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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 13 de julho de 2009 21:54:37                                               

 
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CRÔNICAS

Eram palavras azuis e verdes

   

Nair Lucia de Britto

publicado em 08/08/2007

 

     Hoje, pela manhã, bem cedinho... eu acordei antes do despertador tocar.
Não acordei com o barulho do despertador; mas, sim, ao som da minha própria voz. Eu costumo falar quando sonho e, quando isso acontece, eu sempre acordo.
     Foi um sonho bem curto, mas colorido e muito bonito!
     As cores do sonho eram bem vivas e causavam uma forte impressão.
     No meu sonho, eu vi meu pai chegando em casa,  trajando num terno cor de violeta e a camisa impecavelmente branca. Ele usava aquele chapéu que os homens elegantes usavam antigamente: o mesmo chapéu do herói daquele filme: "Casablanca". E o chapéu era da mesma cor do terno.
     Quando ele abriu o portão de casa, alegre e sorridente, a expressão do rosto dele era muito saudável: as face coradas, os traços firmes; aquele ar decidido da sua personalidade forte.
     Eu, no jardim da casa, estava a uma certa distância. E, assim que o vi, apressei-me em caminhar ao seu encontro. Chamei-o, mas ele parecia não me ouvir. Vi, quando ele abriu a porta de entrada da nossa casa e entrou.
Novamente apressei o passo, tentando alcançá-lo e, estranhamente, fazendo um enorme esforço para isso...
     Também entrei em casa, percorrendo um comprido corredor do qual não me lembrava. No final do corredor, dobrei à direita em vão; depois, à esquerda.
E, afinal, dei com meu pai: esguio, bonito, altivo e elegante. Apesar da cor incomum, aquela roupa lhe assentava muito bem!
     Neste instante, enfim meu pai me avistou e me sorriu; demonstrando no seu sorriso um intenso contentamento por me ver.
     Então... eu corri para os braços dele que se estendiam para me abraçar.
     -- Papai, por que não veio antes? -- Eu perguntei.
     Foi exatamente aí que eu acordei, ao som das minhas palavras.
     Eram palavras azuis e verdes. Azuis, de saudade... e verdes, de esperança!

 

 
  

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Nair Lúcia de Britto é poeta e jornalista.

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