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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 13 de julho de 2009 21:53:28                                               

 
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CRÔNICAS

Ninguém é de ninguém

Nair Lúcia de Britto

publicado em 26/10/2008

 

“Ninguém é de ninguém, na vida tudo passa. Ninguém é de ninguém, até quem nos abraça”, bem diz a canção.

Na verdade o que une duas pessoas é o sentimento do amor, o carinho e o respeito.

Esse amor não é bem aquele sentimento que nasce da convivência amigável entre duas pessoas e supre o vazio da solidão, amenizado pela presença do outro...

O amor também não é também aquela atração meramente física que produz o desejo cego e impulsivo que culmina no ato sexual. Isso é paixão!

Na juventude é muito fácil confundir amor com paixão. Nos apaixonamos na adolescência e acreditamos piamente que nunca mais seremos capazes de amar ninguém e que, se perdermos esse amor, a vida também não terá mais sentido.

Ledo engano!

É assim que muitos casamentos precoces, movidos por uma intensa paixão, acabam de repente!

Se por um lado a violenta paixão nos cega e apaga completamente a razão; por outro, tem curta duração: dois anos; um pouco mais ou um pouco menos.

E vai acabar exatamente no momento em que nos apaixonamos por outra pessoa.

“A paixão não é exceso de amor, mas desequilíbrio da afetividade proveniente da retenção de resíduos da animalidade, pela inércia estática nos porões do Ser; leva aos crimes absurdos dos assassinatos por amor”, pondera o jornalista, poeta e filósofo Herculano Pires, em seu livro “Pesquisa sobre o Amor”.

“O amor, diz ele, é o clarim que convoca o ser para a existência. É o toque de caixa que o arranca do mistério do não-ser.”

Na busca natural do “outro”, quando dois seres se encontram atraídos pelo amor, ambos se fundem num só ser e esse sentimento permance inalterável diante das dificuldades, dos contratempos da vida e permanecem imunes aos efeitos da rotina e do envelhecimento.

Ninguém mais no mundo pode substituir qualquer um dos dois. Se um deles morrer, o outro continuará fiel à sua memória até o final da vida.

Esse amor é fruto das afinidades, da sintonia perfeita existente entre eles, quando ambos atingiram o mesmo grau de evolução espiritual. Não se desgasta nunca, é uma chama que nunca mais se apaga...

Quanto mais o tempo passa, mais raizes cria.

As paixões, por sua vez, vão se sucedendo na juventude, umas após outras; e se espaçando cada vez mais à medida que alcançamos a maturidade e a sabedoria para reconhecer o verdadeiro amor.

Os crimes de amor nada têm a ver com o amor!

“São consequências de desregramentos sensoriais, com perda do equilíbrio emocional e perturbações mentais.” “Matar por amor é um contra-senso; uma criatura que ama não agride e nem fere o Ser amado, que é, para ela, objeto de veneração”, continua Herculano Pires.

“O ciúme não procede do amor, mas do apego animal ao plano sensorial. O animal é que ataca e fere por ciúme; nunca o homem, pois nele o Amor se manifesta em ternura, adoração e consciência do valor do Ser amado.”

“As criaturas de sensibilidade humana não se deixam arrastar pelas paixões, que pertencem ao plano dos instintos. A libido freudiana é o reservatório profundo e escuro dos resíduos da animalidade. As sensações carnais se alimentam dessas energias vitais que se confundem com as aspirações transcendentes do Amor na mente conturbada, que as toxinas da paixão desligam do controle superior da Razão.”

Dessa forma, ele afirma que “o crime passional pode ser definido como um caso de possessão infra-anímica, em que o criminoso é possuído por sua personalidade arcáica, em razão da falência de sua personalidade atual, no delírio das sensações inferiores.”

A Escola ensina a ler, a escrever, Geografia, História, Matemática e tudo mais; mas não prepara o ser humano para vida, não o ensina a lidar com a sexualidade; não mostra a necessidade de controlar seus instintos e suas emoções; não cultiva o seu espírito para o processo paulatino da evolução.

Essa tarefa fica a cargo dos pais; contudo, muitos pais por sua vez também são despreparados; até têm boa vontade, mas não sabem o que fazer, o que dizer para seus teimosos filhos. E a mídia, em muitos casos, ensina tudo errado; em vez de educar, infelizmente deseduca.

Os filmes de violência incentivam a barbárie.

 

Em seu livro “Ninguém é de Ninguém”, a autora Zíbia Gaspareto comenta:

“Há quem pense que sentir ciúme é provar que se ama ardentemente. Até descobrir que ele transforma sua vida amorosa em uma dolorosa tragédia que termina em amarga separação.”

A pessoa apaixonada, “luta para ser dona do outro, como se gostar lhe desse esse direito.”

A escritora narra em seu romance, inspirado por Lucius, uma história para que as pessoas reflitam sobre seus sentimentos e aprendam a distinguir entre o falso e o verdadeiro amor.

Quer mostrar que a vida é um constante exercício do autodomínio de nossas fraquezas. Apenas sabendo vencê-las será possível alcançar a Felicidade!

NÃO É PRECISO ESPERAR ENVELHECER, NEM SOFRER, “PARA DESCOBRIR QUE, NA VIDA, NÃO POSSUÍMOS NINGUÉM A NÃO SER A NÓS MESMOS!”

 

NAIR LÚCIA DE BRITTO

JORNALISTA.

 

 
 
  

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