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ISSN 1678-8419         última atualização em: quarta-feira, 17 de setembro de 2008 22:28:15                                               

 
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CULTURA  CINEMA

Bezerra de Menezes: o diário de um espírito

 

Nair Lúcia de Britto

publicado em 17/09/2008

 

BEZERRA DE MENEZES: O DIÁRIO DE UM ESPÍRITO

O filme brasileiro “Bezerra de Menezes: Diário de um Espírito” é um belo trabalho, produzido pela Trio Filmes e realizado pela ONG Estação da Luz; cuja direção coube aos cineastas cearenses Glauber Filho e Joe Pimentel.

Para interpretar o Dr. Bezerra de Menezes, conhecido como “O Médico dos Pobres” foi escolhido o ator Carlos Vereza; a escolha não poderia ser melhor graças ao seu grande talento, acrescido de sua valiosa experiência de vida no campo espiritualista.

Uma cuidadosa e extensa pesquisa histórica sobre a vida do Dr. Bezerra de Menezes foi realizada pelo biógrafo Luciano Klein e pela roteirista Andrea Bardawill.

Tudo foi minuciosamente trabalhado para fazer uma reconstituição fiel da época em que o médico viveu desde o seu nascimento, em 29 de agosto de1831, em Riacho do Sangue (hoje município de Jaguaretama, no interior do Ceará) até o seu desenlace em 11 de abril de 1900, no Rio de Janeiro.

Bezerra de Menezes era descendente de uma das primeiras famílias do Sul, que vieram povoar aquela região do Estado do Ceará. Começou seus estudos na Escola Pública da Vila do Frade, mostrando desde cedo sua inteligência notável. O sonho de ser um médico, levou-o a seguir para o Rio de Janeiro, onde diplomou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1856.

Casou-se duas vezes. A primeira esposa foi D. Maria Cândida Lacerda a qual perdeu muito cedo, deixando dois filhos: um com apenas três anos e outro com um ano de idade.

Casou-se, então, com a irmã da primeira esposa e seu grande amor.

Conheceu a Filosofia Espírita através do Dr. Carlos Travassos que havia concluído a primeira tradução, das obras de Allan Kardec, para a língua portuguesa. Apressou-se o biógrafo a oferecer ao então deputado Bezerra de Menezes “O Livro dos Espíritos”. Este que já estudara várias filosofias, entreteu-se em ler o livro que ganhara de presente, durante o percurso de uma longa viagem. Ao término da leitura, certificou-se que todos os pensamentos psicografados por Allan Kardec identificavam-se com sua maneira de ser. E, em 16 de agosto de 1886, declarou publicamente sua adesão à Doutrina Espírita; ignorando os injustos preconceitos da Igreja e que, infelizmente, ainda existem até hoje.

A partir de então dedicou sua vida às causas de Jesus Cristo e à caridade para com os pobres desprotegidos. Na política foi vereador e deputado pelo Rio de Janeiro; e também presidente da Federação Espírita Brasileira – FEB.

A Federação possuía uma “Assistência aos Necessitados” que tratava os pacientes com Homeopatia e Bezerra de Menezes adaptou-se a essa forma de tratamento médico, para cuidar dos pobres. Como político, mesmo que algumas vezes injuriado e perseguido, Bezerra de Menezes defendia com ardor as causas humanitárias e abolucionistas.

O filme, quase um documentário, registra passagens marcantes sobre a vida de Bezerra de Menezes e suas mensagens espiritualistas, com base no Evangelho Cristão, para uma conduta correta do homem perante a vida, perante a si mesmo e ao seu próximo. Mostra que a Doutrina Espírita é uma santa doutrina que prega o amor na sua mais pura expressão; estudada à luz da razão; além de associar-se à Ciência e a Filosofia, para propagar suas idéias absolutamente cristãs. E resume sua proposta numa só frase:

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO!

