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Resumo
O trabalho abordou a importância das artes presente nas cerâmicas da
antiguidade grega. As cerâmicas foram desenvolvidas e aperfeiçoadas
através das técnicas de pinturas negras e vermelhas. Esse tipo de arte
mostra os sentimentos culturais de um povo. Elas nos permitem conhecer
um pouco a cultura grega vivificada em simples utensílios que faziam
parte de um cotidiano.
Palavras – chave:
Gregos. Cerâmica. Técnica.
The
ceramics as a memory of a Culture
Abstract
The
work discussed the importance of the arts in this ancient Greek
ceramics. The ceramics were developed and refined through the techniques
of black and red paints. This kind of art show the cultural
sensibilities of a people. They allow us to learn a little Greek culture
quickened into simple tools that were part of everyday life.
Key - words:
the Greeks. Ceramics. Technique.
INTRODUÇÃO
Os gregos, no decorrer da história, mostraram ter uma cultura muito
vasta através de relíquias, pois artisticamente sabiam desempenhar muito
bem a arte de pintar. Aqui, buscamos resgatar um pouco desta cultura
através das pinturas deixadas pelos mesmos, especificamente as que
encontramos em vasos que, ao serem analisados podemos perceber os
conhecimentos específicos de uma cultura. Eles, os vasos, estavam
presentes constantemente na vida do povo grego. Por suas utilidades
serem enormes, eles se tornaram uma das suas mais antigas relíquias
artísticas.
Neste aspecto, muitas coisas nos deixam curiosos, fazendo com que, a
contribuição de sua cultura possa despertar estudos, aprofundamentos dos
conhecimentos das riquezas neles contida. Uma dessas curiosidades é se
pode a cerâmica guardar a cultura de um povo, uma cultura cheia de
detalhes que mostra, através de suas pequenas obras manuais, a beleza
que o homem ao longo de sua história conseguiu produzir. Os vasos são
vistos com muita vivacidade. Os antigos mostraram ser muito bons,
ensinado que, “para chegarmos à arte, isto é, ao bem fazer é preciso o
confronto com alguma coisa difícil desafiando nossa habilidade”
(BUZZI, 2000, p. 210). Temos como objetivo
destacar e conhecer, de uma forma sistemática, a arte grega presente nas
cerâmicas, alguns aspectos desses utilíssimos utensílios, como também,
ressaltar a herança cultural revivida a cada fitar. Para isso, usamos
pesquisas bibliográficas. Os vasos nos permitem vivenciar os cantos de
Homero, dentre eles a Odisséia e a Ilíada.
Utilizamos dois tópicos, do qual serão reunidas informações obtidas de
diversos textos.
OS VASOS E SUAS UTILIDADES
Em um primeiro momento, o que nós podemos pensar acerca destes
utensílios é que eles estavam, constantemente, presente na vida dos
gregos. Podemos dizer que eles faziam parte das atividades, do lazer e
do uso pessoal do povo antigo. Os vasos se diferenciavam em tamanho,
forma e utilidade. Alguns eram compridos e não muito largos, enquanto
outros compridos e largos. Alguns pequenos e compridos outros largos e
pequenos. Diferenciavam-se, também, por alguns serem arredondados.
Podemos distingui-los não só pela forma e tamanho, mas pela utilidade.
Eram muito aproveitados para o armazenamento de mantimentos, água,
comidas, azeites.
Usavam a ânfora e a hídria
que era um jarro de armazenagem de tamanho
médio, com alças dos dois lados, e uma para levantá-lo. Era excelente
para grandes quantidades de mantimentos.
Nas festas elas usavam a cratera. Ela era
muito usada para misturar água ao vinho e sua boca era muito larga. O
jarro chamado enócoa era utilizado para armazenar uma única coisa, ou
seja, eram armazenados a água ou o vinho. A kúlixou ou shúphos ou
cálice era o mesmo que uma caneca e tinham a mesma função. Eram taças
com duas alças. O alabastro, o aríbalo e o
lécito eram usados para armazenar perfumes e óleos usados pelos homens e
pelas mulheres. Pelos homens, para os exercícios físicos, já pelas
mulheres, para guardar os perfumes. Nos rituais sagrados
utilizavam o vaso chamado lutróforo. Ele tinha a função de levar água
para ser usada nos rituais. Essa espécie de vaso marcava o mútulo das
moças que morriam solteiras.
