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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 07 de abril de 2008 20:47:04                                               

 
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CULTURA  CINEMA

Maré, Nossa História de amor (Brasil, França e Uruguai – 2007)

 

Nair Lúcia de Britto

publicado em 07/04/2008

 


Foto: Bruno Prada/divulgação


Indiscutivelmente, “Maré, Nossa História de Amor”, de Lucia Murat, é um belíssimo musical, em que a cineasta se propôs a formar um corpo de baile a partir dos vários grupos de dança do Rio de Janeiro. Demonstrou, dessa forma, a diversidade ética e cultural do nosso país.

Para formar esse grupo de dança, contudo, trabalhou com o mesmo rigor de conjunto de um espetáculo tradicional, revelando talentos novos, que por sua vez tiveram uma excelente oportunidade.

Ao mesmo tempo em que a obra encanta pela beleza artística que se sobrepõe às cenas de violência (apenas as essenciais para a trama) é um filme que choca pela sua dramaticidade.

“Maré” é uma favela do Rio de Janeiro, onde moram dois jovens que se apaixonam e sonham em ser artistas. Mas a história deles é marcada pelas disputas entre os dois chefes de grupos rivais que dominam o tráfico de drogas na favela.

Para criá-la, a cineasta inspirou-se na tragédia romântica “Romeu e Julieta”, do poeta e dramaturgo inglês, William Shakespeare; escrita por volta de 1595. Na história original, dois jovens apaixonados são vítimas inocentes do ódio e da disputa entre as poderosas famílias Montecchio e Capuleto.

Jonatha, o herói brasileiro é interpretado por Vinícius D'Black que teve sua primeira experiência como ator. Na verdade, era um cantor que mora em Rio das Pedras e desde os l5 anos vinha batalhando para gravar um CD.

A heroína Analídia é interpretada por Cristina Lago, que morava numa pequena cidade de Rondônia e resolveu, de repente, vir para o Rio movida pela sonho de ser atriz.

Junto a profissionais consagrados estão muitos outros artistas novos que conseguiram nesse trabalho sua primeira e grande oportunidade. Alguns, inclusive, residentes na favela.

Marisa Orth interpreta a personagem Fernanda, uma professora de dança que, dentro da favela, trabalha por idealismo; e com a intenção de mostrar aos alunos, pelos quais se afeiçoa, uma nova opção de vida, através da arte.

Um dos objetivos de Lucia Murat é demonstrar através desse trabalho, executado com muito amor, empenho, e uma enorme força-de-vontade, valores reais de pessoas de bem que são obrigadas a residir na favela e a conviver com o crime e com o terror.

Infelizmente, uma realidade gerada da desordem social brasileira.

Nair Lúcia de Britto, Comentarista de Cinema

Personagens
Fernanda (Marisa Orth) – ex- bailarina, aceita trabalhar numa favela um pouco por falta de opção. Vai aos poucos se definindo a favor de seus alunos e se envolvendo com eles. Representa a ligação entre a comunidade e o “outro lado” da cidade.
Analídia (Cristina Lago) – moradora da Maré, cerca de 16 anos, sonha em ser bailarina. É prima do chefe do tráfico (Bê) de um dos lados da Maré . Apaixonada por Jonatha, aceita correr qualquer risco para preservar a sua paixão.
Jonatha (Vinícius D´Black) – morador da Maré, cerca de 18 anos, é MC da comunidade e também estuda na escola de dança. Seu sonho é ser cantor e gravar um CD. É amigo de infância do chefe de tráfico do outro lado da Maré (Dudu). Apaixonado por Analídia, quer abandonar aquele mundo para poder realizar seus sonhos, mas é também muito crítico sobre os problemas sociais.
Leonardo (Rafael Diogo) – morador da Maré, cerca de 12 anos, também é estudante na escola de dança. É irmão de Bê, que não aceita que ele estude dança.
Dudu (Babu Santana)– morador da Maré, é o atual chefe do tráfico do lado direito da Maré. É completamente enlouquecido e violento, mas tem uma profunda amizade com Jonatha, por quem é capaz de qualquer coisa.
Bê (Jefchander) – morador da Maré, cerca de 20 anos, é o atual chefe de tráfico do lado esquerdo da Maré. Disputa com Dudu o controle da comunidade.

Co-produção

Gloria Films – França
Lavorágine Films – Uruguai

Equipe
Direção: Lucia Murat
Direção de Fotografia: Lucio Kodato
Direção de Arte: Gringo Cardia
Roteiro: Lucia Murat e Paulo Lins
Coreografia: Graciela Figueroa
Coreografia adicional: Sonia Destri
Direção Musical: Fernando Moura e Marcos Suzano

 

 
  

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::sobre o autor::

Nair Lúcia de Britto é jornalista e poeta.
 

Eu, Nair Lúcia de Britto

Nasci em Joanópolis (SP). Meu primeiro contato com as letras foi através do meu pai, que também era poeta, Arthur José dos Reis Britto.

Passei toda minha infância em Santos(SP), o que talvez explique minha paixão pelo mar... Em vez de me contar histórias, meu pai declamava versos dos poetas clássicos, e eu adorava...

Quando cursei o Clássico, eu me sobressaía em Literatura e aprendi muito com a minha professora: Sara Capellari.

Formei-me em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em 1977, em São Paulo (SP.) E meu primeiro emprego foi na revisão da Folha de São Paulo. Posteriormente trabalhei na Editora Nova Cultural, preparando textos de livros e revistas.

Escrevi vários textos infantis, publicados na Folhinha de S. Paulo; comentários de livros e filmes para a revista “Contigo”; e crônicas, publicadas na Folha da Tarde (SP) na coluna do jornalista Mário de Morais.

Ao escrever meu primeiro conto “A Virgem Marina”, fui muito incentivada pelo jornalista e escritor Wladir Duppont, que na década de 80 era o editor da revista “Nova”. Escrevi então outros contos de amor, publicados em várias revistas da Editora Abril.

Em São Vicente(SP) fui repórter e cronista do jornal “Primeira Cidade”, onde recebi o estímulo do ex-prefeito da cidade, Antonio Fernando dos Reis, dono do jornal. A partir daí eu fui em frente... Além de prosas, passei a escrever também comentários de filmes de arte; publicados, atualmente, na revista virtual Partes.

Quanto às poesias... eu as escrevo desde a adolescência, mas somente agora comecei a divulgá-las em sites de literatura.

Não tenho nenhum livro publicado... mas ainda chego lá!

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