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Fenômeno
constante e presente, insinua-se, renovada, uma dança silenciosa que,
lentamente, volta a balançar todo o meu ser e sua integralidade, no compasso
de trovões agitados e assustadores ou na cadência de uma canção leve e
tenra. Sempre constante.
Em sua
agitação, assemelha-se às tempestades violentas ou a águas diáfanas que
movimentam toda a estrutura da vida. Fazem-me não aceitar e questionar o meu
lugar na existência.
De maneira
leve e rasteira, permite um silêncio nem sempre calado de si, eco seco de
uma inquietação angustiante que demanda, quase sempre, conexões constantes
de mares calmos ou revoltos. Ondulações incessantes.
Os ventos
da mudança transbordam em meu ser a possibilidade de conhecer minha própria
história (recente e longínqua). Lembro realizações e frustrações, medos e
esperanças. Repenso os caminhos escolhidos, as escolhas realizadas e as
oportunidades questionadas.
Vejo-me
escalar um monte. Ao pé da montanha, ergo a cabeça ao alto. Para alcançar o
objetivo, diviso o tempo, o tamanho do obstáculo e as estratégias. No
coração, batidas exprimem sons característicos aos sentimentos e emoções
despertadas, em diálogo com minhas tarefas, desejos e necessidades.
Existe uma
graduação de aprendizado na experiência a ser vivida. Quanto mais perto do
chão, mais grosseira é a atmosfera em que me encontro. O peso dos acessórios
carregados é enorme. Porém, não posso me desfazer deles, logo eles que me
trazem alguma segurança, que, reconheço, é, no momento, necessária. A
segurança de ter em que me apoiar. Recordo dos valores, crenças e regras
aprendidas, companhias constantes, ao longo da inconstância da vida. São
como os meus equipamentos. Nesse momento ainda não posso abandoná-los de
todo, embora sinta desejo de fazê-lo.
Subo mais
um pouco. O corpo já se ressente dos movimentos bruscos que uma escalada
pode proporcionar.
Enquanto
tomo fôlego, penso na partida e no ponto final. A corda balança na montanha.
Sou um pêndulo. Preciso me movimentar.
Aos
poucos, sinto o meu corpo desfilar sobre um caminho possível. A esperança de
chegar, finalmente, ao cume desejado expande a minha alma, desperta em mim
uma força que desconhecia. Aproximo-me do meu destino. Sinto que a esperança
que cultivei, questionada nos dias sombrios, foi o facho de luz diante da
escuridão da incerteza.
Posso
olhar para baixo sem constrangimento e para cima com mais alguma coragem.
Estou quase lá, sigo com a consciência tranquila.
Existe um
momento em nossa caminhada em que a dor busca abrigo em nós. O sofrimento
entra pelos aposentos do nosso ser sem nos pedir licença. Escolhas são
realizadas. Enquanto contemplamos as perdas e ganhos que cada escolha traz
consigo, por vezes, esquecemos que, descuidados, abrimos a porta a
visitantes, queridos ou indesejáveis. Quando damos conta, pode ser tarde
para expulsar o sofrimento que chamamos de intruso. Confusos com gritos e
respostas que circulam na atmosfera vivida, sentimos a necessidade de
recolher em sacolas respostas esparsas que circulam ao redor. Em processo de
evolução, caminhamos tateando em meio a esperanças e esforços de organizar a
própria vida e dar sentido à existência.
Visões do
porvir nem sempre vem a ser o exato prenúncio do futuro, mas precisamos
perseverar, projetando no devir nossos projetos, que fazem a vida valer a
pena ser vivida.
Uma
lágrima desce no rosto com marcas das experiências de vida.
O mundo é
um palco de representações e papéis sociais. Nem sempre gostamos de todos,
mas temos de escolher alguns e caminhar.
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