Vale lembrar que o Doutor Bezerra de Menezes, agora na Espiritualidade, continua trabalhando pelo Bem, iluminando os médicos que recorrem ao seu auxílio quando ministram a Medicina; bem como todas as pessoas que o solicitam, nas dificuldades, através da oração.

Num mundo materialista e às vezes cruel, em que estamos vivendo, foi uma linda e generosa lembrança de artistas brasileiros executar essa obra, com tanto esmero e cuidado; a fim de levar uma mensagem de paz, de amor ao próximo, de respeito à Natureza e à Vida.

 

Ficha Técnica

Classificação: Ficção (longa-metragem)
Duração do filme: aprox. 75 min

Bezerra de Menezes: Carlos Vereza
Bezerra de Menezes Jovem: Magno Carvalho
Bezerra de Menezes Criança: Lucas Ribeiro

Antonio Adolfo Bezerra de Menezes: Cláudio Raposo
Dona Fabiana: Juliana Carvalho

Maria Cândida: Mirelle Freitas
Cândida Augusta: Alexandra Marinho

Irmã de Bezerra de Menezes: Ana Rosa
Soares: Everaldo Pontes
Cunhada de Bezerra de Menezes: Larissa Vereza

Líder do centro espírita: Lúcio Mauro
Senhor Materialista: Pedro Domingues

Doutor Leopoldino: B. de Paiva
Hermínia: Taís Dahas
Pai de Hermínia: Fernando Piancó
Mãe de Hermínia: Ana Cristina Viana
Maria do Carmo: Cristiane de Lavôr
Padre exorcista: Rodger Rogério

Pedinte: Renato Prieto
Freire Alemão: WJ Solha
Altino: Robério Diógenes
Estudante: Romário Fernandes
Mãe aflita: Andrea Piol

Deputado Gaspar Drumond: Fernando Teixeira
Deputado Andrade Figueira: Rutílio Oliveira

Médium João Gonçalves do Nascimento: Tarcísio Pereira
Médico Mário Lacerda: João Dantas

Senhora: Nanda Costa
Farmacêutico: Fernando Catoni

Participação Especial:

Militar: Caio Blat
Militar: Paulo Goulart Filho
 

  

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::sobre o autor::

Nair Lúcia de Britto é jornalista e poeta.

Eu, Nair Lúcia de Britto nasci em Joanópolis (SP). Meu primeiro contato com as letras foi através do meu pai, que também era poeta, Arthur José dos Reis Britto.

Passei toda minha infância em Santos(SP), o que talvez explique minha paixão pelo mar... Em vez de me contar histórias, meu pai declamava versos dos poetas clássicos, e eu adorava...

Quando cursei o Clássico, eu me sobressaía em Literatura e aprendi muito com a minha professora: Sara Capellari.

Formei-me em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em 1977, em São Paulo (SP.) E meu primeiro emprego foi na revisão da Folha de São Paulo. Posteriormente trabalhei na Editora Nova Cultural, preparando textos de livros e revistas.

Escrevi vários textos infantis, publicados na Folhinha de S. Paulo; comentários de livros e filmes para a revista “Contigo”; e crônicas, publicadas na Folha da Tarde (SP) na coluna do jornalista Mário de Morais.

Ao escrever meu primeiro conto “A Virgem Marina”, fui muito incentivada pelo jornalista e escritor Wladir Duppont, que na década de 80 era o editor da revista “Nova”. Escrevi então outros contos de amor, publicados em várias revistas da Editora Abril.

Em São Vicente(SP) fui repórter e cronista do jornal “Primeira Cidade”, onde recebi o estímulo do ex-prefeito da cidade, Antonio Fernando dos Reis, dono do jornal. A partir daí eu fui em frente... Além de prosas, passei a escrever também comentários de filmes de arte; publicados, atualmente, na revista virtual Partes.

Quanto às poesias... eu as escrevo desde a adolescência, mas somente agora comecei a divulgá-las em sites de literatura. Não tenho nenhum livro publicado... mas ainda chego lá!

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