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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 19 de outubro de 2009 18:01:40                                               

 
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CULTURA  CINEMA

Foi apenas um sonho

Nair Lúcia de Britto

publicado em 19/10/2009

(Revolutionary Road – 2008 – EUA/Inglaterra)

Sam Mendes, diretor de teatro premiado; investiu no cinema em 1999, quando dirigiu “Beleza Americana” (American Beauty). E é ele que também dirige este filme.

“Revolutionary Road” (título original da obra) é o nome do lugar onde um jovem e bonito casal vai morar com seus dois filhos. Ela se chama April (Kate Winslet) e ele, Frank (Leonardo DiCaprio).

 

A casa onde residem é um chalé simples, mas amplo e confortável. Ao redor, muitas árvores que tornam o local pitoresco e agradável...

 

Ambos mantém uma boa convivência com os vizinhos e têm uma vida, de certa forma, tranquila; se não fosse a insatisfação pessoal que os perturba por motivos distintos.


April é uma atriz que, não suportando seu fracasso no teatro; simplesmente desiste da carreira para se dedicar apenas às tarefas do lar e aos cuidados com os filhos. Mas a frustração como atriz torna-a uma pessoa intolerante e mal-humorada. Frank, por sua vez, detesta o seu trabalho burocrático e sem graça, na mesma empresa onde seu pai trabalhou toda sua vida. Ele sonhava algo diferente no campo profissional, mas não sabia o que realmente o quê.

 

A insatisfação pessoal que ambos experimentam começa a interferir no relacionamento amoroso do casal que não consegue mais conversar, sem transformar qualquer diálogo numa briga, sempre improdutiva.

 

Aborrecido com o clima pesado no lar; no dia do seu aniversário Frank resolve sair com uma colega de trabalho, com quem desabafa sua angústia. A traição, porém, lhe causa um imenso remorso, quando ele chega em casa e April, carinhosamente, o recebe com uma festa...

 

A supresa preparada para o marido surgiu ao rever as fotos do início do casamento, quando os dois eram felizes.

 

Ansiosa para recuperar a felicidade perdida, April propõe ao marido deixar tudo para trás e recomeçar uma vida nova em Paris.

 

Ela seria secretária num órgão governamental e, enquanto isso, ele teria tempo suficiente para refletir e procurar um trabalho que lhe desse satisfação.

 

Só a idéia de mudar-se para Paris faz o rosto de Frank iluminar de alegria. April fica contagiada pelo entusiasmo dele; e se apressa em tomar as providências devidas.

 

Mas o projeto fica seriamente comprometido com a súbita promoção de Frank no emprego e a perspectiva de um terceiro filho...

 

Pensando de forma sensata, Frank quer desistir da viagem e explica seus motivos; ansiando para que April o compreenda. Só que, para ela, o sonho de morar em Paris transformara-se numa obsessão, que a conduz à uma trágica loucura.

Viúvo, solitário e infeliz, Frank acaba por se dedicar exclusivamente ao trabalho e aos seus dois filhos...


A reflexão que se faz desse filme é que é preciso discernir sobre a diferença que existe entre o sonho e a obstinação. Como bem disse o escritor Fernando Sabino: “Cada um tem o direito de ser o dono do seu sonho.” Mas sem jamais prejudicar alguém.

 

Nenhum casamento é um mar de rosas. A escolha certa do parceiro é o que é mais importante. Depois, ter a sabedoria de superar as dificuldades e aproveitar os bons momentos.

 
 

NAIR LÚCIA DE BRITTO
Comentarista de Cinema

 

Direção: Sam Mendes

Roteiro: Justin Haythe

Elenco: Zoe Kazan (Maureen), David Harbour (Shep Campbell), Kate Winslet, Leonardo DiCaprio, Michael Shannon, Kathy Bates (Senhora Givings), Dylan Baker (Jack Ordway), Kathryn Hahn (Milly Campbell)

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::sobre o autor::

Nair Lúcia de Britto
Eu, Nair Lúcia de Britto nasci em Joanópolis (SP). Meu primeiro contato com as letras foi através do meu pai, que também era poeta, Arthur José dos Reis Britto.

Passei toda minha infância em Santos(SP), o que talvez explique minha paixão pelo mar... Em vez de me contar histórias, meu pai declamava versos dos poetas clássicos, e eu adorava...

Quando cursei o Clássico, eu me sobressaía em Literatura e aprendi muito com a minha professora: Sara Capellari.

Formei-me em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em 1977, em São Paulo (SP.) E meu primeiro emprego foi na revisão da Folha de São Paulo. Posteriormente trabalhei na Editora Nova Cultural, preparando textos de livros e revistas.

Escrevi vários textos infantis, publicados na Folhinha de S. Paulo; comentários de livros e filmes para a revista “Contigo”; e crônicas, publicadas na Folha da Tarde (SP) na coluna do jornalista Mário de Morais.

Ao escrever meu primeiro conto “A Virgem Marina”, fui muito incentivada pelo jornalista e escritor Wladir Duppont, que na década de 80 era o editor da revista “Nova”. Escrevi então outros contos de amor, publicados em várias revistas da Editora Abril.

Em São Vicente(SP) fui repórter e cronista do jornal “Primeira Cidade”, onde recebi o estímulo do ex-prefeito da cidade, Antonio Fernando dos Reis, dono do jornal. A partir daí eu fui em frente... Além de prosas, passei a escrever também comentários de filmes de arte; publicados, atualmente, na revista virtual Partes.

Quanto às poesias... eu as escrevo desde a adolescência, mas somente agora comecei a divulgá-las em sites de literatura. Não tenho nenhum livro publicado... mas ainda chego lá!

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