
São as crônicas quem delineiam e ampliam
os municípios, os Estados da federação, o Brasil e os Estados-nações.
Santana do Ipanema, AL, privilegia-se com seu número de cronistas
ocasionais ou por paixão. Se fosse elencá-los desde Oscar Silva, o
espaço seria outro; presentes na web José Malta Neto, Clerisvaldo B.
Chagas, Valter Filho, Fábio, Sérgio e Fernando Campos, Maikel Marques,
Augusto Ferreira, Carlindo de Lira, M. R. Almeida, Djalma de Melo, João
Neto, José Alécio, Manoel Augusto, Luciene Amaral, Rogivaldo Chagas,
Sibele Arroxellas, Capiá, Suzy Maurício, Remi Bastos, Fernando Valões,
Eduardo Bonfin, Luiz Vilar, Roberto Gonçalves. Há três décadas,
entretanto, estes dois escritores santanenses (Clerisvaldo e Djalma) têm
nas crônicas a similitude que motiva aproximá-los nesse gênero e neste
ensaio. Tanto um quanto o outro possui uma vontade própria de aprisionar
o tempo dele e onde os outros são personagens. Ambos convivem com a
crônica segundo a sensibilidade e competência literária de cada um. Se
crônica, um termo grego de personagem mitológica que devora o tempo (Cronos
ou Khrónos), ganha liberdade na inventiva criação de vários escritores e
tendo se separado do rigor histórico no século XVI indo ocupar colunas
de jornais no século XIX, o que fará da crônica uma peça literária serão
os argumentos autorais. A narração está para o texto como colunas que
sustentam a estrutura dos imóveis. O cotidiano é o espírito da crônica
que, apesar de inovações, preserva o espaço, o tempo como principal
aliado, a realidade onde o narrador interfere e, principalmente, o
conteúdo.
Atração
(porque a crônica os atrai) de opostos (pois são autores diferentes) em
dois escritores de Santana do Ipanema: dimensão histórica como documento
literário nos escritos de Clerisvaldo e Djalma, ambos registram o tempo
ao seu tempo. Clerisvaldo B. Chagas colabou no programa radiofônico de
França Filho, na Correio do Sertão, em Santana, escrevendo crônicas e,
atualmente, escreve-as no provedor santanaoxente.com; Djalma de Melo
Carvalho colaborava no Jornal de Alagoas, em Maceió, escrevendo crônicas
e, hoje, escreve-as em O Jornal, na capital alagoana, e no provedor
santanense maltanet.com.br para depois reuni-las em coletâneas. As
coletâneas de crônicas de Djalma são reunidas em livros, como “Festas de
Santana”, “Caminhada”, “Chuviscos de Prata”, “Águas do Gravatá”, “Chuva
no Telhado” e “Ventos e Trovoadas”. As crônicas de Clerisvaldo não estão
reunidas em livros. A crônica, este gênero brasileiro facilmente
encontrado nas redações de jornais, filha da subjetividade de quem a
escreve (comparem os cronistas publicados na web; e na web encontram-se
as crônicas de Clerisvaldo e Djalma) suas impressões em um texto curto.
No universo
de dezenas e dezenas de escritores e aspirantes a escritores nascidos e
criados em Santana do Ipanema – ou com água de cisterna, água do Panema
ou com água do São Francisco –, AL, que, por circunstâncias diversas,
deixaram a cidade indo, quem sabe, na BR-316 ou AL-130 em direção a
Maceió ou outros municípios brasileiros, dois deles não se desligam de
Santana em sua literatura: Djalma de Melo Carvalho (1938) e Clerisvaldo
B. Chagas (1946). Este romancista autor de "Ribeira do Panema" (de 1977)
– sobre um tempo de coronelismo, este romance é a
fotografia viva do Sertão alagoano onde o autor joga com narrativas
urbanas e rurais do município de Santana do Ipanema – e "Defunto
Perfumado" (de 1982) – é a estória de “um devoto
que pretende a todo custo construir uma igrejinha no cimo de um serrote
nas terras de um coronel latifundiário. Morto em tiroteio e sepultado no
serrote, Mestre Bilu começa a exalar o campo e a atrair as mais
diferentes personagens do Estado em meio a fanáticos, cangaceiros,
jagunços, religiosos e policiais, no cenário dos anos trinta” (sic) do
século XX. E ainda inéditos “Deuses de Mandacaru” e “Fazenda Lajeado”,
romances nordestinos, além de outros títulos escritos em diferentes
gêneros. Na opinião de Clerisvaldo: “Estamos 50 anos além do
tempo em Santana. A cidade também tem um ditado antigo: ‘Nada vai pra
frente’. Eu sempre me pergunto o que estou fazendo aqui? Vamos aguardar.
