porque sem família ninguém é ninguém! É como um cidadão sem Pátria.
NAIR
LÚCIA DE BRITTO é poeta e Jornalista |