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Indiscutivelmente, “Maré, Nossa História de Amor”, de Lucia Murat, é um
belíssimo musical, em que a cineasta se propôs a formar um corpo de baile a
partir dos vários grupos de dança do Rio de Janeiro. Demonstrou, dessa forma, a
diversidade ética e cultural do nosso país.
Para
formar esse grupo de dança, contudo, trabalhou com o mesmo rigor de conjunto de
um espetáculo tradicional, revelando talentos novos, que por sua vez tiveram uma
excelente oportunidade.
Ao
mesmo tempo em que a obra encanta pela beleza artística que se sobrepõe às cenas
de violência (apenas as essenciais para a trama) é um filme que choca pela sua
dramaticidade.
“Maré”
é uma favela do Rio de Janeiro, onde moram dois jovens que se apaixonam e sonham
em ser artistas. Mas a história deles é marcada pelas disputas entre os dois
chefes de grupos rivais que dominam o tráfico de drogas na favela.
Para
criá-la, a cineasta inspirou-se na tragédia romântica “Romeu e Julieta”, do
poeta e dramaturgo inglês, William Shakespeare; escrita por volta de 1595. Na
história original, dois jovens apaixonados são vítimas inocentes do ódio e da
disputa entre as poderosas famílias Montecchio e Capuleto.
Jonatha, o herói brasileiro é interpretado por Vinícius D'Black que teve sua
primeira experiência como ator. Na verdade, era um cantor que mora em Rio das
Pedras e desde os l5 anos vinha batalhando para gravar um CD.
A
heroína Analídia é interpretada por Cristina Lago, que morava numa pequena
cidade de Rondônia e resolveu, de repente, vir para o Rio movida pela sonho de
ser atriz.
Junto a profissionais consagrados estão muitos outros artistas novos que
conseguiram nesse trabalho sua primeira e grande oportunidade. Alguns,
inclusive, residentes na favela.
Marisa Orth interpreta a personagem Fernanda, uma professora de dança que,
dentro da favela, trabalha por idealismo; e com a intenção de mostrar aos
alunos, pelos quais se afeiçoa, uma nova opção de vida, através da arte.
Um
dos objetivos de Lucia Murat é demonstrar através desse trabalho, executado com
muito amor, empenho, e uma enorme força-de-vontade, valores reais de pessoas de
bem que são obrigadas a residir na favela e a conviver com o crime e com o
terror.
Infelizmente, uma realidade gerada da desordem social brasileira.
Nair
Lúcia de Britto, Comentarista de Cinema

Personagens
Fernanda (Marisa Orth) – ex- bailarina, aceita trabalhar numa favela um pouco
por falta de opção. Vai aos poucos se definindo a favor de seus alunos e se
envolvendo com eles. Representa a ligação entre a comunidade e o “outro lado” da
cidade.
Analídia (Cristina Lago) – moradora da Maré, cerca de 16 anos, sonha em ser
bailarina. É prima do chefe do tráfico (Bê) de um dos lados da Maré . Apaixonada
por Jonatha, aceita correr qualquer risco para preservar a sua paixão.
Jonatha (Vinícius D´Black) – morador da Maré, cerca de 18 anos, é MC da
comunidade e também estuda na escola de dança. Seu sonho é ser cantor e gravar
um CD. É amigo de infância do chefe de tráfico do outro lado da Maré (Dudu).
Apaixonado por Analídia, quer abandonar aquele mundo para poder realizar seus
sonhos, mas é também muito crítico sobre os problemas sociais.
Leonardo (Rafael Diogo) – morador da Maré, cerca de 12 anos, também é estudante
na escola de dança. É irmão de Bê, que não aceita que ele estude dança.
Dudu (Babu Santana)– morador da Maré, é o atual chefe do tráfico do lado direito
da Maré. É completamente enlouquecido e violento, mas tem uma profunda amizade
com Jonatha, por quem é capaz de qualquer coisa.
Bê (Jefchander) – morador da Maré, cerca de 20 anos, é o atual chefe de tráfico
do lado esquerdo da Maré. Disputa com Dudu o controle da comunidade.
Co-produção
Gloria Films – França
Lavorágine Films – Uruguai
Equipe
Direção: Lucia Murat
Direção de Fotografia: Lucio Kodato
Direção de Arte: Gringo Cardia
Roteiro: Lucia Murat e Paulo Lins
Coreografia: Graciela Figueroa
Coreografia adicional: Sonia Destri
Direção Musical: Fernando Moura e Marcos Suzano
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