Claro que se der certo seu nome estará no meio”. Prossegue o escritor
que nunca trocou Santana por nenhuma outra cidade, dizendo: “Tenho
quatro romances do ciclo do cangaço. Além dos dois acima, ‘Deuses de
Mandacaru’, com prefácio do saudoso Carlos Moliterno, presidente da
Academia Alagoas de Letras e o ‘Fazenda Lajeado’. Para mim, o meu melhor
trabalho (está sem apresentador). São esses que quero levá-los até ao
cinema ou à televisão. Pretendo encerrar, talvez, esse tipo de romance,
resgatando a figura do rastejador que será o protagonista do novo livro
que nem iniciei. Para Clerisvaldo, o artista das letras está sempre
inquieto e, às vezes, estamos dormindo e nos chegam frases de efeito,
versos e ideias. Acordamos e corremos para o papel.
Sabe-se que
há um século e meio que a literatura regionalista encontra-se nos textos
de escritores brasileiros. O universo literário de Clerisvaldo B. Chagas
é um universo literário regionalista. Clerisvaldo é um escritor que
filtra o Sertão em vários sertões nos sentidos semânticos, simbólicos,
geográficos e etimológico. A substância de pessoalidades e
peculiaridades nordestinas está presente na literatura do santanense
Clerisvaldo B. Chagas. Substância de pessoalidades e peculiaridades
alagoanas, sertanejas, principalmente encontradas em Santana do Ipanema
e em seu entorno. Oscar Silva coloriu Santana com cores oscar-silva.
Cada escritor santanense colore a sua Santana do Ipanema com as suas
próprias cores. Literatura Regional é a literatura que diz eu sou do
Brasil. Não revisarei o conceito de Literatura Regionalista; há
regionalismos e regionalismos; tentar justificar que o bom regionalismo
não é universal é assinar o atestado de que na Terra uma parte do
planeta é ocupada por seres humanos e em outras geografias do mesmo
mundo moram alienígenas. Ao escrever, o escritor escreve sobre os
sentimentos de um mesmo mundo; certamente de etnias diversificadas,
todavia, etnia não é literatura. A Literatura Regionalista se mantém
viva desde a publicação de José de Alencar. O mercado rotula os livros
regionalistas e esta mesma tentativa está nas gôndolas das locadoras de
DVDs ou Blu-ray na tentativa de separar filmes por gêneros. Esta
Literatura Regionalista é a literatura que dialoga com vários brasis. O
espaço na literatura de Clerisvaldo ilumina com olhares da poesia,
porque o autor também é poeta, foca sobre a Geografia e a História, por
ambas ciências serem de seu dia-a-dia, além de suas incursões no
jornalismo diário, quando trabalhou a convite da família Ricardo Almeida
para editorar o Jornal do Sertão (primeiro e único jornal diário em
Santana do Ipanema, na década de oitenta, no século passado), e o seu
apego a Santana e as coisas do Sertão aos quais se mantém preso.
Eu
entrevistei Clerisvaldo B. Chagas, por e-mail, que considerou meus “bons
propósitos e honestidade” (sic), sendo o objeto de minhas pesquisas
pontuar estes dois escritores santanenses (Clerisvaldo e Djalma) e a
dimensão histórica como documento literário de suas criações.
Clerisvaldo ao ser questionado sobre (1) Quando você escreveu o primeiro
texto e disse a si mesmo: “Esse merece ser publicado”? Ele me respondeu:
Quando estudava a 5ª série escrevi sobre o Sertão e recebi um elogio
diante de toda a turma, pelo professor de Português. Daí, eu quis que
toda à cidade lesse o texto. Era o início de tudo. (2) Há um livro que
não poderá deixar de ser lido nunca, qual e por quê? A Bíblia Sagrada,
notadamente os Evangelhos, porque ensinam a viver para os homens e para
Deus. (3) Com quais palavras você definiria você? Em relação a minha
terra, um homem à frente no tempo, por isso mesmo cavalgando solitário.
