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FACES DO REALISMO
Espaço Cultural
Citi da Avenida Paulista abre mostra dos artistas
Fernando Pacheco,
Cirton Genaro, Sérgio Lucena e César Romero
A partir de 10 de
março
O Espaço Cultural
Citi da Avenida Paulista, com curadoria do crítico Jacob Klintowitz,
apresenta os trabalhos de quatro artistas de individualidades
marcantes"., reunidos através do palco comum do realismo: o paulista
Cirton Genaro, o paraibano Sérgio Lucena, o mineiro Fernando Pacheco
e o baiano César Romero.
O Espaço Cultural
Citi renova a sua vocação de mostrar obras de arte no centro vital
de São Paulo, no espaço que, atravessando o prédio do Citi, liga a
Avenida Paulista à Alameda Santos, um dos principais ícones de São
Paulo, e é visitado mensalmente por cerca de 50 mil pessoas.
Desde 2005,
passaram por ali nomes consagrados, como Rubens Gerchman, Luiz Paulo
Baravelli, Cláudio Tozzi, Gregório Gruber, Romero Britto, Newton
Mesquita, Ivald Granato e a ceramista Shoko Suzuki, entre outros.
O experiente
Klintowitz comenta: “Esta exposição reuniu quatro artistas de
inegável talento, mas poderiam ser cinqüenta artistas, para mostrar
a diversidade de pontos de vista e a abrangência do tema. Estamos
convencidos que uma infinita exposição antológica do nosso período
mostraria a individualidade de cada um, mas apresentaria, ao final,
um retrato de época, auto-retrato do século XXI.”
O Espaço Cultural
Citi (Av. Paulista, 1111, térreo, fone 11 4009 3000) fica aberto
para visitação de segunda a sexta-feira, das 9 às 19 horas; aos
sábados, domingos e feriados, das 10 às 17 horas. Acesso a
portadores de deficiência física pela Alameda Santos, 1146. A
entrada é gratuita. A mostra Faces do Realismo abre em 10 de março,
permanecendo até 2 de maio de 2008.
O tema e os
artistas,
por Jacob Klintowitz
Os dois assuntos
mais importantes dos últimos 150 anos da arte e da cultura são os
conceitos do que sejam o real e a identidade do ser humano. A
ciência alterou substancialmente a idéia de real com a introdução de
novos conceitos da matéria, de nova percepção do tempo-espaço, da
estrutura do universo, do inconsciente individual e do inconsciente
coletivo. E a arte antecipou esta tendência criando mundos
fluídicos, geométricos, abstratos, emocionais, espirituais, nos
quais tudo parece levar para uma nova concepção de homem e de
realidade.
A arte e os
artistas vivem o sonho tornado concreto da absoluta liberdade de
expressão. É uma viagem de peregrinação em direção ao encontro de si
mesmo, de sua identidade de artista e ser humano, e de percepção do
universo na sua existência material e espiritual, onda e corpúsculo.
Uma viagem mística ? O que é certo é que se trata de um percurso em
busca do entendimento do real, como um todo, e não compartimentado.
E é isto que se observa nas obras dos artistas de nossa época, este
desejo de tudo ser e de tudo entender.
A pintura de
Sérgio Lucena é a revelação de um continente individual. Mas não
de um continente contingente, mas um continente transcendente.
Entretanto, este continente submerso que emerge, profundamente
individual, é humano e, por nuclear, semelhante ao humano. É onde
nos encontramos, o contemplador e a pintura, neste núcleo essencial.
Ao pesquisar e revelar o continente oculto, este mítico continente
que nunca submergiu pois sempre esteve ali, o artista registra o
universo humano, o que é comum a todos. O contemplador amplia os
limites deste universo.”
Cirton Genaro
sonha com a fraternidade... Os personagens da pintura de Cirton são
fragmentos de um mural que o artista ainda fará: meninos de olhar
perplexo, camponeses devotos, suburbanos solitários, mulheres
douradas pelo outono, mendigos delirantes, pintores absortos, santos
humanizados. Cirton, do ponto de vista da ação, é um humanista que
optou pela construção pictórica e não cedeu ao convencional, a
ilustração do objeto e a produção de imagens. Nada de banalidades.”
É preciso notar
que, em tudo, na obra e na vida de Fernando Pacheco, não se
encontram senão o calor, a alta pressão, a incandescência. Não há
frieza, apenas as cinzas que sucedem ao fogo. Fernando Pacheco
habita o presente e ele se faz e se refaz na ação diária. O seu ato
artístico constrói o tempo, e ele é sempre este, o que se passa
agora. É possível que as memórias afloradas, partes de qualquer
coisa que emergem e se incorporam nas pinturas e nos objetos, dêem a
falta sensação de que o artista age a partir do passado. É um
engano. Isto que podemos chamar mecanicamente, por força do hábito,
de passado, é elemento constitutivo do agora de Fernando Pacheco.”
Neste sentido, o
do padrão modular que se repete e é multiplicado até o infinito, o
ritmo torna-se incessante e permanente. O processo de criação de
César Romero é semelhante ao da criação popular que, no seu
sistema de produção, repete as formas e as multiplica. Incessante e
permanente. Mais do que aqueles que, de maneira direta e
intencional, pretendem identificar o seu trabalho com as fontes” |