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"o Cristo
menino/tranqüilo e sonhador/de águas verdes nos
olhos puros/como as oliveiras do Monte/fiel a
seus amigos--e que
sorriso!/ah,Jesus, ah, Jesusinho, crescer
para quê?" Narciso de Andrade (in
Poesia Sempre)
O meu tempo é
diferente do seu; no ritmo, na ação, no uso. Uso
meu tempo para sorrir e descubro que as
madrugadas são gestos de luzes, acordando galos
e pessoas para a Vida. Alguém teve a idéia
genial de cortar o tempo em fatias, assim poetou
Drummond. Há fatias do meu tempo que uso
parcimoniosamente. É quando estou em família,
naquela conversa doce entrecortada de risadas,
cochichos, beijos e abraços: desfruto cada
segundo, com muito cuidado e fotografo na
memória as palavras, os gestos, os olhares. O
abraço, o carinho, as mãos entrelaçadas, não se
perdem no tempo. Guardo tudo como um tesouro,
porque no instante seguinte, o olhar já é outro,
o riso muda de tom; somos outros.
O tempo faz as crianças
crescerem e olhando-as assusto-me: quem é essa
adolescente que ontem me chamava de “dodó queni”?
E esse rapazinho que há pouco penteava os
cabelos e perguntava:” como co tô”? E essa quase
universitária que , ainda ontem, brincava que os
sobrinhos do Pato Donald davam “uma morridinha?”
Que adolescente é esse, que noutro dia chorava
com medo de fogos de artifício e hoje gargalha,
feliz, e conta piadas num timing perfeito? Ah! o
tempo passa até para os mais felizes!
Cada fatia de meu tempo tem uma
duração. Lendo ou escrevendo, o tempo voa. Em
qualquer sala de espera, ou fila, os minutos
escorrem va-ga-ro-men-te e não tenho como
recuperar esse tempo perdido. Pensar resolver-se
sem entender-se é pura perda de tempo. Ganhar
tempo é ser ágil nas ações e conclusões. O tempo
deixa os cabelos brancos, traz ruguinhas,
marquinhas, gordurinhas, mas a alma (ah! a
alma!), continua atemporal. Continua no inicio
das eras quando a vida fresca e orvalhada brilha
à luz do sol do amanhã que sempre chegará.
O tempo de Natal é
sonoro, cheio de gentilezas e enriquecimentos,
quando os sentimentos do coração verbalizam-se.
É tempo de semear amor, atenção, carinho,
solidariedade. É tempo de sorrir, mesmo sem
saber o porquê. É tempo de significâncias,
quando reavaliamos nossa trajetória de vida,
mudamos nossos rançosos pensamentos, e nossos
olhares opacos, embaçados, reaprendem a brilhar,
enxergam as pessoas ao nosso redor sob novo
prisma e alongam-se na direção do horizonte em
busca de novas manhãs.
O tempo de Natal é alegre,
musical, de solidariedade, de cumplicidade. É
tempo de olhar o próximo e descobrir nele um
filho de Deus igual a nós, o nosso espelho, a
nossa face mais nítida, com compreensões
diferentes da vida, com um modo peculiar de
olhar os acontecimentos por ângulos que
desconhecemos, mas nem por isso menos
verdadeiros. É o tempo de mutações pessoais, de
troca de energia, de incluir-se no mundo do
outro e de excluir-se do egoísmo, da falsidade,
do desentendimento. É tempo de sinceridade, de
generosidade, de amorosidade não só com o nosso
próximo: também conosco. É tempo de sabermos o
quanto somos importantes na orquestra da vida,
mesmo que apenas carreguemos as partituras.Que
somos deuses, mesmo com nossos defeitos. Que
somos amados por Deus, mesmo com nossos atos
falhos. Que somos a suprema instância da
maravilhosa criação divina , mesmo que queiramos
nos destruir. E que jamais fugiremos ao destino
que nos foi reservado: a felicidade!
Feliz
Natal!! E que, ao brilharem as primeiras luzes
de 2007, de mãos dadas, como irmãos, formemos
uma corrente de energia e cantemos, juntos, a
eterna canção da Vida. Feliz Ano Novo!! |