(4) Alagoas sempre se orgulhou do seu nome no cenário literário mundial.
Hoje se vislumbram novos talentos com a força dos antigos? Claro.
Afirmando um poeta cordelista: Deus espalhou essa semente. Escrever –
todos escrevem – porém, o verdadeiro escritor não pincela em preto e
branco. (5) Eu publiquei que Santana é Terra de Escritores. Quais
sugestões você apontaria aos novos escritores santanenses? Nenhuma. Cada
escritor deverá experimentar os diversos caminhos oferecidos e seguir a
intuição. (6) É verdade que os alunos das escolas santanenses estudam a
literatura dos escritores de Santana do Ipanema? Nunca tomei
conhecimento disso. (7) Os livreiros, editores, bibliotecas e escolas do
ensino básico veem o livro de quais maneiras? Três agem com
razão/Editores com cifrão. (8) A cidade poderia recepcionar os
visitantes com placas com nomes dos escritores e ruas e praças que os
homenageassem? Por que não? (9) Os poderes santanenses Executivo e
Legislativo têm compromisso com artistas locais? Com escritor não, a não
ser compadres. (10) Há uma resistência histórica da mídia em publicar os
textos dos poetas e escritores. Santana participa desta mesma
resistência ou programas radiofônicos leem poesias, crônicas e contos de
seus escritores durante a programação? Continua a resistência, pelo
mesmo motivo pelo qual Jesus foi acusado e morto. (11) Como os
escritores devem ser lembrados? Como os que eles são: heróis. (12) Uma
academia de letras não existe apenas para os seus participantes;
geralmente, as academias de letras são fundadas para divulgação da
literatura, para fazerem os escritores chegarem nas mãos do povo. Quais
são as preocupações políticas da agremiação literária da qual você faz
parte? Hoje faço parte somente da agremiação universal. Seu objetivo é
tornar mais feliz o gênero humano. (13) Alguns escritores ficam em um
único livro; outros passam a vida fazendo os seus livros. Como você
avalia o fazer livros? Isso é relativo. Um único livro pode ser um
sucesso absoluto. E às vezes inúmeros livros são apenas inúmeros livros.
Conheço escritores com muito mais de uma centena, nenhuma obra tem
destaque especial. Quais são os outros livros publicados por Euclides da
Cunha ou Augusto dos Anjos? Porém, pode haver sucesso com vários deles,
como Graciliano, por exemplo. Entretanto por mais que ele fizesse nada
superaria “Vidas Secas”. (14) Quais os livros que você reler? Não
costumo reler nenhum livro, nem meu nem alheio. Mas os evangelhos não
são livros comuns, são medicamentos à parte.
Estas foram
às impressões do romancista sertanejo Clerisvaldo B. Chagas sobre o
fazer literário neste limiar do século XXI. O escritor, falando sobre o
seu fazer literário, disse que o conto “João-Sem-Rumo” nasceu assim: Eu
estava quase dormindo, pensando o que escrever como crônica para o dia
seguinte; de repente, eu fui assaltado pela metade do tema que escrevi.
Nunca pensei sair um conto, enquanto eu procurava uma crônica. Corri ao
papel, escrevi com facilidade a água que jorrava, e a outra metade fui
imaginando. A primeira ideia chegou como um conto diante da coroa de
espinhos do Cristo; depois mudou rapidamente de rumo e me levou para uma
noite escura, deserta e chuvosa. “João-Sem-Rumo” só veio surgir na
metade do trabalho, naturalmente. O nome “João-Sem-Rumo” é fictício.
Talvez pela veia poética que tenho, “João-Sem-Rumo” veio poético. Na
elaboração do conto, não consegui me livrar da poesia na prosa, por mais
que quisesse; daí, a justificativa ao personagem que vai misturando o
pensamento nessa mesclagem e, mesmo nessa armadilha, eu senti que talvez
estivesse criando um novo estilo brasileiro de conto.
O escritor
escreve dizendo que “Ninguém leu mais do que Clerisvaldo em Santana.
