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“Ninguém é de ninguém, na vida tudo passa. Ninguém é de ninguém, até quem
nos abraça”, bem diz a canção.
Na verdade o que une duas pessoas é o sentimento do amor, o carinho e o
respeito.
Esse amor não é bem aquele sentimento que nasce da convivência amigável
entre duas pessoas e supre o vazio da solidão, amenizado pela presença do
outro...
O amor também não é também aquela atração meramente física que produz o
desejo cego e impulsivo que culmina no ato sexual. Isso é paixão!
Na juventude é muito fácil confundir amor com paixão. Nos apaixonamos na
adolescência e acreditamos piamente que nunca mais seremos capazes de amar
ninguém e que, se perdermos esse amor, a vida também não terá mais sentido.
Ledo engano!
É assim que muitos casamentos precoces, movidos por uma intensa paixão,
acabam de repente!
Se por um lado a violenta paixão nos cega e apaga completamente a razão; por
outro, tem curta duração: dois anos; um pouco mais ou um pouco menos.
E vai acabar exatamente no momento em que nos apaixonamos por outra pessoa.
“A paixão não é exceso de amor, mas desequilíbrio da afetividade proveniente
da retenção de resíduos da animalidade, pela inércia estática nos porões do
Ser; leva aos crimes absurdos dos assassinatos por amor”, pondera o
jornalista, poeta e filósofo Herculano Pires, em seu livro “Pesquisa sobre o
Amor”.
“O amor, diz ele, é o clarim que convoca o ser para a existência. É o toque
de caixa que o arranca do mistério do não-ser.”
Na busca natural do “outro”, quando dois seres se encontram atraídos pelo
amor, ambos se fundem num só ser e esse sentimento permance inalterável
diante das dificuldades, dos contratempos da vida e permanecem imunes aos
efeitos da rotina e do envelhecimento.
Ninguém mais no mundo pode substituir qualquer um dos dois. Se um deles
morrer, o outro continuará fiel à sua memória até o final da vida.
Esse amor é fruto das afinidades, da sintonia perfeita existente entre eles,
quando ambos atingiram o mesmo grau de evolução espiritual. Não se desgasta
nunca, é uma chama que nunca mais se apaga...
Quanto mais o tempo passa, mais raizes cria.
As paixões, por sua vez, vão se sucedendo na juventude, umas após outras; e
se espaçando cada vez mais à medida que alcançamos a maturidade e a
sabedoria para reconhecer o verdadeiro amor.
Os crimes de amor nada têm a ver com o amor!
“São consequências de desregramentos sensoriais, com perda do equilíbrio
emocional e perturbações mentais.” “Matar por amor é um contra-senso; uma
criatura que ama não agride e nem fere o Ser amado, que é, para ela, objeto
de veneração”, continua Herculano Pires.
“O ciúme não procede do amor, mas do apego animal ao plano sensorial. O
animal é que ataca e fere por ciúme; nunca o homem, pois nele o Amor se
manifesta em ternura, adoração e consciência do valor do Ser amado.”
“As criaturas de sensibilidade humana não se deixam arrastar pelas paixões,
que pertencem ao plano dos instintos. A libido freudiana é o reservatório
profundo e escuro dos resíduos da animalidade. As sensações carnais se
alimentam dessas energias vitais que se confundem com as aspirações
transcendentes do Amor na mente conturbada, que as toxinas da paixão
desligam do controle superior da Razão.”
Dessa forma, ele afirma que “o crime passional pode ser definido como um
caso de possessão infra-anímica, em que o criminoso é possuído por sua
personalidade arcáica, em razão da falência de sua personalidade atual, no
delírio das sensações inferiores.”
A Escola ensina a ler, a escrever, Geografia, História, Matemática e tudo
mais; mas não prepara o ser humano para vida, não o ensina a lidar com a
sexualidade; não mostra a necessidade de controlar seus instintos e suas
emoções; não cultiva o seu espírito para o processo paulatino da evolução.
Essa tarefa fica a cargo dos pais; contudo, muitos pais por sua vez também
são despreparados; até têm boa vontade, mas não sabem o que fazer, o que
dizer para seus teimosos filhos. E a mídia, em muitos casos, ensina tudo
errado; em vez de educar, infelizmente deseduca.
Os filmes de violência incentivam a barbárie.
Em
seu livro “Ninguém é de Ninguém”, a autora Zíbia Gaspareto comenta:
“Há quem pense que sentir ciúme é provar que se ama ardentemente. Até
descobrir que ele transforma sua vida amorosa em uma dolorosa tragédia que
termina em amarga separação.”
A pessoa apaixonada, “luta para ser dona do outro, como se gostar lhe desse
esse direito.”
A escritora narra em seu romance, inspirado por Lucius, uma história para
que as pessoas reflitam sobre seus sentimentos e aprendam a distinguir entre
o falso e o verdadeiro amor.
Quer mostrar que a vida é um constante exercício do autodomínio de nossas
fraquezas. Apenas sabendo vencê-las será possível alcançar a Felicidade!
NÃO É PRECISO ESPERAR ENVELHECER, NEM SOFRER, “PARA DESCOBRIR QUE, NA VIDA,
NÃO POSSUÍMOS NINGUÉM A NÃO SER A NÓS MESMOS!”
NAIR LÚCIA DE BRITTO
JORNALISTA.
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