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O Monstro que assusta criancinhas |
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Marcello Ricardo
Almeida |
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publicado em
07/09/2011 |
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O MONSTRO QUE
ASSUSTA CRIANCINHAS:
fracasso
escolar, pedagogia do opressor, conselho
de classe,
avaliação e os seus percalços ou
dois-pra-lá-e-dois-pra-cá!
Marcello Ricardo Almeida [1]
Resumo
Este paper sobre o monstro que assusta criancinhas procura identificar os
ruídos nos espaços escolares do início do século XXI. Toda escola
possui um processo natural de renovação, de autorrenovação, de encorajamento,
de troca de saberes e provocações na construção do conhecimento. Os atores
no cenário escolar se desafiam e querem qualidade na educação como esperança
de inserção da juventude no mercado de trabalho, inserção nos espaços
sociais de maneira ética e legal.
E se no meio do caminho houver uma pedra?
Introdução
Pedagogia do Opressor – O que é opressão? Oprimir não é
alguém que sufoca, que dificulta, que persegue, que molesta, que
sobrecarrega, que incomoda, que violenta? Além destas, outras hipóteses:
Quantos estudantes não reclamaram de seus professores por causa de
perseguições gratuitas? Quantos estudantes não tiveram a sensação de sufoco
em sala de aula? Acaso alguém nunca ouviu falar das dificuldades impostas,
graciosamente, só pelo prazer de sobrecarregar, de incomodar? A isto se
denominapedagogia do opressor [2] (um
contraponto com Freire, da Pedagogia do Oprimido). Alguém que exerce poder
sobre alguma coisa considera mais cômodo controlar por meio da exasperação,
da fúria, do grito. Ignora que todos nós temos ideias, sentimentos e
determinações.
Psicologia Pedagógica – Educar é motivar, é desenvolver
as aptidões de cada um. Cada um possui ideias, sentimentos e determinações
ao seu modo. Faz parte da constituição humana. No lugar da pedagogia do
opressor, a psicologia pedagógica, pois esta não oprime, não dificulta, não
persegue, não sobrecarrega, não molesta, não incomoda, não violenta as
ideias, os sentimentos e as determinações inerentes ao ser humano. Teorias
educativas deterioram-se se alguns agentes pedagógicos optarem pela
coercitividade, pelo autoritarismo.
À espera
dum milagre e de que a avaliação escolar não seja um paradigma burguês
classificatório-sentencioso: Quais os métodos mais indicados para que a
avaliação não continue sendo o monstro que assusta criancinhas que não
querem comer as sopas de letras e números?
Têm-se a sensação de que os anos passam, os teóricos
estudam, aumentam os entendimentos sobre a Educação, investem-se verbas
a-s-t-r-o-n-ô-m-i-c-a-s ao fazer Pedagógico, contudo, o passo da dança
continua o mesmo: dois-prá-lá-e-dois-prá-cá!
A academia acaso se deu conta de trancar O Monstro da
Avaliação num calabouço sem chave? Estamos sempre discutindo que a avaliação
deverá ser processual. Mas, que processo é esse que serve de base à
Avaliação?
Fracasso na aprendizagem
Não é um processo unilateral a avaliação, onde o
professor valora o aluno segundo o que o aluno se expressou em determinado
momento para, em seguida, aplicar-lhe sentença terminativa. Avaliação existe
para possibilitar o aperfeiçoamento do ensino-aprendizagem, ou seja,
aperfeiçoar o processo primeiro de quem ensina e depois de quem aprende. E
aferir o desempenho de ambos (professor e aluno). Do professor, quanto ao
desempenho (seguindo a legislação, currículo, PPP e Plano de Aula) e a
transmissão de competências e conhecimentos; do aluno, por sua via, quanto à
apropriação dessas competências e conhecimentos. Avaliação não como valor de
troca.
