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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 05 de janeiro de 2008 17:17:57                                               

 
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CRôNICAS

Sobre janelas e espelhos

   

Neiva Pavesi

publicado em 05/01/2008

A constatação de que não se pode controlar tudo, nem deter todo o conhecimento é ameaçadora ao egocêntrico e pseudo onipotente. A vida proporciona informação, conhecimento e sabedoria para quem está aberto à compreensão do mundo, lendo-o ampla e sabiamente. Sempre haverá outro ser humano conhecedor de algo que não imaginamos; sempre teremos um conhecimento que o outro desconhece. A compreensão desse movimento de troca, de não estagnação dos relacionamentos, leva à evolução da humanidade. Os outros, não são melhores nem piores do que nós: são apenas diferentes. As opiniões deles não são melhores nem piores que as nossas: são apenas diferentes. As diferenças, são os nossos contrapontos. São janelas que se abrem para as percepções necessárias do momento em que vivemos. Adaptação, adequação são possibilidades desenvolvidas na convivência com nossos pares. A força energética do entendimento das diferenças resultará no equilíbrio. Podemos escolher que as diferenças nos alienem ou nos integrem. Podemos ser estúpidos ou sábios, felizes ou infelizes.

Não há dois movimentos, o nosso e o “deles”: o movimento é único, contínuo e deve ser inclusivo. Precisamos mudar o foco, reinventar a nossa existência, procurar o equilíbrio, deixar a estupidez de lado. A verdade liberta de dentro para fora, jamais o contrário. Janelas se abrem quando aceitamos que a Vida é maior do que nós. Que a natureza não exclui ninguém. Que a consciência da inclusão deve permear a vida em grupo. Que é necessário respeito pelos movimentos que fluem através das pessoas, pelo conhecimento intuitivo que cada uma tem dos ciclos cósmicos onde tudo está inserido. O ser humano é uma preciosidade, com informações e conhecimentos a serem absorvidos pelos demais, numa dinâmica constante, geradora de equilíbrio. E de Paz. A re-significação do que o outro é para nós, do que somos para o outro, leva-nos à compreensão dos movimentos humanos. Janelas se abrem quando todos tivermos oportunidades e pertencermos à mesma coletividade.

Do rico ao mendigo, do sábio ao ignorante, do letrado ao analfabeto, o que nos comove ou irrita neles é reflexo do nosso ego. Somos espelhos uns dos outros; somos o nosso próximo e ele reflete-se em nós. A onda energética deve sair da casca claustrofóbica do medo de espelhar-se, de reconhecer-se. Há de se ter coragem para expor-se, para olhar o outro e enxergar-se nele! Nascemos e renascemos a cada vez que nos abrimos para a Vida, livrando-nos do ranço do não envolvimento, do preconceito, da arrogância, da presunção. Essa lufada de juventude não é questão cronológica, mas de atitude. Não basta existir: é preciso ser. Ser no mundo com os outros, nossos próximos, nossos semelhantes. O não envolvimento com o outro, o não comprometimento com a Vida, gera violência, conflitos, desastres sociais e ecológicos, a quebra da harmonia, a ruptura com o Universo. Somos um todo formado por bilhões de partes. Se uma delas é afetada, quebra-se a harmonia e abalam-se todas as outras num gigantesco efeito dominó, gerando misérias físicas, sociais e morais. Vivemos para ver (entender) e porque vemos (entendemos) vivemos? Nosso prazo de validade está expirando e a jornada é longa. Temos condições de dar o primeiro passo? Não estamos nesta vida a passeio. Cada um de nós tem relevância no destino dos demais. Agüentaremos tanta responsabilidade?
 

 

 

 
  

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 Neiva Pavesi é escritora, educadora, promotora de leitura, divulgadora cultural, escritora, coordenadora do Grupo Cantigas Praianas e de Concertos de Leitura

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