Entretanto, quando comecei a escrever, nunca mais li nada. Um dia, vi em
uma revista um autor famoso afirmando isso, que não mais lia, só
escrevia. Nunca li uma obra sequer do autor de ‘Grandes Sertões
Veredas’. Meu estilo de escrever está nos meus romances. Não pretendo
escrever contos. Esse foi um negócio que deu. Nem mesmo nas crônicas,
que são escritos curtos e objetivos, consigo totalmente impor minha
marca romanesca. Sei que até arrisquei a pele, publicando o conto de
primeira, mas viver é correr riscos. Pode ser que eu tenha lido alguma
coisa dele (Carlos Drummond de Andrade), perdida. Não conheço suas
obras, porque não tenho interesse. Todo personagem tem um pouco do seu
criador. São dois tipos de trabalho. Quando você escreve sem inspiração
e quando você está inspirado. Neste caso, eu já contei como aconteceu.
Do jeito volumoso como chegou a inspiração, eu escrevi. Depois achei que
eu estava criando, sem querer, um novo estilo também de escrever.
Sinceramente, não conheço coisas assim. Depois, é claro, fiz como o
ourives, fui lapidando como diria Olavo Bilac. Já dizia o saudoso vate
repentista Zezinho da Divisão, que todo poeta é sistemático”.
Diferente
de Clerisvaldo B. Chagas, a literatura de Djalma de Melo Carvalho é um
documento histórico binário porque, ao mesmo tempo em que as suas
narrativas registram lendas urbanas, mitos santanenses, a biografia de
sertanejo ilustre, notas e impressões sobre algum livro publicado por um
de seus amigos, acontecimentos do dia-a-dia, o autor surge nas crônicas
ora como protagonista, ora como um ator social em seu elenco de
personagens. O escritor Djalma, agora, com “Ventos e Trovoadas” (de
2009), depois de “Festas de Santana” (de 1977), “Caminhada” (de 1994),
“Chuvisco de Prata” (de 2000), “Chuvas Passageiras” (de 2003), “Águas do
Gravatá” (de 2005) e “Chuva no Telhado” (de 2007). A água aminoácida
continua nas crônicas do sertanejo santanense, não diria uma água
panêmica, arrisco falar sobre a simbologia da água na obra de meu
conterrâneo, após os comentários de Costa onde “Disse que a geografia
sertaneja é recheada de topônimos que lembram água, o bem mais precioso:
Olho D´Água das Flores ou do Casado, Dois Riachos, Água Branca, Minador
do Negrão, Cacimbinhas” (sic). O poeta da cinquentenária Academia
Maceioense de Letras termina o comentário aos nomes dos livros de
Djalma, com exceção aos dois primeiros, batizando-os de “títulos
molhados”.
Em reflexão mais cuidadosa, portanto, com
os pingos nos is, a literatura do santanense Djalma é um documento
histórico binário. Na primeira parte, a história privada do autor, e na
segunda, a história pública de Santana. Com isto, Santana do Ipanema,
AL, que foi notícia nas linhas de Brenno Accioly, na primeira metade do
século XX, e de Oscar Silva, continua sendo história nas últimas décadas
do mesmo século com Djalma se considerar a regularidade de suas
publicações, sobretudo narrando a vida de sua cidade maternal. No
entanto, esta primeira parte da literatura de Djalma, ou seja, a
história privada do autor, é ela quem faz os seus “títulos molhados”. A
imagem da água para quem durante a infância viveu no clima da Mata
Atlântica jamais se igualará a quem viveu dentro do Sertão. Essa imagem
da água supera o autor que, inconformado em representá-la uma vez com
“Chuvisco de Prata” (de 2000), ele prossegue sedento e intitula o
próximo como “Chuvas Passageiras” (de 2003), e ainda sem conseguir matar
a sede dá outro “título molhado” ao próximo livro “Águas do Gravatá” (de
2005) como se essa sede não tivesse fim, essa ligação com uma água
simbólica, uma água que lhe faltara em algum momento de suas
reminiscências, Djalma não satisfeito traz a lume “Chuva no Telhado” (de
2007) e, como o escritor da água, publica “Ventos e Trovoadas” (de
2009). Mesmo que o seu próximo título não seja associado à água, Djalma
é o escritor da água, escritor político em sua simbologia aquosa
protesta querendo água em Santana do Ipanema. Não uma água tardia, não
uma água fictícia de cujas torneiras na rede hidráulica da cidade só se
escuta o vento.
