O cinema
nacional protagonizou uma retomada depois da primeira metade da década
de 1990 a fase, do governo Collor em que foram extintos órgãos como a
Embrafilme, o Concine e a Fundação do Cinema Brasileiro, sem incentivos.
Na segunda metade desta mesma década e nesta primeira, e quase findada,
do século XXI temos em nosso cinema toda uma gama de representações e
reconstruções dos principais dilemas de nossa sociedade e também um
cinema atrelado aos programas e artistas que fazem sucesso na televisão
aberta que busca também o seu quinhão deste sucesso. O filme que estreou
em agosto de 2009, Os normais 2 - a noite mais maluca de todas, toma
este último caminho.
Originalmente a série Os normais foi exibida entre 2001 e 2003, com 71
episódios que alcançaram grande audiência. O primeiro longa, Os normais
- O filme, estreou em 2003 encampando um formato meio que comédia
romântica e o segundo, Os normais 2 - a noite mais maluca de todas,
chegou ás telas, em agosto de 2009, com direção de José Alvarenga Junior
e roteirização de Alexandre Machado e Fernanda Young, a mesma equipe da
série de TV. Produzido em parceria com a Globo Filmes, criada em 2002
pela Rede Globo com objetivo de atuar na produção e distribuição de
filmes nacionais, este também conta com a presença massiva de atores da
emissora da série original.
No filme
o casal Rui e Vani (Luís Fernando Guimarães e Fenanda Torres) se deparam
com o fato de que sua vida sexual está cada vez mais escassa e para
tentar resolver este problema resolvem aderir a uma relação sexual
envolvendo mais uma pessoa. Os dois iniciam então uma espécie de romaria
noturna, á procura de uma mulher bissexual, que rende boas risadas.
Entram em cena, então, atrizes badaladas de televisão interpretando
possíveis parcerias: uma prima do casal, (Drica Moraes) uma lutadora de
kickboxer, (Danielle Suzuki) uma prostituta, (Alinne Morais) que dopa o
casal e juntamente com um cúmplice rouba todos os seus móveis, e por fim
quando encontram uma mulher bissexual (Claudia Raia) não conseguem levar
a fim seu objetivo, terminando entalados os três numa banheira. A única
pessoa em condições de ajudar o trio, interpretada pelo ator Daniel
Dantas, exita em o fazer porque Rui não se lembra do seu nome. A
história termina com o casamento de Rui e Vani que eram noivos.
Uma das
características do cinema nacional, as pornochanchadas, da década de
1970, que fez uma parcela do público brasileiro estigmatizar este como
que de vocabulário indecente e vulgar era a excessiva utilização de
palavrões. Em Os normais 2 - a noite mais maluca de todas, isso também
vale para o primeiro filme da série, vemos uma enxurrada de fodas,
porras, caralhos, pirocas e xerecas que aproxima os diálogos de uma
linguagem de alcova não tão corriqueira em boa parte dos filmes
nacionais dos últimos anos. Se alguns destes buscaram fazer as pazes com
a parcela do público que não é afeito aos ditos palavrões, na tela do
cinema, Os normais 2 - a noite mais maluca de todas, figura mais como
uma bofetada na cara deste mesmo público, isto a considerar pela
variedade quantidade e naturalidade em que são pronunciadas as palavras
de “sacanagem” pouco quistas pelos ouvidos mais sensíveis.
Mesmo
tratando do ménage à trois, o filme em absoluto não é erótico, as
supostas cenas de sexo são mais engraçadas que sensuais. Essa temática
também não chega a ser polêmica, pois vivemos em um momento de liberação
sexual em que muitos casais aderem a este tipo de prática, existem casas
noturnas dedicadas a este público e a grande mídia está com seus
holofotes centrados no bissexualismo feminino. No filme é a personagem
Vani, com o objetivo de salvar a relação, que propõe a Rui realizarem
está prática e os dois então vão à casa da prima Silvinha, Drica Moraes,
que aceita a proposta, mas faz uma advertência, aos dois, que vai ao
encontro da opinião de muitos especialistas: depois de um Ménage à trois
muita coisa pode mudar na vida de um casal.