ISSN 1678-8419  

Última atualização feita em:20-06-2005 17:56
 
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 Crônica

Tempo de Natal
Por Neiva Pavesi

"o Cristo menino/tranqüilo e sonhador/de águas verdes nos olhos puros/como as oliveiras do Monte/fiel a seus amigos--e que sorriso!/ah,Jesus, ah, Jesusinho, crescer para quê?" Narciso de Andrade (in Poesia Sempre)

O meu tempo é diferente do seu; no ritmo, na ação, no uso. Uso meu tempo para sorrir e descubro que as madrugadas são gestos de luzes, acordando galos e pessoas para a Vida. Alguém teve a idéia genial de cortar o tempo em fatias, assim poetou Drummond. Há fatias do meu tempo que uso parcimoniosamente. É quando estou em família, naquela conversa doce entrecortada de risadas, cochichos, beijos e abraços: desfruto cada segundo, com muito cuidado e fotografo na memória as palavras, os gestos, os olhares. O abraço, o carinho, as mãos entrelaçadas, não se perdem no tempo. Guardo tudo como um tesouro, porque no instante seguinte, o olhar já é outro, o riso muda de tom; somos outros.

O tempo faz as crianças crescerem e olhando-as assusto-me: quem é essa adolescente que ontem me chamava de “dodó queni”? E esse rapazinho que há pouco penteava os cabelos e perguntava:” como co tô”? E essa quase universitária que , ainda ontem, brincava que os sobrinhos do Pato Donald davam “uma morridinha?” Que adolescente é esse, que noutro dia chorava com medo de fogos de artifício e hoje gargalha, feliz, e conta piadas num timing perfeito? Ah! o tempo passa até para os mais felizes!

Cada fatia de meu tempo tem uma duração. Lendo ou escrevendo, o tempo voa. Em qualquer sala de espera, ou fila, os minutos escorrem va-ga-ro-men-te e não tenho como recuperar esse tempo perdido. Pensar resolver-se sem entender-se é pura perda de tempo. Ganhar tempo é ser ágil nas ações e conclusões. O tempo deixa os cabelos brancos, traz ruguinhas, marquinhas, gordurinhas, mas a alma (ah! a alma!), continua atemporal. Continua no inicio das eras quando a vida fresca e orvalhada brilha à luz do sol do amanhã que sempre chegará.

O tempo de Natal é sonoro, cheio de gentilezas e enriquecimentos, quando os sentimentos do coração verbalizam-se. É tempo de semear amor, atenção, carinho, solidariedade. É tempo de sorrir, mesmo sem saber o porquê. É tempo de significâncias, quando reavaliamos nossa trajetória de vida, mudamos nossos rançosos pensamentos, e nossos olhares opacos, embaçados, reaprendem a brilhar, enxergam as pessoas ao nosso redor sob novo prisma e alongam-se na direção do horizonte em busca de novas manhãs.

O tempo de Natal é alegre, musical, de solidariedade, de cumplicidade. É tempo de olhar o próximo e descobrir nele um filho de Deus igual a nós, o nosso espelho, a nossa face mais nítida, com compreensões diferentes da vida, com um modo peculiar de olhar os acontecimentos por ângulos que desconhecemos, mas nem por isso menos verdadeiros. É o tempo de mutações pessoais, de troca de energia, de incluir-se no mundo do outro e de excluir-se do egoísmo, da falsidade, do desentendimento. É tempo de sinceridade, de generosidade, de amorosidade não só com o nosso próximo: também conosco. É tempo de sabermos o quanto somos importantes na orquestra da vida, mesmo que apenas carreguemos as partituras.Que somos deuses, mesmo com nossos defeitos. Que somos amados por Deus, mesmo com nossos atos falhos. Que somos a suprema instância da maravilhosa criação divina , mesmo que queiramos nos destruir. E que jamais fugiremos ao destino que nos foi reservado: a felicidade!

Feliz Natal!! E que, ao brilharem as primeiras luzes de 2007, de mãos dadas, como irmãos, formemos uma corrente de energia e cantemos, juntos, a eterna canção da Vida. Feliz Ano Novo!!

 

 

Myrthes Aguiar & Natan Marques, Talento e Virtuose Num Belo Pocket-Show

Por Silas Corrêa Leite
publicado em 14/03/2006

 

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Neiva Pavesi é educadora, promotora de leitura, divulgadora cultural, escritora, coordenadora do Grupo Cantigas Praianas. Publicou: Vitrine da Vida, Vitrine da Alma e Só para Leitores

 

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