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Junto aos
primeiros raios de sol acordamos para mais um dia de batalha. Logo, entramos
nesse recital da vida moderna, demasiadamente recolhidos em nossas tocas,
repletas de armaduras. São temores por assaltos, sequestros, arrombamentos e
tantos verdadeiros e outros supostos males que nos afligem e muitas vezes
sequer se concretizam. Entretanto, não podemos abrir a guarda para a
possibilidade da ocorrência. Ao sair de nossas casas nos preocupamos se
fechamos todas as portas e janelas e enfrentamos o trânsito em mais uma
batalha, dentro de carros protegidos por alarmes e outros dispositivos de
segurança; onde o perigo pode estar em qualquer esquina. Não esquecendo do
aparelho celular, ferramenta que se tornou indispensável ao guerreiro da
vida moderna, a cada momento com mais funções adicionadas para combater o
bom combate. Será mesmo um bom combate?
O guerreiro da
vida moderna segue sintonizado e antenado para as novas informações, entre
tantas senhas, controles remotos, laptops e rápidas conexões. Porém, os dias
parecem mais curtos quando são extrapolados os limites da vida profissional
em detrimento da vida pessoal. Dominado por
projetos de
existência, resumidos ao interesse próprio, não consegue sair da restrita
área oferecida pelo individualismo. Conduzido por
prazos e
prestações, feitos na medida da sua ânsia em possuir cada vez mais, num
movimento incessante e desenfreado. Logo, considera uma perda do seu
precioso tempo ao fazer coisas que fujam um pouco da rotina diária, baseada
no binômio comprar e pagar. Que lacuna necessita ser impreterivelmente
preenchida e induz muitos de nós para a acumulação de bens materiais como a
finalidade primordial de uma vida?
O homem parece que
possui mais facilidades e controle sobre o mundo que o cerca, mas em
compensação está se afastando progressivamente do seu mundo interior. A
ambição em possuir entoa num ritmo forte, uma sinfonia de mesmo tom,
repetida por todos os cantos e que somos forçados a ouvir diariamente. São
inúmeros os apelos indicando que um automóvel novo pode levá-lo para o
caminho da felicidade, uma roupa da moda garante um bom desempenho pessoal
ou um cargo considerado importante pode atestar a sua competência; entre
tantas coisas e suposições que impedem viver de forma mais livre.
Diante desse ciclo
de ambições que se forma, parece que a normalidade está na inserção e
participação ativa. Fora desse ciclo não há vida? A propagada felicidade é
indicada pela aquisição de alguns objetos a mais, um punhado de dinheiro e
um carrinho de supermercado repleto. Penetrando nesse impiedoso ciclo
estamos sujeitos a sobrepor a matéria aos sentimentos, no qual as pessoas
tornam-se coisas para também para serem usadas e descartadas.
O guerreiro da
vida moderna está condicionado ao comando: viver é possuir! Subjugado pelo
desejo
de posse percebe-se mais imaturo do que consegue suportar. No decorrer desta
batalha surgem as doenças consideradas básicas da vida moderna, entre
estresse, dificuldade para dormir, distúrbios alimentares e outras que ainda
estão para surgir. A sociedade da competição não admite a tristeza ou a
frustração e pela busca da felicidade, vale qualquer artifício até a
felicidade da tarja preta, oferecida pelos antidepressivos, ansiolíticos,
tranquilizantes e estabilizadores de humor.
Nessa batalha
diária ao retornar para casa no final do trabalho e obter o merecido repouso
do guerreiro, vencedor de mais uma batalha da guerra pela vida, resta apenas
o cansaço; um inimigo nesta luta que o impede de tentar refletir sobre a sua
fatídica rotina. Ao deitar em sua
cama,
ainda
procura, em vão, não sonhar com seus competidores reais ou meros fantasmas
da vida moderna. |