
À
primeira vista o filme aparenta ser uma comédia romântica como tantas
outras que agradam e fazem sorrir. Mas o inteligente roteiro de Derrick
Borte (roteirista e diretor) e Randy Dinzeler surpreende à medida que a
história se desenrola com a proposta de uma séria reflexão.
Steve Jones (David Duchovny) e sua esposa Kate (Demi Moore) formam um
casal feliz, junto aos seus lindos filhos. Juntos, eles passam a imagem
de uma família maravilhosa. Chegam de carro alegres e animados, de
mudança para o novo bairro, onde vão morar numa bela casa, moderna e
confortável.
Imediatamente os recém-chegados chamam a atenção dos vizinhos que os
invejam pela bela aparência e conforto em que vivem. Acontece porém que
tudo não passa de uma grande farsa. Não existe nenhum vínculo familiar
entre eles que, na verdade, são funcionários de uma empresa chamada
Lifelmage; que seleciona pessoal para compor famílias aparentemente
perfeitas como estratégia de marketing, para vender produtos de luxo.
Cada um de seus componentes tem a função de incentivar a vizinhança a
comprar esses produtos, utilizados por eles. Por isso mostram-se sempre
simpáticos e agradáveis aos novos amigos, que na verdade são os
pretensos clientes, induzindo-os às compras, conforme seus planos.
As novas relações de “amizade” fluem bem, assim como as vendas. Mas,
numa primeira visita, a supervisora da empresa constata que Steve (que
faz o papel de pai) não se saiu tão bem quanto a sua falsa esposa. Além
do risco de perder o emprego Steve sente-se inferiorizado como homem.
Faz tudo para correr atrás do prejuízo, até que consegue surpreendentes
avanços e os aplausos da supervisora, que o recompensa com um belíssimo
carro.
O sucesso deixa-o gratificado; até que se dá conta do mal que causara
a pessoas ingênuas que acreditaram na sua conversa de vendedor.
Imediatamente, ele desmonta toda a farsa, abandona a empresa e muda
radicalmente de vida.
O filme dá o que pensar, assim como o recente programa de televisão
Globo Repórter,que mostrou a situação atual dos endividados.
Um rapaz trabalha de manhã, de tarde e de noite para pagar suas
dívidas, mas não consegue porque, por mais que pague, está sempre
devendo. É como um balde sem fundo que ele tenta encher de água, e claro
que continua vazio.
Uma senhora aposentada vê seu benefício evaporar-se em meio a tantos
descontos
provenientes do empréstimo que fez; o que compromete duramente sua
qualidade de vida.
“As armadilhas são muitas”, lamenta outro entrevistado. E quem perde
é quem não se previne.
Mesmo sem entender nada de Economia é visível que, em primeiro lugar,
é necessário comprar com planejamento, moderação e reflexão. Depois, uma
reforma radical no sistema financeiro; de forma que todos possam sair
ganhando: quem compra e quem vende, ou empresta.