Portanto, avaliação, teórico-metodológica e legalmente,
só terá validade se for diagnóstica, processual e inclusiva. Não raro, o
aluno é apontado como único responsável por seu fracasso na aprendizagem,
quando o professor atropela a etapa processual, e atropelando esta etapa, a
avaliação resta prejudicada, porque a avaliação só terá validade jurídica,
por exemplo, numa futura demanda judicial à procura de quem foi culpado (o
aluno ou o professor) se for processual (além de inclusiva e diagnóstica,
formativa, cumulativa e participativa). Avaliação não se dissocia de
recuperação na apropriação dos conhecimentos e das aprendizagens. Aprender
desde que significativamente.
Como alguns alunos veem a avaliação? Como bicho-de-sete-cabeças. Isto,
infelizmente, por causa de professores que aplicam avaliação para
amedrontarem os alunos (até mesmo como uma ameaça ou uma pressão) ou porque
o professor autoritário, despótico, injusto deseja saciar o seu sentimento
de vingança e, consequentemente, reprovar o aluno. Neste ínterim, o aluno
reprovado candidata-se a evasão escolar (isto ocorre em todos os níveis de
ensino, a saber: fundamental, médio, graduação, especialização, mestrado
etc.) e as implicações serão as mais inusitadas. Fiquemos, por exemplo, com
alunos do ensino fundamental; este aluno que o professor se descuidou dele
ou o perseguia, gratuitamente, em regra, transformar-se-á numa incógnita no
mercado de trabalho. Como será sua inserção no mercado de trabalho? E o pior
de tudo, às vezes, por única e exclusiva colaboração do professor que tem o
poder da caneta e da palavra, que tinha as ferramentas para ajudar o aluno e
o prejudicou: Como será a inserção deste aluno, que desistira da escola no
ensino fundamental, agora, nos espaços
sociais?
Permito-me a usar outro clichê: este assunto dá pano pra manga. Tem como
remediar esta situação? Tem. Desde que a avaliação cumpra o seu papel ético,
legal, teórico-metodológico e social.
Conselho de classe
O ensino só existe, concretamente, se houver do outro lado a resposta da
aprendizagem, pois, lembrando Freire (1999) "se não aconteceu aprendizagem,
não ocorreu ensino". Como avaliar o aluno que não aprendeu, não teve
feedback, nem recuperação paralela, muito menos oportunidade de reavaliação?
O professor não pode lavar as mãos neste caso. Como avaliar? Avaliar com
aspectos qualitativos sobre os quantitativos. Avaliar com um novo caminho,
com ações pedagógicas ressignificadas. A
proposta é o debate às práticas retrógradas e contraproducentes em muitas
escolas, isto, para se chegar ao que a escola deverá vir a ser e, como
fundamento epistemológico, o poema CONSELHO DE CLASSE, pois no espaço do
conselho de classe mais se falam em problemas e menos em soluções aos
problemas:
Dias das
casmurrices
dos
conselhos de classe.
Sofressores
com o amuamento
de sempre,
os macilentos.
Carregados
mais de notas
vermelhas e
menos de notas
azuis, como
se dizia
no passado.
Principia-se
a longa e
lamurienta
leitura. O
rol dos alunos
na grande
mesa escolar:
Mário, irmão
de Maria,
ao que se
ouve dum canto:
“Leva a vida
na flauta,
o folgazão”.
Que tem feito
por ele a
Pedagogia? “Nada”.
E Mônica, a
grávida
e viciada,
melhorou?
Continua
queixosa;
a faltosa só
aprendeu
a reclamar.
E Reginaldus?
Não tem
nota. Sheila?
é boa aluna.
Muito boa.
Aluna de um.
Um é exíguo
por demais
de nota. Dê-lhe
dois, apesar
dela ser fraca,
mais fraca
que caldo de batata.
É tudo peso
pena. Um bico
de gás
bruxuleante, bem dizer.
Por ameaça
de ausência de luz,
eis o
ensurdecedor sinal.
Acabou-se
nossa reunião bimestral.
