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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011 19:59:11                                               

 
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CRÔNICAS

A serpente e o vagalume

Nair Lúcia de Britto
publicado em 10/02/2011

Uma serpente malvada quando viu que um pequeno inseto, como o vagalume, tinha a capacidade de produzir luz, começou a persegui-lo. Fria e calculista a serpente não atinava que o fato de iluminar e poder controlar a sua luz, era um dom.

 


LUSTRAÇÃO: www.cimiltuparetama.blogspot.com

 

 

Isto é, através de uma substância chamada luciferina é que ocorria a bioluminescência: processo pelo qual o vagalume controla

 

a sua luz pelo tempo que ele quer. Assim, o inseto usava a

 

sua luminosidade para se defender de algum predador que, tomado de susto, afastava-se.

 
 

Mas não era só isso, não... Quando estava apaixonado (época da

 

reprodução) ele também se enchia de luz para atrair o seu amor.

 

De bobo ele não tinha nada!...
 

 

Mas, agora, ele não sabia o que fazer com aquela serpente que

 

não estava nem um pouco assustada e queria abocanhá-lo de qualquer jeito! Só lhe restava voar o mais rápido possível. Foi o que o vagalume fez.

 

 

Mas a serpente era esperta; sabia que o vagalume era apenas um

 

frágil inseto e logo perderia suas forças. Daí porque ela não desistia...

 

 

 

Com medo da serpente predadora, o vagalume voava o mais rápido que suas forças lhe permitiam. Fugiu um dia todo, mas quanto mais ele voava, mais a serpente o perseguia. Mas ele não se deixava vencer...

 

 

 

Fugiu um dia, dois, três... e nada! O vagalume já estava exausto, mas a serpente não se cansava!

 


 

Até que o vagalume parou de bater suas asas pequeninas, completamente vencido! Quando se viu derrotado diante de sua feroz inimiga, o vaga-lume suplicou-lhe:


 

 

-- Espere! Por favor, espere! Você venceu! Mas antes de fazer-me alguma maldade, pode responder a três perguntas?
 

 

-- Não costumo dar explicações às minhas vítimas. Mas vá lá que seja! O que você quer saber?
 

 

-- Eu pertenço à sua cadeia alimentar?
 

 

-- Não.
 

 

-- Do que você quer se vingar, se eu nunca te fiz nada?
 

 

-- De fato não tenho motivos para uma vingança.


 

 

O vagalume fez silêncio, sem conseguir entender nada... Irritada e impaciente a serpente perguntou:
 

 

-- Qual é a terceira pergunta? Responda logo! Estou ansiosa para te devorar!


 

 

O vagalume então arriscou-se à terceira e última pergunta, sua última esperança de sobreviver:

 

-- Se eu não pertenço a sua cadeia alimentar, se eu nunca te fiz nenhum mal... por que você quer me devorar?
 

 

Lançando-lhe um olhar furioso, a serpente respondeu:

 

-- É porque eu não posso brilhar como você!

 

-- Mas essa luz que eu tenho foi um dom que Deus me deu. Para cada pessoa Deus oferece um dom diferente. Tenho certeza que você também tem o seu.

 

-- E qual é meu dom? -- A serpente riu, sarcástica.

 

-- Ora! Você é uma grande predadora de roedores e se alimenta de filhotes de cobras venenosas e, dessa forma, é capaz de manter um perfeito equilíbrio ecológico no seu habitat. Por isso é útil à Natureza...

 


 

A serpente ficou pensativa... nunca tinha pensado nisso. Enquanto isso, o vagalume, já refeito do cansaço, voou para longe!

 


 

Feliz da vida! Porque, além de conseguir se salvar, tinha feito a boa ação do seu dia: perdoar e retribuir o mal com o bem.


 

(Uma adaptação da Parábola do mesmo nome)

 
  

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