|
A
cadela da Dona Zebrina não toma jeito; outro dia pude vê-la pulando a
cerca a fim de encrencar com o cavalo do Leôncio, um fabricante de
inseticidas.
Leôncio, morador antigo na cidade de Garça, sabia muito bem que, às
vezes, de um simples acontecimento surge uma grande confusão; e foi
assim que tudo se deu. O fabricante de inseticidas, aliás, nunca fez o
tipo de quem se possa dizer: ele é incapaz de fazer mal a uma mosca.
João Lobato - que falava como um papagaio -, se incumbiu de espalhar o
ocorrido entre os vizinhos, e logo todos estavam a par. Até a Maria
Pinto, que só tem minhocas na cabeça, ficara sabendo. Considerando que
esse tipo de coisas costuma dar bode, não faltou quem criticasse. A
cascavel da Leonilda pôs-se logo a acirrar os ânimos, acrescentando à
história fatos que comprometiam a todos.
A
discussão foi feita e houve quem virasse uma fera. Alguns, entretanto,
ouviam tudo, indiferentemente, como fossem bois de presépio.
Mantive-me afastado, pois em briga de vizinho quem diz estar com a razão
quer mesmo é vender seu peixe. Sou macaco velho e não caio nessa. Fiquei
de lado com minha gata, que está esperando a cegonha e não pode se
enervar. Ademais, o domingo já lá vai e segunda-feira é, pois, amanhã,
dia de esquecer os grilos e a preguiça.
|