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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 09 de junho de 2011 21:12:53                                               
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CRôNICAS

Quando um sonho acaba...

Gilda E. Kluppel
publicado em 09/06/2011

“Os sonhos são uma pintura muda, em que a imaginação

a portas fechadas, e às escuras, retrata a vida e a alma de cada um,

com as cores das suas ações, dos seus propósitos e dos seus desejos.”
Padre Antônio Vieira

Necessitamos de sonhos para viver, através deles somos motivados e impulsionados, sem os quais como conservar a esperança? A resistência para a vida. Em alguns momentos pensamos dividir o sonho com outros, cometemos equívocos ao ver as pessoas abandonarem o sonho pelo meio do caminho. Existiu aquela famosa pedra no meio do caminho? Temos vontade de perguntar: por que desistiram e enveredaram por outros rumos? E o sonho em comum permanece apenas na lembrança, sentimos até saudades de algo que não existiu e sequer vivenciamos.

Ainda mais se este sonho foi acalentado por muito tempo e as expectativas cresceram com o passar dos dias. Parece que o sonho estava apenas dentro de nós, temos a sensação de uma chama que se apaga. Quando não se efetiva nos perdemos em meio a realidade que não comporta mais esse sonho. Vivíamos no mundo da ilusão? Podemos até nos sentir enganados ou que nossos sonhos foram roubados. Fica a impressão de que o chão não nos sustenta e somos invadidos pelo vazio e a angústia.

Precisamos de certos cuidados, essa ferramenta fundamental para as nossas vidas pode ser apropriada por algumas pessoas, capazes de simulações para levar a crer que são detentoras de ideais nobres, objetivando cativar adeptos. Munidas de propósitos escusos, na primeira oportunidade vendem os seus sonhos a qualquer preço. Quantas vezes as pessoas iludem, com o emprego de inúmeros artifícios, para fazer o outro sonhar e depois obter determinada vantagem? Ao sonhar estamos predispostos a acreditar na mudança, em algo positivo e concentramos as energias para a realização. Diante de tantas confianças depositadas e posteriormente frustradas chegamos a sentir receio em embarcar nos sonhos. Não significa temer por nossos sonhos, mas talvez estamos mais suscetíveis ao engano; existem diversas e adversas maneiras de sonhar e o que passa no íntimo do outro está distante da nossa frágil percepção.

Contudo, através do sonho as pessoas se unem e criam laços afetivos fortes ao compartilhar ideais e desejos; incitando um maior conhecimento de nossas possibilidades e limites. Quando crianças nos sentimos livres para todos os tipos de sonhos oferecidos pela vasta imaginação infantil. Ao tornarmos adultos acreditamos que os grandes sonhos são típicos daqueles ainda desacostumados com o mundo; o modo como esta engrenagem necessariamente deve funcionar. Frequentemente ouvimos mencionar que os mais jovens acreditam facilmente na possibilidade das mudanças, por pouco conhecerem da realidade. Mas, pela imaginação e o sonho pode-se libertar de determinados conceitos e preconceitos formados, construindo novos caminhos; ao invés de guiar-se pelos traços riscados por outros e apenas se adaptar à realidade.

Quantos avanços sociais foram obtidos por aqueles que acreditaram e incessantemente sonharam com os olhos bem abertos; sem se importar com as opiniões contrárias. Muitas vezes chamados de marginais e loucos, mais tarde reconhecidos pela história, incansáveis lutadores pela realização de seus ideais.

Desilusões com as pessoas que não compartilham das nossas aspirações são difíceis de suportar, mas quando um sonho acaba não significa que vamos entrar num pesadelo. A vida retoma o sentido ao se quebrar o vínculo com a lembrança da pedra que existiu no meio do caminho de um sonho não realizado, soltando as amarras do passado. Quando um sonho acaba...carecemos de um novo sonho bom para ser sonhado, uma adição a mais de vigor. A busca pelo incerto faz parte da vida, não podemos deixar a rotina nos aprisionar, perdendo a liberdade para sonhar.

 
 
  

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::sobre o autor::

Gilda E. Kluppel é professora de Matemática do ensino médio em Curitiba/PR, Mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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