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Subi no ônibus e, ao entrar, tropecei numa mala enorme, deixada no corredor.
Quase fui parar, não sei onde... Perdi o equilíbrio, mas me sustentei a
tempo e, felizmente, não caí. Olhei para a dona da mala, com vontade de
dizer:
-- Não tinha um lugar melhor para colocar essa mala?
Mas me contive, e a censura ficou só no meu olhar.
Ela, a dona da mala, também não falou nada. Sentada ali, diante de mim, em
pé; apenas rebateu o meu olhar, como se quisesse me dizer com os olhos:
-- Quer conforto? Vá de táxi!
Após aquela rápida e, de certa forma hostil, troca de olhares, sentei-me num
banco que um gentil cavalheiro me ofereceu.
Então, pude observar melhor a moça da mala. Era uma moça simples, magra,
graciosa; tinha os cabelos pretos presos na nuca e um pouco alvoroçados;
como se tivesse saído de casa com pressa, sem muito tempo para se enfeitar.
Sobre a grande mala, a seu lado, havia uma outra maleta de lona e, sobre o
seu colo, mais duas sacolas de saco plástico, cheias.
Fiquei envergonhada da minha breve irritação. Não devia ser nada fácil pegar
um ônibus com toda aquela tralha. Certamente ela estava indo para a
rodoviária, de partida para algum lugar. Pelo semblante um tanto amargurado,
não era uma viagem que ela gostaria de fazer. Para onde iria? Por quê? Só
Deus sabe!
O ônibus estava cheio; durante o percurso, muitas pessoas iam em pé. O
motorista, talvez irritado por ter que prestar atenção no trânsito intenso e
ao mesmo tempo no troco que tinha de dar a cada passageiro que entrava e
pagava, dirigia aos trancos e barrancos...
Salve-se quem puder!
Num desses trancos mais avassaladores, um homem musculoso, desses que
freqüentam a academia para manter a forma viril, perdeu o equilíbrio e ia
caindo com tudo no colo da moça da mala.
Rapidamente, ela não deu outra... aparou-o com as mãos abertas e, como se
estivesse jogando uma partida de vôlei, arremessou-o pelo traseiro, para
frente.
A jogada foi brilhante! Ele se recompôs, ficando novamente em pé e,
rapidamente, segurou-se no corrimão do teto.
Quando eu dei por mim... eu estava dando uma enorme gargalhada!
É que foi uma cena muito engraçada, sem qualquer danos para quem quer que
seja.
A moça da mala, olhou pra mim e também riu. Ficava bem mais bonita,
sorrindo. O esportista também sorriu, e desceu do ônibus com um ar de
felicidade.
Afinal, não é sempre que uma moça bonita o tocava, tão intimamente...
Também logo cheguei ao meu destino, pensando:
“É! A vida com bom humor é bem melhor! Por maiores que sejam as
dificuldades, haverá sempre algum motivo para se sorrir...” |