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Uma serpente malvada quando viu que
um pequeno inseto, como o vagalume, tinha a capacidade de produzir luz,
começou a persegui-lo. Fria e calculista a serpente não atinava que o fato
de iluminar e poder controlar a sua luz, era um dom.

LUSTRAÇÃO: www.cimiltuparetama.blogspot.com
Isto é, através de uma substância
chamada luciferina é que ocorria a
bioluminescência: processo pelo qual o vagalume controla
a sua luz pelo tempo que ele quer.
Assim, o inseto usava a
sua luminosidade para se defender de
algum predador que, tomado de susto, afastava-se.
Mas não era só isso, não... Quando
estava apaixonado (época da
reprodução) ele também se enchia de
luz para atrair o seu amor.
De bobo ele não tinha nada!...
Mas, agora, ele não sabia o que fazer
com aquela serpente que
não estava nem um pouco assustada e
queria abocanhá-lo de qualquer jeito! Só lhe restava voar o mais rápido
possível. Foi o que o vagalume fez.
Mas a serpente era esperta; sabia que
o vagalume era apenas um
frágil inseto e logo perderia suas
forças. Daí porque ela não desistia...
Com medo da serpente predadora, o
vagalume voava o mais rápido que suas forças lhe permitiam. Fugiu um dia
todo, mas quanto mais ele voava, mais a serpente o perseguia. Mas ele não se
deixava vencer...
Fugiu um dia, dois, três... e nada! O
vagalume já estava exausto, mas a serpente não se cansava!
Até que o vagalume parou de bater
suas asas pequeninas, completamente vencido! Quando se viu derrotado diante
de sua feroz inimiga, o vaga-lume suplicou-lhe:
-- Espere! Por favor, espere! Você
venceu! Mas antes de fazer-me alguma maldade, pode responder a três
perguntas?
-- Não costumo dar explicações às
minhas vítimas. Mas vá lá que seja! O que você quer saber?
-- Eu pertenço à sua cadeia
alimentar?
-- Não.
-- Do que você quer se vingar, se eu
nunca te fiz nada?
-- De fato não tenho motivos para uma
vingança.
O vagalume fez silêncio, sem
conseguir entender nada... Irritada e impaciente a serpente perguntou:
-- Qual é a terceira pergunta?
Responda logo! Estou ansiosa
para te devorar!
O vagalume então arriscou-se à
terceira e última pergunta, sua última esperança de sobreviver:
-- Se eu não pertenço a sua cadeia
alimentar, se eu nunca te
fiz nenhum mal... por que você quer me devorar?
Lançando-lhe um olhar furioso, a
serpente respondeu:
-- É porque eu não posso brilhar como
você!
-- Mas essa luz que eu tenho foi um
dom que Deus me deu. Para cada pessoa Deus oferece um dom diferente. Tenho
certeza que você também tem o seu.
-- E qual é meu dom? -- A serpente
riu, sarcástica.
-- Ora! Você é uma grande predadora
de roedores e se alimenta de
filhotes de cobras venenosas e, dessa forma, é capaz de manter um perfeito
equilíbrio ecológico no seu habitat. Por isso é útil à Natureza...
A serpente ficou pensativa... nunca
tinha pensado nisso. Enquanto isso, o vagalume, já refeito do cansaço, voou
para longe!
Feliz da vida! Porque, além de
conseguir se salvar, tinha feito a boa ação do seu dia: perdoar e retribuir
o mal com o bem.
(Uma adaptação da Parábola do
mesmo nome)
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