Toda
criança chega à escola cheia de criatividade. Inclusive, a liberdade de
criação é uma das vantagens legais da criança e do adolescente. Porém, com o
tempo, nas áreas do ensino fundamental e médio, para não se estender as
demais áreas, os métodos educativos se tornam áridos. Então, a criatividade
é sufocada. Só alguns discentes, alguns estudantes questionadores, sem medo
de enfrentarem problemas, conseguem atravessar o Saara do ensino-aprendizagem.
Na
escola autoritária é mais cômodo educar através da coerção e do
autoritarismo. Nunca pela persuasão. Porque tudo é impositivo. Desde o “faça-se!”
até o “cumpra-se!”. Em um ambiente, via de regra, sem diálogo; só monólogo.
Em nome da disciplina, dos rigores das avaliações, do silêncio, do medo.
Ignorando as atitudes orgânico-psicológicas das crianças e dos adolescentes.
No âmbito escolar, nenhuma forma de avaliação terá mão única.
A avaliação será sempre de mão dupla, isto é, a avaliação de quem avalia e a
avaliação de quem é avaliado. E nesta mão dupla se o cuidado não se
redobrar, usando esta metáfora do trânsito: espaço social violento, os
riscos e acidentes serão imprevisíveis.
Considerações finais
Cada sala de aula é um universo a ser contextualizado
(professores e alunos). Cada escola tem consciência das metodologias
adequadas? Os cyber espaços de audiovisuais são prolíferos em violência na
escola (ou sala de aula) cuja origem se deu (casos noticiados,
cotidianamente, nos veículos midiáticos) por causa de conflitos entre alunos
e professores ou vice-versa, por causa de notas, por causa de provas, por
causa de trabalhos escolares entregues fora do prazo, porque não se
entenderam (professores/alunos, alunos/professores) nas avaliações.
Acompanhando Freire (1999) "quanto mais criticamente se
exerça a capacidade de aprender tanto mais se constrói e desenvolve o que
venho chamando 'curiosidade epistemológica', sem a qual não alcançaremos o
conhecimento cabal do objeto. É isto que nos leva, de um lado, à crítica e à
recusa ao ensino bancário". Lamentável no cenário escolar os atores, ao
invés de concretizarem as teorias pedagógicas, fazerem a opção em dourar a
pílula.
Referências
bibliográficas
ALMEIDA,
Marcello Ricardo. A Ignorância
do Estudante: filosofia do direito estudantil com artigos referentes aos
direitos e responsabilidades na área educacional da seguinte legislação:
Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90), Constituição Federal de
1988, LDBN (Lei 9.394/96) um ensaio jurídico à educadores, alunos do ensino
básico (seus direitos e responsabilidades) e interessados em Ciências
Humanas, 1996.
ALMEIDA,
Marcello Ricardo. Uma Teoria
do Paradoxo: teoria literária e crítica ao estudo da literatura e da
arte como proposição analítica e autoanalítica aos novos leitores,
escritores, poetas e dramaturgos. 1999.
FREIRE, Paulo. Pedagogia
da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e
Terra, 1999.
HOFMANN, Jussara
Maria Lech. Avaliação
Mediadora: uma relação dialógica na construção do conhecimento. Educação
e Realidade: Porto Alegre, 2006.
[1] Autor
de Enfrentamento a
violência contra criança e adolescente: o que os país e profesores
precisam saber”, 2008. Dente outros: “Ética na escola: teoría e
prática no cotidiano escolar com peças de teatro sobre bullying, assédio
moral, fibromialgia, síndrome de Burnout etc.“, 2000. “Enfrentamento
a violência contra criança e adolescente: o que os país e profesores
precisam saber”, 2008.
[2] Texto
que escrevi em 1988 e publiquei em 1998 no livro “Ideias políticas de
filosofia educacional: uma proposta crítica mudando a estrutura
escolar autoritária da Escola Básica à Universidade, por uma escola
diferente, uma escola do diálogo, uma escola sem o medo de errar”.
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