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A constatação de que
não se pode controlar tudo, nem deter todo o conhecimento é ameaçadora
ao egocêntrico e pseudo onipotente. A vida proporciona informação,
conhecimento e sabedoria para quem está aberto à compreensão do mundo,
lendo-o ampla e sabiamente. Sempre haverá outro ser humano conhecedor de
algo que não imaginamos; sempre teremos um conhecimento que o outro
desconhece. A compreensão desse movimento de troca, de não estagnação
dos relacionamentos, leva à evolução da humanidade. Os outros, não são
melhores nem piores do que nós: são apenas diferentes. As opiniões deles
não são melhores nem piores que as nossas: são apenas diferentes. As
diferenças, são os nossos contrapontos. São janelas que se abrem para as
percepções necessárias do momento em que vivemos. Adaptação, adequação
são possibilidades desenvolvidas na convivência com nossos pares. A
força energética do entendimento das diferenças resultará no equilíbrio.
Podemos escolher que as diferenças nos alienem ou nos integrem. Podemos
ser estúpidos ou sábios, felizes ou infelizes.
Não há dois movimentos, o nosso e o “deles”: o movimento é único,
contínuo e deve ser inclusivo. Precisamos mudar o foco, reinventar a
nossa existência, procurar o equilíbrio, deixar a estupidez de lado. A
verdade liberta de dentro para fora, jamais o contrário. Janelas se
abrem quando aceitamos que a Vida é maior do que nós. Que a natureza não
exclui ninguém. Que a consciência da inclusão deve permear a vida em
grupo. Que é necessário respeito pelos movimentos que fluem através das
pessoas, pelo conhecimento intuitivo que cada uma tem dos ciclos
cósmicos onde tudo está inserido. O ser humano é uma preciosidade, com
informações e conhecimentos a serem absorvidos pelos demais, numa
dinâmica constante, geradora de equilíbrio. E de Paz. A re-significação
do que o outro é para nós, do que somos para o outro, leva-nos à
compreensão dos movimentos humanos. Janelas se abrem quando todos
tivermos oportunidades e pertencermos à mesma coletividade.
Do rico ao mendigo, do sábio ao ignorante, do letrado ao analfabeto, o
que nos comove ou irrita neles é reflexo do nosso ego. Somos espelhos
uns dos outros; somos o nosso próximo e ele reflete-se em nós. A onda
energética deve sair da casca claustrofóbica do medo de espelhar-se, de
reconhecer-se. Há de se ter coragem para expor-se, para olhar o outro e
enxergar-se nele! Nascemos e renascemos a cada vez que nos abrimos para
a Vida, livrando-nos do ranço do não envolvimento, do preconceito, da
arrogância, da presunção. Essa lufada de juventude não é questão
cronológica, mas de atitude. Não basta existir: é preciso ser. Ser no
mundo com os outros, nossos próximos, nossos semelhantes. O não
envolvimento com o outro, o não comprometimento com a Vida, gera
violência, conflitos, desastres sociais e ecológicos, a quebra da
harmonia, a ruptura com o Universo. Somos um todo formado por bilhões de
partes. Se uma delas é afetada, quebra-se a harmonia e abalam-se todas
as outras num gigantesco efeito dominó, gerando misérias físicas,
sociais e morais. Vivemos para ver (entender) e porque vemos
(entendemos) vivemos? Nosso prazo de validade está expirando e a jornada
é longa. Temos condições de dar o primeiro passo? Não estamos nesta vida
a passeio. Cada um de nós tem relevância no destino dos demais.
Agüentaremos tanta responsabilidade?
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