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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 13 de julho de 2009 21:55:33                                               

 
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CRÔNICAS

De mulher para mulher

Nair Lúcia de Britto

publicado em 03/03/2009

 

Até agora estou muito triste com a violência praticada contra jovens inocentes em plena terça-feira de Carnaval, no litoral Sul!

Vejam a situação desastrosa que estamos vivendo nos dias de hoje!...

Dia desses, vi na televisão, um grupo de homens jovens, bonitos, musculosos; entrelaçados uns aos outros, gritando:

“A violência voltou!” “A violência voltou!”.

Por incrível que pareça, eles estavam felizes e orgulhosos pela apologia à violência que estavam fazendo!

Percebeu, mulher, que estamos regredindo cada vez mais? Retornando à idade do homem da pedra, à barbárie?!...

Há algum tempo, eu fui ao cinema sem saber que o filme que estava passando. Vi o cartaz de um filme com o ator Richard Nichols. O ator me atraiu, mas o título do filme me pareceu duvidoso. Cheguei à bilheteria e perguntei à moça atrás do balcão.

-- Por favor, uma informação! Esse filme é de violência? Pergunto, porque eu detesto filmes de violência.

-- Não, não... Esse filme é muito bom! Tem só algumas cenas um pouco fortes, mas a história é bonita.

-- Ah, bom!

Entrei no cinema e procurei um lugar no escuro. Sentei e comecei a ver o filme. Conclusão: era um filme extremamente violento, horrível!

Retirei-me logo às primeiras cenas e fui procurar o gerente:

-- Quero meu dinheiro de volta! -- E expliquei o motivo.

Prontamente ele restituiu meu dinheiro, pedindo desculpas...

Tempos mais tarde aconteceu algo parecido numa video-locadora. Paguei pela locação do DVD, mas nunca mais apareci lá...

Se todo mundo fizesse o que fiz, teríamos uma formação melhor para os jovens. Se mudássemos o canal da tevê assim que começasse a passar um desses filmes que só tem socos, ponta-pés, homens, mulheres e até crianças armados de revólver, prontos para matar como se matar ou agredir fosse um ato de heroísmo e não covardia... E procurássemos assistir algo agradável ou instrutivo; quje ensinasse amor a Deus, à Natureza e ao próximo; noções de solidariedade, fraternidade... é óbvio que não haveriam tantos crimes...

Mas não... “É duro de matar, um; é duro de matar, dois; é duro de matar, três"... e por aí vai!”

A população absorve violência vinte-e-quatro horas por dia porque é o que ela quer assistir. Enquanto cineastas e empresários enriquecem com a ficção macabra; na vida real, mães perdem seus filhos.

Reflitam comigo: A culpa é dos políticos? Do Cinema, Da televisão? Da polícia?... Ou é de quem assiste?

Outro grande problema é a falta de planejamento familiar e a escolha errada dos parceiros...

Filhos do abandono, da falta de educação, do amor e das oportunidades são também as sementes da violência...

Cabe a você, mulher, salvar esse mundo!

Quando olhar para um homem, não se deixe seduzir por um porte atlético, por músculos, um rosto bonito ou simplesmente uma conversa fiada... de quem quer se servir, ir embora...

Nem tampouco busque no casamento um refúgio para os seus problemas ou um meio de sobrevivência... Não se arrisque a arrumar um problema maior, ainda...

O que você deve buscar é o caráter, o sentimento, o coração generoso... o pai extremoso e amoroso... Alguém que saiba valorizar, respeitar e amar de verdade a mulher pela sua dignidade, pela sua inteligência... pelo seu trabalho. Que esteja a seu lado na criação e educação dos filhos.

“Bom filho, bom marido”, dizem; e eu acredito nisso.

Por seu lado, não se preocupe demais em ter aquele corpo perfeito que tanto atrai os homens. Preocupe-se mais com sua saúde, em estudar, em ser uma profissional competente e independente...

Saber esperar pelo homem certo é uma espera construtiva. Porque quando um homem ama a mulher só pela beleza física; quando ela tiver quarenta anos, sem dó nem piedade, ele vai trocá-la por duas de vinte!

NAIR LÚCIA DE BRITTO

JORNALISTA.  

 
 
  

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