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ISSN 1678-8419         última atualização em: quarta-feira, 08 de setembro de 2010 17:49:03                                               

 
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CULTURA  CINEMA

A vida dos outros

Nair Lúcia de Britto

publicado em 03/09/2010

(DAS LEBEN DER ANDEREN – Alemanha, 2006)

Construído em 1961, o Muro de Berlim dividiu a Alemanha, por 28 anos, em a República Federal da Alemanha (RFA) e a República Democrática Alemã (RDA).

O episódio histórico inspirou Florian Henckel von Donnersmarck, que dirigiu e escreveu o roteiro desse filme, que começa quando a RDA (Berlim Oriental) supervisiona os alemães descontentes com o regime; os artistas são os mais pressionados.

O agente da Stasi (Polícia Secreta), Gerd Wiesler (Ulrich Muhe) é o personagem central da trama. Ele é hábil em arrancar as confissões dos suspeitos.

De Anton Grubtz, (Ulrich Tukur), o agente recebe a incumbência de investigar a vida do dramaturgo Georg Dreyman (Sebastian Koch); por exigência do Ministro da Cultura, Bruno Hemph (Thomas Thieme).

No teatro, o Ministro convida o dramaturgo a atuar a favor do regime; ao mesmo tempo encanta-se pela namorada dele: a atriz Christa-Maria (Martina Gedeck).

Deixe a política de lado, quando vier assistir minhas peças, retruca o dramaturgo e, mais tarde, comenta o fato ao amigo Albert Jerska, diretor de teatro.

Este, por sua vez, lastima a falta de liberdade de expressão e os castigos cruéis para quem não obedecesse as normas estabelecidas.

Wiesler monta um sistema de escuta de modo a espionar tudo que acontece no apartamento de Dreyman. Sem saber que está sob a mira do espião, o artista comemora seu aniversário com os amigos e a namorada.

O espião anota tudo que observa, mas quando vê o Ministro da Cultura chantageando Christa-Maria fica indignado! Então forja uma situação para que Dreyman saiba da atitude vil e defenda a moça. Mas ela não aceita a proteção do homem a quem ama, para não prejudicá-lo.

O trecho de um livro que pertencia a Dreymam também comove o espião.

Brecht:

“A cada dia de setembro o amanhecer era azul...

Aquelas jovens árvores alçando o céu...

Como o amor que floresce e cresce

Acima de nós flutuando o azul do céu

Como uma nuvem branca passando

Que com fé em seu coração nunca irá te deixar.”


De repente o telefone toca. Dreyman atende e recebe a triste notícia sobre o desaparecimento de Jerska. Sem palavras o dramaturgo senta-se ao piano e toca uma música em homenagem ao amigo...

As notas suaves emocionam o espião... E, quando o dramaturgo escreve um artigo a favor dos artistas, Wiesler em vez de denunciá-lo passa a protegê-lo. O artigo é publicado na revista Mirror, com autor anônimo.

Christa-Maria sofre as consequências, mas o Dreyman salva-se.

O muro de Berlim caiu em novembro de 1989.

Dois anos depois, Wiesler compra o último sucesso de Georg Dreyman. Abre o livro e surpreende-se com a dedicatória e o título da obra:

O Soneto dos Homens Bons.

Este filme foi vencedor do Oscar 2007 de Melhor Filme Estrangeiro.  

 

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::sobre o autor::

Nair Lúcia de Britto
Eu, Nair Lúcia de Britto nasci em Joanópolis (SP). Meu primeiro contato com as letras foi através do meu pai, que também era poeta, Arthur José dos Reis Britto.

Passei toda minha infância em Santos(SP), o que talvez explique minha paixão pelo mar... Em vez de me contar histórias, meu pai declamava versos dos poetas clássicos, e eu adorava...

Quando cursei o Clássico, eu me sobressaía em Literatura e aprendi muito com a minha professora: Sara Capellari.

Formei-me em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em 1977, em São Paulo (SP.) E meu primeiro emprego foi na revisão da Folha de São Paulo. Posteriormente trabalhei na Editora Nova Cultural, preparando textos de livros e revistas.

Escrevi vários textos infantis, publicados na Folhinha de S. Paulo; comentários de livros e filmes para a revista “Contigo”; e crônicas, publicadas na Folha da Tarde (SP) na coluna do jornalista Mário de Morais.

Ao escrever meu primeiro conto “A Virgem Marina”, fui muito incentivada pelo jornalista e escritor Wladir Duppont, que na década de 80 era o editor da revista “Nova”. Escrevi então outros contos de amor, publicados em várias revistas da Editora Abril.

Em São Vicente(SP) fui repórter e cronista do jornal “Primeira Cidade”, onde recebi o estímulo do ex-prefeito da cidade, Antonio Fernando dos Reis, dono do jornal. A partir daí eu fui em frente... Além de prosas, passei a escrever também comentários de filmes de arte; publicados, atualmente, na revista virtual Partes.

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