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ISSN 1678-8419         última atualização em: terça-feira, 16 de outubro de 2007 21:16:03                                               

 
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CRÔNICAS

Paulo Autran, o Senhor dos Palcos

   

Nair Lucia de Britto

publicado em 16/10/2007

 

“A felicidade depende muito da gente... Só nós podemos construí-la. Se quisermos, podemos ser felizes até o final da vida...!”, declarou Paulo Autran, depois de uma apresentação do seu último espetáculo no teatro: “O Avarento”, de Molière. Grande sucesso que o deixou especialmente feliz!

No cinema, “O Dia em que meus Pais Saíram de Férias, também foi um filme glorioso; tanto que foi indicado para concorrer ao Oscar, como melhor filme estrangeiro.

Pessoa extremamente agradável, excelente companhia na roda entre amigos, dono de um bom humor invejável, simples, inteligente; e profissional ardente e dedicado; tudo isso somado ao seu grande talento artístico e força de vontade o levou a ser chamado, merecidamente, de “O Senhor dos Palcos”.

Um eterno sonhador, porque o sonho não tem idade...

“Quando a gente deixa de ter sonhos é melhor deixar de existir!”, ele dizia. Por isso, passou toda a sua vida sonhando, e o que é ainda melhor: realizando todos os seus sonhos. Pois batalhava e acreditava neles!

Foi Tônia Carrero quem o conduziu carinhosamente, pela mãos para adentrar nesse mundo que viria a ser seu maravilhoso mundo de sonhos! E do qual nunca mais saiu...

Isso aconteceu em 1949, quando Paulo Autran pensava em ser diplomata, após concluir o curso de Direito na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Mas a carreira de advogado o desapontava, quando a bela atriz o convidou para participar da peça “Um Deus dormiu lá em Casa”. A princípio, ele não levou o convite a sério, pois era um simples amador nas horas de folga. Ela, porém, insistiu e ele acabou aceitando. O êxito do espetáculo o fascinou; e foi assim que ele descobriu seu verdadeiro caminho!

No rádio, ele lia crônicas ao lado de Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meirelles e Dinah Silveira de Queiroz, considerados a nata da inteligência do Rio de Janeiro, na década de 50.

Teve uma participação especial no filme de Glauber Rocha, “Terra em Transe”, um clássico do cinema brasileiro. E na televisão, destacou-se pela interpretação na novela “Guerra dos Sexos”, atuando ao lado de Fernanda Monte Negro. Mas sua grande paixão era o teatro!

“O Avarento” (2006) foi sua 90a. peça teatral e atuou nela, mesmo quando os problemas de saúde o queriam barrar. Trabalhou com amor, com afinco e entusiasmo até que as forças lhe permitissem... Até que Deus veio lhe buscar, para entrar com glória na espiritualidade.

Partiu aos 85 anos de idade, na tarde de 12 de outubro de 2007, deixando aos brasileiros um exemplo incomparável de cidadão, de um belo ser humano e, sobretudo, de um grande e valoroso artista!. Orgulho do nosso Brasil.


 

NAIR LÚCIA DE BRITTO

Poeta e Jornalista


 

TEATRO

1949 - Um Deus Dormiu lá em Casa

1952 – Antigone

1956 – Otelo; de Willian Shakesperare

1962 – My Fair Lady

1965 – Liberdade, Liberdade; de Millôr Fernandes

1967 – Édipo Rei

1971 – O Homem de La Mancha

1976 – A Morte do Caixeiro Viajante

1989 – A Vida de Galileu

1996 – Rei Lear; de Willian Shakespeare

2002 – Variações Enegmáticas de Eric

2005 – Advinhe quem Vem para Rezar

2006 – O Avarento


 

CINEMA


 

199 - Tiradentes

2006 – O Ano em que meus Pais Saíram de Férias

2006 – A Máquina

entre outros...


 

TELEVISÃO

1960 – Gabriela, Cravo e Canela (novela)

1998 – Hilda Furacão (minissérie)

2004 – Um Só Coração (minissérie)

entre outros

 
  

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Nair Lúcia de Britto é poeta e jornalista.

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