Essas são algumas utilidades dos vasos na Grécia. Pois,
A cerâmica havia
sido, por muito tempo, elevada ao status de arte destinada a monumentos,
mas, desde o final do século VII a.C., placas de pedra ou estelas (do
grego stêlai; singular stêlê) pintadas ou esculpidas em relevo – ou
mesmo estátuas, como os koûroi – passaram a ser usadas como marcos
funerários, e a cerâmica voltou a funcionar com a fornecedora de
utensílios que sempre fora antes (WOODFORD, 1983, p.40).
Eram pintados para o uso cotidiano, embora em algum tempo tenham perdido
seu espaço. Depois, retomaram sua antiga função. Esta arte vai ao longo
da história, despertando dentro das criatividades humanas, um novo
olhar. Não serviam apenas para guardar mantimentos, mas com o conto dos
mitos, surge o desejo de representá-los, torná-los presentes não só na
tradição oral, mas artisticamente, ou seja, representar aquilo que
ouviam e que faziam parte de sua cultura. Eram inspirados pelos contos e
cantos, seja dos poetas ou dos aedos.
Estas ilustres cerâmicas eram bem apreciadas, estavam prontas a servir,
como já mencionamos. Mas, a partir desse serviço cotidiano, abrem-se as
portas para uma nova utilidade, surgido com o desenvolvimento de
técnicas. Elas não permaneceram apenas com a função de servir aos
caprichos do dia-a-dia dos gregos, tomaram outros rumos, desafiando
nações vindouras. Suas obras artísticas são plausíveis, pois
desenvolveram técnicas muito avançadas.
APLICAÇÕES DA PINTURA NOS VASOS
Através da arte em cerâmica os gregos conseguiram mostrar que suas artes
vão além e que se renovam a partir de novas conquistas. No contexto dos
poemas cantados pelos poetas, dentre eles, Homero. A vida dos heróis e
dos deuses despertou nos artistas gregos o interesse por
representá-los. Os próprios homens que se destacavam eram, através de
técnicas de pintura, gravados. Mostravam agora;
[...]
os valores mais elevados ganham, em geral, por meio da expressão
artística, significando permanente e força emocional capaz de mover os
homens. A arte tem um sentido ilimitado de conversão espiritual. E os
Gregos chamavam psicagogia. Só ela possui ao mesmo tempo a
validade universal e a plenitude imediata e viva, que são as condições
mais importantes da ação educativa (JAEGER, 1989, p. 44, grifo do
autor).
Embora Jaeger refira-se à poesia, pensamos que tal idéia pode se
refletida, também na arte da pintura. Sendo assim, com esta citação
podemos dizer que eles faziam arte como se estivessem vivenciando a cena
pintada, gravando-as com muita habilidade. Implica certo desafio e
também um envolvimento de sua alma com a pintura. Faz-nos, então,
refletir que, para os gregos, a nova forma de usar os objetos estava
muito mais próxima do que pensamos, até mesmo, porque a visualização
demonstrada fazia com que eles se encantassem e procurassem desenvolver
técnicas que fossem cada vez mais naturais. Neste aspecto, eles
desenvolveram as cenas mitológicas e até mesmo, cenas cotidianas dos
heróis através de uma técnica que conhecemos por figuras negras, da qual
a figura era pintada em uma cerâmica de cor vermelha. Naturalmente seria
a cor de origem, ou seja, o barro. As figuras eram pintadas de preto
detalhadas por um objeto pontiagudo, um exemplo deste material pode ser
conferido. Usaremos como exemplo uma cratera ática (fig. 1.1).
O tema central é a fuga de Odisseu. Percebe-se pela figura que está bem
destacada a imagem do carneiro (Cf. versos 180-190 da Odisséia) tendo
por debaixo um homem que retrata Odisseu, despertando a atenção de todos
quanto o observe. Esta cena está no canto quarto da odisséia, narrado a
seguir;
Eu -
um carneiro mais forte que todos ali se encontrava - esse agarrei pelo
dorso, e na lã da barriga escondi-me, onde fiquei, tendo o velo
abundante com as mãos aferrado, sempre na mesma postura, encurvado e com
muita paciência. Entre suspiros, ansiosos, a Aurora divina aguardamos
(HOMERO, 2000, p.
166).
Odisseu, o personagem principal gera o motivo da pintura. Esta cena
acontece quando o mesmo foge do ciclope
Polifemo.
A forma que encontrou para fugir foi saindo
embaixo de uma ovelha. O ciclope por certo criava estes animais, e não
seria capaz de matá-las e sim os culpados de sua cegueira. Por ser de
uma técnica de pintura negra, alguns detalhes aparecem sem muito
destaque.
