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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 19 de junho de 2008 21:24:26                                               

 
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CRÔNICAS

Como numa jogada de vôlei...

Nair Lúcia de Britto

publicado em 19/06/2008

 

Subi no ônibus e, ao entrar, tropecei numa mala enorme, deixada no corredor.

Quase fui parar, não sei onde... Perdi o equilíbrio, mas me sustentei a tempo e, felizmente, não caí. Olhei para a dona da mala, com vontade de dizer:

-- Não tinha um lugar melhor para colocar essa mala?

Mas me contive, e a censura ficou só no meu olhar.

Ela, a dona da mala, também não falou nada. Sentada ali, diante de mim, em pé; apenas rebateu o meu olhar, como se quisesse me dizer com os olhos:

-- Quer conforto? Vá de táxi!

Após aquela rápida e, de certa forma hostil, troca de olhares, sentei-me num banco que um gentil cavalheiro me ofereceu.

Então, pude observar melhor a moça da mala. Era uma moça simples, magra, graciosa; tinha os cabelos pretos presos na nuca e um pouco alvoroçados; como se tivesse saído de casa com pressa, sem muito tempo para se enfeitar. Sobre a grande mala, a seu lado, havia uma outra maleta de lona e, sobre o seu colo, mais duas sacolas de saco plástico, cheias.

Fiquei envergonhada da minha breve irritação. Não devia ser nada fácil pegar um ônibus com toda aquela tralha. Certamente ela estava indo para a rodoviária, de partida para algum lugar. Pelo semblante um tanto amargurado, não era uma viagem que ela gostaria de fazer. Para onde iria? Por quê? Só Deus sabe!

O ônibus estava cheio; durante o percurso, muitas pessoas iam em pé. O motorista, talvez irritado por ter que prestar atenção no trânsito intenso e ao mesmo tempo no troco que tinha de dar a cada passageiro que entrava e pagava, dirigia aos trancos e barrancos...

Salve-se quem puder!

Num desses trancos mais avassaladores, um homem musculoso, desses que freqüentam a academia para manter a forma viril, perdeu o equilíbrio e ia caindo com tudo no colo da moça da mala.

Rapidamente, ela não deu outra... aparou-o com as mãos abertas e, como se estivesse jogando uma partida de vôlei, arremessou-o pelo traseiro, para frente.

A jogada foi brilhante! Ele se recompôs, ficando novamente em pé e, rapidamente, segurou-se no corrimão do teto.

Quando eu dei por mim... eu estava dando uma enorme gargalhada!

É que foi uma cena muito engraçada, sem qualquer danos para quem quer que seja.

A moça da mala, olhou pra mim e também riu. Ficava bem mais bonita, sorrindo. O esportista também sorriu, e desceu do ônibus com um ar de felicidade.

Afinal, não é sempre que uma moça bonita o tocava, tão intimamente...

Também logo cheguei ao meu destino, pensando:

“É! A vida com bom humor é bem melhor! Por maiores que sejam as dificuldades, haverá sempre algum motivo para se sorrir...”

 
 
  

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::sobre o autor::

Nair Lúcia de Britto é jornalista e poeta.
Eu, Nair Lúcia de Britto, nasci em Joanópolis (SP). Meu primeiro contato com as letras foi através do meu pai, que também era poeta, Arthur José dos Reis Britto.

Passei toda minha infância em Santos(SP), o que talvez explique minha paixão pelo mar... Em vez de me contar histórias, meu pai declamava versos dos poetas clássicos, e eu adorava...

Quando cursei o Clássico, eu me sobressaía em Literatura e aprendi muito com a minha professora: Sara Capellari.

Formei-me em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em 1977, em São Paulo (SP.) E meu primeiro emprego foi na revisão da Folha de São Paulo. Posteriormente trabalhei na Editora Nova Cultural, preparando textos de livros e revistas.

Escrevi vários textos infantis, publicados na Folhinha de S. Paulo; comentários de livros e filmes para a revista “Contigo”; e crônicas, publicadas na Folha da Tarde (SP) na coluna do jornalista Mário de Morais.

Ao escrever meu primeiro conto “A Virgem Marina”, fui muito incentivada pelo jornalista e escritor Wladir Duppont, que na década de 80 era o editor da revista “Nova”. Escrevi então outros contos de amor, publicados em várias revistas da Editora Abril.

Em São Vicente(SP) fui repórter e cronista do jornal “Primeira Cidade”, onde recebi o estímulo do ex-prefeito da cidade, Antonio Fernando dos Reis, dono do jornal. A partir daí eu fui em frente... Além de prosas, passei a escrever também comentários de filmes de arte; publicados, atualmente, na revista virtual Partes.

Quanto às poesias... eu as escrevo desde a adolescência, mas somente agora comecei a divulgá-las em sites de literatura.

Não tenho nenhum livro publicado... mas ainda chego lá!

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