A força da imagem da água presente em
Djalma quão presente à história da água em Santana do Ipanema. Os
títulos de Djalma possuem significados em níveis diferentes. Mas, o que
leva o autor a renovar os títulos metafóricos com trovoadas, chuva,
águas, chuvas, chuviscos? A semântica utilizada nas obras do escritor
santanense está associada à limpeza, a lágrima, bebida, ruído, religião
por causa do batismo, e uma infinidade de outros signos a exemplo da
própria vida. A vida de um sertanejo para o qual a água representa
motivo de alegria, de vitória, de renascimento e de satisfação, os
títulos nos livros de Djalma são empregos de palavras com sentidos
diferentes. Por analogia, chuva não quer dizer chuva, águas não querem
dizer águas, trovoadas não são trovoadas, chuvas não são chuvas, nem
chuviscos são chuviscos, pois ele talvez nunca conseguiu separar seus
elementos associados na sua memória de sertanejo, memória de Santana e
de seus embates por causa da água. Observe que, nesta literatura de
condições atmosféricas, Djalma começa com “chuviscos de prata”, para em
seguida publicar “chuvas passageiras” e depois “águas do gravatá” até
“chuva no telhado” e chega por fim “ventos e trovoadas”. O escritor
inicia com chuva em pequenas gostas, e estas gotas se transformam em
chuvas passageiras que, no entanto, fazem águas no Gravatá, chuva no
telhado, ventos e trovoadas. Há uma mudança no clima, isto é, nos
títulos de Djalma de Melo Carvalho.
Em sua atividade bancária, Djalma ouviu de
matutos as mazelas do clima, as crises econômicas por ausência de chuva.
Quem recorreu ao empréstimo não ia conseguir saldar sua dívida em um ano
sem chuva. Nas conversas na cidade, a palavra água e a palavra chuva têm
uma força capaz de produzir mudanças, de transmitir impressões severas;
as palavras água e chuva servem para encorajar o comércio santanense e
as atividades agropecuárias. Não é de se surpreender se o próximo livro
de Djalma vier sob outro nome associado ao composto de oxigênio e
hidrogênio. Em outros lugares, em outros escritores, as palavras água e
chuva significam água e chuva, para Djalma de Melo água e chuva não têm
significado de água e chuva apenas, pois é sempre mais. Há um viés a
ser, literariamente, observado, e essa obliquidade poderá ser entendida
em suas crônicas sobre a cidade de Santana do Ipanema, distante a mais
de 200km de Maceió.
Eu conversei com Djalma, esses dias, por
e-mail, e ele me revelou ter dedicado-se à crônica. “Escrevo por
diletantismo procurando preencher a vida de aposentado. Se não for tanta
pretensão, tento ocupar o espaço deixado por Oscar Silva, o grande
escritor santanense de um legado literário da melhor qualidade. Em cada
livro escrito, deixo nele um pedaço de minha vida, em forma de memórias,
em meio aos retratos do cotidiano, às histórias da gente de nossa terra:
Santana do Ipanema. Assim, aproveito e vou contando, também e em
retalhos, a história da cidade, suas tradições mais caras, seus
valores”. Em outro e-mail, Djalma se confessou incentivado e aponta esta
minha pesquisa ao seu trabalho de meio século escrevendo o pitoresco em
Santana como exegese literária: “Sobre meus propósitos como divulgador
das coisas e gente de nossa cidade. E a sua reflexão cuidadosa”. Em
minhas considerações finais, Clerisvaldo e Djalma, este é um ensaio
sobre a crônica escrita para Santana do Ipanema ser lembrada além de
Santana do Ipanema, AL. E, por e-mail, Clerisvaldo me escreve “que
adorei o seu trabalho. Fiquei extasiado com esse documento que mostra
força, sinceridade e sabedoria” (sic). O meu compromisso de escritora e
pesquisadora é o de gravar as minhas impressões sobre o capital
intelectual presente em Santana do Ipanema. O potencial criativo da
literatura santanense tem o poder em transformar com sua capacidade
produtiva; este capital intelectual ao qual me refiro está presente nos
textos produzidos por escritores veteranos e escritores emergentes de
Santana do Ipanema.
AS MINHAS IMPRESSÕES SOBRE O CAPITAL
INTELECTUAL EM SANTANA DO IPANEMA
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