Em relação aos pintores quem mais se destacou foi Exéquias, um de seus
discípulos aprimorou sua técnica. Desenvolveu em sentido contrário, ou
seja, as figuras seriam da cor do barro. Dentre estes aperfeiçoadores
quem mais se destacou por suas geniais pinturas, foram Eufrônio
e Eutimidas. Eles
pintaram muito bem alguns vasos. Podemos conferir ao destacar um vaso
ático (fig. 1.2) do ano 490 a.C. tendo como personagens principais
Odisseu e as sereias.
O que se pode perceber nesta figura é que o pintor quis representar o
canto doze da Odisséia, que narra o momento em que Odisseu foge do
ciclope e arrisca-se no mar, pede que os tripulantes o amarrem, pois
quer ouvir o canto das sereias. Percebe-se que os seus sócios estão
pintados bem pequeninos, podemos conferir que Odisseu após pedir que
seja amarrado pede a eles que fiquem no mastro e remem. Na figura, eles
não são tão importantes como Odisseu e as sereias que artisticamente
estão pintados de uma forma que chama atenção. A narração mostra que
foram atraídos (Cf. versos 180-190 da Odisséia) sendo o barco levado até
as sereias que logo começam a cantar:
Vem para perto,
famoso Odisseu, dos Aquivos orgulho, traz para cá teu navio, que possas
escutar-nos. Em nenhum tempo ninguém por aqui navegou em nau negra, sem
nossa voz inefável ouvir, qual dos lábios nos soa. Bem mais instruído
prossegue, depois de se haver deleitado. Todas as coisas sabemos, que em
Tróia de vastas campinas, pela vontade dos deuses, Troianos e Argivos
sofreram, como, também, quando passa no dorso da terra fecunda (HOMERO,
2000, p. 214-215).
A cena pintada faz referência às sereias, da qual podemos perceber que
elas são vistas metade peixes e metade pássaros. Elas eram consideradas
“Demônios marinhos em parte mulheres e em parte pássaros [...]”
(KURY, 2003, p. 354).
Notamos que estão entrando em uma caverna ou aproximando-se de uma ilha
e que Odisseu advertiu os seus que o amarrassem e logo depois cada um
tampasse seus ouvidos e assim foi feito. O precioso artista tocado pelo
gesto simbólico de tornar vivo algo que foi cantado faz despertar nesta
figura a relação humana com os deuses gregos. Entrelaça-se, portanto, o
destaque que é dado a um personagem muito importante de toda a Odisséia.
Comparando com a figura negra, notamos que, a técnica de figuras
vermelhas dá mais vida à figura, revesti-a da arte desafiadora deixada
para nós por esses pintores.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os Gregos, tendo sido uma das civilizações que desenvolveram técnicas em
vasos, deixaram para as civilizações futuras um tesouro muito vasto e
riquíssimo em recursos de pesquisa. Estando próxima de quem a estuda por
seus valores filosóficos, artísticos e culturais percebemos que estão
vivificados. Eles mostraram que esse desafio de gravar cenas do
cotidiano e até mesmo de mitos podiam ser feitas muito bem. Com o seu
desenvolvimento notamos que eles guardaram por milhões de anos a cultura
do seu povo. Por fim, podemos dizer, por este momento que, este povo,
conseguiu mostrar sua cultura, pois quando usaram um instrumento do
dia-a-dia para gravar suas crenças, costumes deixaram para os outros
povos uma representação daquilo que foram a milhares de anos atrás.

Figura 1.1

Figura 1.2
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BUZZI, Arcângelo R. A arte. In:__ . Introdução ao Pensar: o ser,
o conhecimento, a linguagem. 27. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2000, p.
210-217.
HOMERO. Odisséia. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Rio de
Janeiro: Ediouro, 2000, p.165-167/214-215.
JAEGER, Werner Wilhelm. Homero como educador. In:__ . Paidéia: a
formação para o homem grego. Tradução de Artur M. Parreira. 2. ed. São
Paulo: Martins Fontes, 1989, p. 43-48.
KURY,
Mário da Gama. Dicionário de Mitologia grega e romana. 7. ed. Rio
de Janeiro: Jorge Zahar. 2003.
WOODFORD, Susan. Grécia e Roma. In: Introdução à história da arte da
Universidade de Cambridge. Tradução de Waltensir Dutra. Rio de
Janeiro: Zahar, 1983, p 38-52.
Figura
1.1
– disponível em <http://www.fflch.usp.br/dh/heros/traductiones/homero/odisseia/polifemo.html
>.
Figura ‑
2.
2 - disponível em <http://www.minasdeouro.com.br/2009/07/01/a-odisseia/.>
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