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Os versos mais bonitos dedicados à
mulher foram cantados mil vezes em nostálgicas noites de serenata, em outros
tempos, outras décadas: “Tu és divina e graciosa; estátua majestosa do amor; por
Deus, esculturada e formada com ardor; da alma da mais linda flor...”
Da década de cinquenta para cá, a
mulher mudou: deixou de ser aquela princesinha educada apenas para ser a esposa
perfeita para o seu Príncipe Encantado, colocando toda sua vida em suas mãos.
O sonho de Cinderela foi pouco a
pouco se deparando com uma realidade bem diferente.
De repente, a mulher percebeu que
só ela poderia ser a responsável pela própria existência. Ser mãe e esposa, sim;
mas seus sonhos ocupavam um espaço maior, isto é, eram também o reconhecimento
da própria identidade, dos seus valores, seus ideais e do seu talento.
Através do trabalho e do estudo, a
maioria conquistou sua independência. A princípio eram só professoras. Tinha até
uma música que dizia: “Minha normalista linda; não pode casar ainda; pois não se
formou...”
Depois, passaram a ocupar outros
mercados de trabalho.
Mas as mulheres continuam as
eternas sonhadoras!
Qual é a mulher que não deseja um
homem para amar e ser amada? Muitas se entregam a esse sonho de Cinderela, sem
pensar que o Príncipe Encantado, na verdade, não existe. O que existe é um homem
de carne e osso que, como todo ser humano, tem seus defeitos; graves ou não;
depende.
A advogada Carla Perez Raccioppi,
assessora da Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher, de Santos, alerta a
mulher sobre os perigos que decorrem da escolha errada do parceiro. Segundo suas
próprias pesquisas, a violência à mulher ainda é onipresente, tem muitas formas,
e é universal.
Em nenhuma sociedade as mulheres
estão seguras ou são tratadas com direitos iguais aos do homem. É preciso fazer
valer esses direitos; repartir com os homens as tarefas da casa e a educação dos
filhos; conquistar o acesso a cargos de poder e de decisão, seja no setor
público ou privado.
A capacidade de intuição e a
sensibilidade da mulher podem conquistar um mundo melhor e mais justo. Porque a
violência e a força bruta usadas por alguns homens para manter o controle sobre
a outra pessoa é um método irracional e condenável, que a nada conduz de
positivo.
O que a especialista aconselha
para as jovens inexperientes, vítimas de violência, que buscam a Delegacia de
Mulher para pedir socorro, é que elas devem fugir dos homens explosivos,
excessivamente ciumentos, de temperamento difícil e dos usuários de droga. Para
esses tipos de homem a mulher é uma propriedade e não uma pessoa.
“A ocasião do namoro é a mais
propícia para que ela analise minuciosamente o homem que está escolhendo para
marido; para seu companheiro e para ser o pai do seu filho. Astuciosamente, ela
poderá reconhecer quando ela está sendo verdadeiramente amada ou se é um simples
objeto de desejo.”
A mulher deve saber reconhecer o
amor. O amor é um sentimento duradouro, não passa com o decorrer dos anos e nem
com as inevitáveis transformações físicas. Enquanto que o desejo físico é
passageiro, efêmero. Quer dizer, o objeto desse desejo é facilmente transferível
de uma pessoa para outra; basta que o outro objeto mostre-se mais atraente ou
mais interessante que o anterior.
Mulher! O amor não tem pressa!
Não acontece quando a gente quer
ou planeja. Chega inesperadamente, em qualquer fase da vida.
Enquanto o amor não chega, não se
desgaste ou desperdice seu tempo com relacionamentos fúteis, artificiais,
infrutíferos ou até nocivos à sua vida pessoal. Ocupe-se em estudar, não só para
evoluir intelectualmente como também para se realizar profissionalmente. A
independência financeira é uma arma poderosa para você ter condições de refazer
a sua vida, se o casamento fracassar; ou mesmo para você impor respeito e
sentir-se auto-suficiente.
O amor tem um papel muito
importante na vida de qualquer pessoa, mas é apenas uma parte e não um todo.
Lembre-se sempre que amar de
verdade é um bem-querer constante e discreto. É carinho, é ternura, é se
preocupar com o outro. É algo muito mais profundo e dignificante do que á busca
da própria felicidade... é querer fazer feliz a quem se ama!
Nair Lúcia de Britto
Poeta, Jornalista e Comentarista
de cinema |