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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 13 de julho de 2009 21:55:52                                               

 
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CRÔNICAS

Cultura

   

Nair Lúcia de Britto

publicado em 05/02/2008

 

 

Sou saudosista. Gosto de guardar cartas, fotos, pequenos objetos que me trazem uma boa recordação. Acho agradável quando, por exemplo, ocasionalmente abro um livro e me deparo com uma foto antiga ou um velho recorte de jornal e revivo o prazer de uma grata lembrança.

Um desses dias, eu estava procurando um livro na estante e me surpreendi, quando caiu do interior de um outro livro, alguns folhetos bastante amarelados pelo tempo. Neles eu reconheci a minha letra de estudante, meio disforme, talvez pela personalidade ainda em formação. Ali eu copiara uma definição sobre o que é cultura. Infelizmente, na época, não tive o cuidado de anotar a fonte nem o autor. Mas achei o texto tão inteligente que resolvi repassá-lo para que outros também pudessem tomar conhecimento dele e refletir comigo:

 

#######


 

“Cultura é a comunicação espiritual de todos os homens. Se um homem permanecesse no último dos últimos confins do planeta, sozinho, isolado, solto, abandonado; sem ninguém para comunicar-se espiritualmente, a Cultura deixaria de ser o que é; perderia seu significado.

“Cultura é o esforço que o espírito faz para salvar a tragédia íntima de nosso destino, enlaçando nossas pobres consciências com algo de eterno e infinito.

“Esquece-se frequentemente que a cultura tem um problema sobrenatural como o tem o homem; o saber culto nunca é o saber quantitativo: é um crescimento harmônico, estrutural, vital e orgânico; é um saber de salvação.

“O homem perdido na selva, que é a vida, salva-se pela cultura quando encontra o caminho que lhe permita realizar seu destino inexorável.

“O mais humano que há no homem é o que ele tem de divino; e este elemento, e não outro, constitui sua autêntica natureza humana.

“Tornar-se culto não é apenas alcançar um mundo espiritual autônomo; é chegar a compreender com consciência clara a condição histórica da época.

“A cultura precisa possuir uma idéia completa do mundo e do homem. A vida não tem espera, nem sabe esperar; seu atributo essencial é a urgência. Vive-se este instante, hoje, sem demora possível, sem esmorecimento.

“O homem no momento vive no mito. O mito consiste em dotar de consciência o fenômeno físico; em dotar de consciência a Terra. É o terror, ou a necessidade, ou a esperança.

“O mundo era para o homem primitivo desordem, irregularidade, capricho.

“Os mitos se multiplicam; necessita-se pôr ordem nessa desordem, uma unificação, um método.

“O mundo que tenho diante de mim não se basta a si mesmo; tenho de lhe procurar a origem. Este é o momento em que a consciência pré-cultural vai se converter em cultural, em científica.

“O homem começa a sentir as coisas como um problema; a ciência lhe dará as soluções, construirá as verdades. O homem aspira esse preceito. Viver conforme o capricho é de plebeu; o nobre aspira a preceitos e a lei.

“Um dos melhores resultados da cultura é a criação de um povo culto. Um povo culto não quer dizer um povo onde haja uma cultura geral: isto é uma cultura vaga e, por conseguinte, sem o menor valor. Não: um povo culto é um povo ricamente articulado em classes e categorias, onde cada um tem um modo digno de se comportar diante da vida e de aceitar seu destino.

“Pois bem, esta tarefa que consiste em fazer do homem natural um ser culto, portador de valores eternos, capaz de criar e produzir novas zonas de cultura; compete à educação, que é, por isso mesmo, um processo de formação cultural.”


 

#######


 

Dizem os espiritualistas que nada acontece por acaso; portanto, eu acredito que não foi por acaso que esse texto sobre cultura que eu copiei algum dia, em algum lugar e por algum motivo, caiu de repente aos meus pés.

Também acredito que não é por acaso que eu senti um desejo quase que imperioso de retransmiti-lo...

Porque esse é um momento em que se requer repensar sobre o que realmente seja cultura; porque a Terra passa por um momento muito confuso, que nos conduz ao perigo; um momento em que se esquece verdadeiros valores, em detrimento da Terra, da Natureza, do Espírito e da Família.


 

Nair Lúcia de Britto

Poeta e Jornalista


 

 
  

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::sobre o autor::

Nair Lúcia de Britto é jornalista e poeta.
 

Eu, Nair Lúcia de Britto

Nasci em Joanópolis (SP). Meu primeiro contato com as letras foi através do meu pai, que também era poeta, Arthur José dos Reis Britto.

Passei toda minha infância em Santos(SP), o que talvez explique minha paixão pelo mar... Em vez de me contar histórias, meu pai declamava versos dos poetas clássicos, e eu adorava...

Quando cursei o Clássico, eu me sobressaía em Literatura e aprendi muito com a minha professora: Sara Capellari.

Formei-me em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em 1977, em São Paulo (SP.) E meu primeiro emprego foi na revisão da Folha de São Paulo. Posteriormente trabalhei na Editora Nova Cultural, preparando textos de livros e revistas.

Escrevi vários textos infantis, publicados na Folhinha de S. Paulo; comentários de livros e filmes para a revista “Contigo”; e crônicas, publicadas na Folha da Tarde (SP) na coluna do jornalista Mário de Morais.

Ao escrever meu primeiro conto “A Virgem Marina”, fui muito incentivada pelo jornalista e escritor Wladir Duppont, que na década de 80 era o editor da revista “Nova”. Escrevi então outros contos de amor, publicados em várias revistas da Editora Abril.

Em São Vicente(SP) fui repórter e cronista do jornal “Primeira Cidade”, onde recebi o estímulo do ex-prefeito da cidade, Antonio Fernando dos Reis, dono do jornal. A partir daí eu fui em frente... Além de prosas, passei a escrever também comentários de filmes de arte; publicados, atualmente, na revista virtual Partes.

Quanto às poesias... eu as escrevo desde a adolescência, mas somente agora comecei a divulgá-las em sites de literatura.

Não tenho nenhum livro publicado... mas ainda chego lá!

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